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14 de maio de 2024 · 13 min de leitura

Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP

CAPEX e OPEX: o que são, diferença, exemplos e impacto no caixa

CAPEX e OPEX: o que são, diferença, exemplos e impacto no caixa

CAPEX (capital expenditure) é o dinheiro gasto para comprar ou melhorar bens duráveis que vão gerar benefício por vários anos, como máquinas, imóveis e sistemas. OPEX (operational expenditure) é o gasto recorrente para manter a empresa funcionando, como salários, aluguel e energia. CAPEX vira ativo; OPEX vira despesa do mês.

Esta página explica o que é CAPEX e OPEX, a diferença entre os dois, exemplos reais de cada um, como são tratados na contabilidade e na DRE, o impacto no caixa e no EBITDA, e como decidir entre comprar (CAPEX) e alugar ou assinar (OPEX). Há um exemplo numérico completo, uma tabela comparativa e os erros mais comuns em PMEs.

O que é CAPEX?

CAPEX vem da expressão inglesa capital expenditure, que significa despesa de capital ou investimento em capital. É todo desembolso para adquirir, construir, ampliar ou melhorar ativos que ficarão na empresa por mais de um exercício e vão ajudar a gerar receita no futuro.

A ideia central é o horizonte de tempo. Uma máquina comprada hoje vai produzir por dez anos. Por isso o gasto não é lançado todo de uma vez como despesa: ele entra no balanço como ativo e vai sendo apropriado ao resultado aos poucos, pela depreciação (para bens físicos) ou amortização (para intangíveis).

Exemplos de CAPEX

  • Compra de máquinas, equipamentos e veículos.
  • Aquisição ou construção de imóveis, galpões e lojas.
  • Reforma que amplia a capacidade ou prolonga a vida útil de um ativo.
  • Compra de computadores e servidores.
  • Desenvolvimento de software próprio ou compra de licença perpétua.
  • Compra de marcas, patentes e outros intangíveis.
  • Instalação de painéis solares na empresa.

O CAPEX é a base do orçamento de investimentos, parte do orçamento empresarial. Uma empresa que cresce precisa investir, e a pergunta não é se vai ter CAPEX, mas se o retorno compensa o desembolso.

O que é OPEX?

OPEX vem de operational expenditure, ou despesa operacional. É o gasto recorrente necessário para manter a operação rodando no dia a dia. Ele é consumido no próprio período em que ocorre e vai direto para a DRE como custo ou despesa, reduzindo o resultado do mês.

Exemplos de OPEX

  • Salários, encargos e benefícios.
  • Aluguel, condomínio e IPTU do imóvel alugado.
  • Energia, água, internet e telefone.
  • Marketing e publicidade.
  • Assinaturas de software (SaaS) e serviços em nuvem.
  • Manutenção corrente e reparos que apenas mantêm o ativo funcionando.
  • Matéria-prima, insumos e frete.
  • Honorários de contador, advogado e consultoria.

Boa parte do OPEX se classifica como custo ou despesa fixa e variável. Se essa separação ainda não está clara, leia sobre custo fixo e custo variável.

Qual a diferença entre CAPEX e OPEX?

CAPEX é investimento em ativos de longo prazo e entra no balanço. OPEX é gasto de operação e entra na DRE no mês. A tabela resume os pontos principais:

CritérioCAPEXOPEX
SignificadoDespesa de capital (investimento)Despesa operacional (manutenção da operação)
NaturezaCompra ou melhoria de bens duráveisGasto recorrente do dia a dia
BenefícioVários anosPeríodo corrente
Tratamento contábilAtivo no balanço (imobilizado ou intangível)Custo ou despesa na DRE
Efeito no resultadoGradual, via depreciação ou amortizaçãoImediato, no mês em que ocorre
Efeito no caixaGrande saída de uma vez (ou parcelas)Saídas regulares e previsíveis
Efeito no EBITDANão reduz (depreciação fica de fora)Reduz
FlexibilidadeBaixa, o compromisso é longoAlta, dá para cortar ou renegociar
ExemplosMáquina, imóvel, sistema próprioSalário, aluguel, assinatura

Uma regra prática para classificar: pergunte se o gasto cria ou amplia um ativo que vai durar mais de um ano, ou se apenas mantém o que já existe. Criou ou ampliou, é CAPEX. Manteve, é OPEX. Para o quadro geral, veja a diferença entre custo e despesa, gasto e investimento.

Como saber se uma manutenção é CAPEX ou OPEX

Esta é a dúvida mais comum. Trocar o óleo de um caminhão é OPEX: mantém o ativo funcionando. Trocar o motor inteiro por um novo, que prolonga a vida útil do veículo, tende a ser CAPEX. O critério é o ganho de capacidade, de eficiência ou de vida útil. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis trata disso no CPC 27 (Ativo Imobilizado): o gasto posterior só é capitalizado quando gera benefício econômico futuro adicional, caso contrário vai para o resultado. Em caso de dúvida, confirme com o contador.

Como o CAPEX e o OPEX aparecem na contabilidade?

Tratamento do CAPEX

O CAPEX é registrado no ativo não circulante, como imobilizado (bens físicos, regidos pelo CPC 27) ou intangível (CPC 04). Ao longo da vida útil, parte do valor vai para a DRE como depreciação ou amortização. O caixa sai por inteiro na compra (ou em parcelas), mas o resultado contábil sente só uma fatia por período.

Fórmula: Depreciação anual (método linear) = (Valor do bem - Valor residual) / Vida útil em anos

Tratamento do OPEX

O OPEX é lançado como custo ou despesa na DRE no período em que ocorre (regime de competência). O efeito no resultado e no caixa tende a coincidir no tempo, com diferenças apenas de prazo de pagamento. Para entender essa distinção entre o que pesa no resultado e o que pesa no caixa, veja regime de caixa e regime de competência.

Arrendamento e locação

Aluguel de longo prazo de equipamentos e imóveis tem regra própria. Pelo CPC 06 (R2), alinhado ao IFRS 16, muitos arrendamentos passam a ser reconhecidos no balanço, com um ativo de direito de uso e um passivo de arrendamento, o que aproxima a locação do tratamento de CAPEX nas empresas obrigadas a seguir a norma. Contratos curtos e de baixo valor podem continuar como despesa. Nas PMEs, o enquadramento depende do regime contábil adotado, e vale conversar com o contador.

Qual o impacto de CAPEX e OPEX no fluxo de caixa e no EBITDA?

É aqui que a diferença tem efeito prático na gestão.

Fluxo de caixa

O CAPEX pesa no caixa de investimento: uma saída grande, concentrada, em geral sem receita imediata correspondente. O OPEX pesa no caixa operacional, mês a mês. Uma empresa pode ser lucrativa e ficar sem caixa porque comprou um ativo à vista. Veja como cada saída aparece no fluxo de caixa e como projetá-las no fluxo de caixa projetado.

EBITDA

O EBITDA é o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Como o CAPEX vira depreciação, ele não reduz o EBITDA; o OPEX reduz. Isso cria uma armadilha: comprar em vez de alugar melhora o EBITDA, mas não melhora o caixa. Quem analisa a empresa só pelo EBITDA pode achar que ela é mais rentável do que é. Por isso se usa também o fluxo de caixa livre, que desconta o CAPEX. Detalhes em o que é EBITDA e por que ele não é caixa.

Fórmula: Fluxo de caixa livre = Caixa operacional - CAPEX

DRE e capital de giro

Na DRE, o OPEX aparece inteiro; o CAPEX aparece só pela depreciação. Já o CAPEX financiado pode consumir o capital de giro se a empresa usa dinheiro do dia a dia para pagar um ativo de longo prazo. Regra de ouro: financiar ativo de longo prazo com recurso de longo prazo.

Exemplo prático de CAPEX e OPEX: comprar ou alugar?

Imagine uma gráfica fictícia que precisa de uma nova impressora industrial. Ela tem duas opções.

Opção A: comprar (CAPEX)

  • Preço da máquina: R$ 600.000, pago à vista.
  • Vida útil: 10 anos, valor residual de R$ 0.
  • Manutenção anual: R$ 24.000 (OPEX).

Opção B: alugar (OPEX)

  • Aluguel mensal: R$ 9.500, incluindo manutenção.
  • Contrato de 5 anos, sem desembolso inicial.

Passo a passo

  1. Depreciação anual da compra: R$ 600.000 / 10 = R$ 60.000 por ano.
  2. Custo anual no resultado (compra): R$ 60.000 de depreciação + R$ 24.000 de manutenção = R$ 84.000.
  3. Custo anual no resultado (aluguel): R$ 9.500 x 12 = R$ 114.000.
  4. Saída de caixa no ano 1 (compra): R$ 600.000 + R$ 24.000 = R$ 624.000.
  5. Saída de caixa no ano 1 (aluguel): R$ 114.000.
  6. Saída de caixa acumulada em 5 anos (compra): R$ 600.000 + 5 x R$ 24.000 = R$ 720.000.
  7. Saída de caixa acumulada em 5 anos (aluguel): 5 x R$ 114.000 = R$ 570.000.
Comparação (R$)Comprar (CAPEX)Alugar (OPEX)
Caixa no ano 1624.000114.000
Custo anual no resultado84.000114.000
Caixa acumulado em 5 anos720.000570.000
Efeito no EBITDA (por ano)-24.000-114.000
Fica com o ativo no fim?Sim (ainda com 5 anos de vida útil)Não

Como ler: em 5 anos, o aluguel custa R$ 150 mil a menos em caixa, e o EBITDA da compra parece melhor, pois só leva a manutenção. Mas a gráfica que compra tem um ativo com mais cinco anos de uso, cujo valor de mercado conta a favor da compra. Se ela produz até o décimo ano, a conta se inverte: a compra custa R$ 840.000 em caixa (R$ 600.000 + 10 x R$ 24.000) contra R$ 1.140.000 do aluguel mantido por 10 anos. O ponto que decide é o horizonte de uso, o custo do dinheiro e a folga de caixa. Essa decisão deve ser avaliada pelo retorno do investimento, não pela intuição. Um estudo de viabilidade econômica organiza essa análise.

Quando vale mais a pena CAPEX ou OPEX?

Não existe resposta universal. Compare estes fatores:

Quando o CAPEX tende a compensar

  • O bem será usado por muitos anos e com intensidade.
  • A empresa tem caixa ou acesso a crédito barato de longo prazo.
  • O ativo é estratégico e dá vantagem competitiva.
  • O custo total de alugar ao longo da vida do bem supera o de comprar.

Quando o OPEX tende a compensar

  • O caixa está apertado e a empresa precisa preservar capital de giro.
  • A tecnologia muda rápido e o bem pode ficar obsoleto (equipamentos de TI, software).
  • A demanda é incerta e a empresa quer flexibilidade para reduzir.
  • O fornecedor assume manutenção e atualização.

É por isso que tanta empresa trocou licenças de software perpétuas por assinaturas em nuvem: o CAPEX virou OPEX, o desembolso inicial caiu e o custo passou a ser mensal e previsível. A contrapartida é que o gasto nunca termina.

Como medir o retorno de um CAPEX

Antes de aprovar um investimento, calcule o retorno. Os métodos mais usados são payback (em quanto tempo o investimento se paga), valor presente líquido e taxa interna de retorno. O raciocínio é o mesmo usado em valuation: trazer os fluxos futuros a valor presente, descontados pelo custo do capital.

Fórmula: Payback simples = Investimento inicial / Ganho anual do investimento

Exemplo: se a nova impressora gera R$ 150.000 por ano de resultado adicional, o payback simples é R$ 600.000 / R$ 150.000 = 4 anos.

Como CAPEX e OPEX funcionam na rotina de uma PME

Em PMEs, o problema raramente é a teoria. É a organização. Algumas práticas simples:

  • Tenha uma política de capitalização. Defina com o contador o valor mínimo e a vida útil a partir dos quais um gasto vira ativo. Sem isso, cada lançamento é decidido na hora.
  • Separe investimento de despesa no plano de contas. Facilita o fechamento e o acompanhamento do orçamento.
  • Inclua o CAPEX no orçamento anual. Investimento não planejado é a causa mais comum de aperto de caixa.
  • Acompanhe o OPEX como percentual da receita. Mostra se a estrutura cresce mais rápido que a empresa.
  • Leve o CAPEX aos relatórios do mês. O pacote de relatórios gerenciais deve mostrar investimentos realizados contra os planejados.
  • Revise contratos de OPEX recorrente. Assinaturas e serviços esquecidos viram custo fixo permanente.

Esse trabalho de classificar, conciliar e fechar o mês com critério é rotina de controladoria financeira, e é onde a maioria das PMEs acumula atraso e erro. Quando o lançamento entra na categoria errada, o relatório do mês mente sobre o resultado e o caixa, e a decisão de investir fica no escuro. Uma boa regra é revisar, a cada fechamento, todo lançamento acima de um valor combinado e confirmar se ele é ativo ou despesa. Para acompanhar esses números sem depender de planilhas soltas, uma lista de indicadores financeiros e um painel de gestão ajudam a enxergar o que cresce e o que não retorna.

Quais os erros mais comuns com CAPEX e OPEX?

  1. Classificar tudo como despesa. A empresa deixa de ter ativo registrado, perde a depreciação correta e distorce o resultado.
  2. Capitalizar despesa para inflar o lucro. Transformar gasto corrente em ativo melhora o resultado só no papel e gera risco fiscal e contábil.
  3. Comprar ativo com dinheiro do capital de giro. O lucro existe, mas o caixa do mês falta para pagar fornecedores.
  4. Olhar só o EBITDA. O CAPEX fica invisível e a rentabilidade parece maior que o caixa real.
  5. Não prever manutenção. Ativo comprado gera OPEX de manutenção, seguro e energia. O custo total de propriedade é maior que o preço da compra.
  6. Ignorar o custo de oportunidade. O dinheiro parado em um ativo poderia estar em estoque, em marketing ou em dívida cara quitada.
  7. Decidir sem calcular retorno. Investimento sem payback ou VPL estimado é aposta.
Falar com um especialista da BGP

Como a BGP ajuda a controlar investimentos e despesas

Separar CAPEX de OPEX, projetar o impacto no caixa e comparar o realizado com o orçado exige rotina financeira organizada. Na Controladoria da BGP, o time opera o financeiro do cliente: classifica os lançamentos, mantém o plano de contas, fecha o mês e entrega os relatórios com o efeito dos investimentos no resultado e no caixa. Para projetos pontuais, como avaliar um grande investimento ou a viabilidade de uma expansão, a frente On Demand atende com diagnósticos e projetos sob medida.

Se a sua dúvida é se o fechamento da empresa está pronto para sustentar decisões de investimento, comece conhecendo o que faz uma controladoria e como a Controladoria da BGP funciona na prática.

Perguntas frequentes sobre CAPEX e OPEX

O que é CAPEX?

CAPEX é a sigla de capital expenditure: o dinheiro gasto para comprar, construir ou melhorar bens duráveis, como máquinas, imóveis e sistemas. Esse gasto é registrado como ativo no balanço e se transforma em despesa aos poucos, pela depreciação ou amortização.

O que é OPEX?

OPEX é a sigla de operational expenditure, ou despesa operacional. Reúne os gastos recorrentes para manter a empresa funcionando, como salários, aluguel, energia, marketing e assinaturas. Ele vai direto para a DRE no mês em que ocorre, reduzindo o resultado.

Qual a diferença entre CAPEX e OPEX?

CAPEX é investimento em ativos de longo prazo, contabilizado no balanço e apropriado ao longo dos anos. OPEX é gasto de operação, lançado na DRE do próprio mês. O primeiro pesa no caixa de uma vez; o segundo pesa de forma regular.

CAPEX entra no EBITDA?

Não diretamente. O CAPEX vira depreciação e amortização, que ficam de fora do EBITDA, então o EBITDA não é reduzido por ele. O OPEX reduz o EBITDA. Por isso, para avaliar a geração real de caixa, deve-se olhar também o fluxo de caixa livre, que desconta o CAPEX.

Aluguel é CAPEX ou OPEX?

Em geral, aluguel é OPEX, pois é um gasto recorrente. Em arrendamentos de longo prazo, a norma contábil (CPC 06, equivalente ao IFRS 16) pode exigir o reconhecimento de um ativo de direito de uso, aproximando o tratamento do CAPEX. Confirme o enquadramento com seu contador.

Software e assinatura em nuvem são CAPEX ou OPEX?

Assinaturas de SaaS e nuvem são OPEX, pois são pagas periodicamente. Licença perpétua comprada de uma vez e software desenvolvido internamente, quando atendem aos critérios contábeis, podem ser CAPEX e registrados como intangível, com amortização ao longo do tempo.

Manutenção é CAPEX ou OPEX?

Manutenção corrente, que apenas mantém o ativo funcionando, é OPEX. Reformas e trocas que ampliam a capacidade, aumentam a eficiência ou prolongam a vida útil do ativo costumam ser CAPEX. O critério é o benefício econômico futuro adicional.

Vale mais a pena comprar (CAPEX) ou alugar (OPEX)?

Depende do horizonte de uso, do custo do dinheiro e do caixa disponível. Comprar tende a compensar para bens usados por muitos anos; alugar preserva caixa e flexibilidade. Compare o custo total no prazo de uso, e não apenas a parcela mensal.

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