Conversar no WhatsApp
20 de abril de 2023 · 10 min de leitura

Revisado por Vítor Bertuzzi, CIO da BGP

Indicadores econômicos: o que são e como afetam a sua PME

Indicadores econômicos: o que são e como afetam a sua PME

Indicadores econômicos são dados estatísticos que medem a saúde da economia: produção, preços, juros e câmbio. Para o dono de PME, os cinco que mais mexem no caixa são Selic, IPCA, IGP-M, câmbio e PIB, porque definem o custo do dinheiro, o reajuste de contratos e o preço de insumos.

Guia completo do tema: Indicadores financeiros: os principais, fórmulas e como acompanhar (liquidez, rentabilidade, endividamento e atividade)

Eles não substituem os números da sua empresa. Servem de moldura para lê-los. Para a parte interna, com liquidez, margem e endividamento, veja o guia de indicadores financeiros. Aqui o foco é o que acontece fora da porta e como isso chega ao seu fluxo de caixa.

O que são indicadores econômicos e por que o dono de PME deveria acompanhar?

Um indicador econômico é uma medida periódica, divulgada por um órgão oficial ou instituição de pesquisa, que resume um pedaço da economia. O IBGE mede inflação e produção. O Banco Central define os juros e divulga o câmbio. A FGV calcula índices de preços usados em contratos.

Na prática, eles afetam a sua empresa por quatro caminhos:

  • Custo do dinheiro: juros de empréstimo, desconto de recebíveis e rendimento do caixa parado.
  • Custos e preços: inflação nos insumos, na folha e nos aluguéis.
  • Contratos: reajustes atrelados a um índice, seja de cliente, seja de fornecedor.
  • Demanda: quando a economia aquece ou esfria, o cliente compra mais ou menos.

Quem acompanha esses números não prevê o futuro. Apenas chega ao orçamento do ano com premissas explícitas, em vez de números chutados.

Quais são os principais indicadores econômicos do Brasil?

A tabela resume os sete mais usados, quem os divulga e onde cada um pesa no dia a dia de uma empresa.

IndicadorO que medeQuem divulgaOnde pesa na PME
PIBTudo que o país produz em bens e serviços finaisIBGERitmo da demanda e do crédito
SelicTaxa básica de jurosBanco Central (Copom)Custo de dívida e rendimento do caixa
IPCAInflação oficial ao consumidorIBGECustos, preços e metas de reajuste
INPCInflação para famílias de menor rendaIBGEReajuste de salários e pisos
IGP-MInflação de preços no atacado, na construção e no consumidorFGV IBREReajuste de aluguel e contratos
TRTaxa de referência de correção de saldosBanco CentralFinanciamentos e FGTS
DólarPreço da moeda americana em reaisBanco Central (PTAX)Insumos importados e exportação

O que a Selic muda no caixa da minha empresa?

A Selic é a taxa básica de juros. O Copom, comitê do Banco Central, a define em reuniões a cada cerca de seis semanas, ao longo do ano. Ela serve de referência para praticamente todas as outras taxas da economia, de empréstimo, financiamento e aplicação.

O raciocínio do Banco Central é simples. Juros mais altos encarecem o crédito, o consumo esfria e a inflação desacelera. Juros mais baixos fazem o contrário.

Para a PME, há dois efeitos diretos. O primeiro é a dívida: empréstimos e capital de giro com taxa pós-fixada, ligada ao CDI (que acompanha a Selic de perto), ficam mais caros quando ela sobe. O segundo é o caixa: com Selic alta, deixar dinheiro parado na conta corrente custa caro e o rendimento de aplicações de curto prazo sobe.

Exemplo numérico: dívida pós-fixada

A Padaria Modelo, empresa fictícia, tem R$ 200.000 de dívida de capital de giro a CDI mais 3% ao ano. Suponha que o CDI suba de 10% para 12% ao ano e o saldo se mantenha. A taxa total passa de 13% para 15%: o custo anual vai de R$ 26.000 para R$ 30.000. São R$ 4.000 a mais por ano, ou cerca de R$ 333 por mês, que saem do caixa sem que a padaria venda um pão a mais.

Para refazer essa conta com seus contratos, use a matemática financeira básica. E, para decidir entre pagar dívida e manter caixa, o texto sobre gestão de dívidas e empréstimos ajuda.

Qual a diferença entre IPCA, INPC e IGP-M?

Os três medem inflação, mas olham para cestas de preços diferentes. Isso importa porque cada contrato da empresa costuma citar um deles.

IPCA

É a inflação oficial do país, apurada pelo IBGE todo mês. Cobre famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos nas áreas urbanas. É o índice usado pelo governo na meta de inflação, e muitas empresas o adotam como referência para reajustar preços e contratos.

INPC

Também do IBGE, mas focado em famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Pesa mais em alimentos, transporte e itens básicos. É muito usado em reajustes salariais e acordos coletivos, por refletir o poder de compra de quem ganha menos.

IGP-M

Calculado pela FGV IBRE, mede a variação de preços do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência. Mistura preços no atacado, na construção civil e no consumidor. Por isso é mais sensível a câmbio e a commodities do que o IPCA. É o índice clássico de reajuste de aluguel comercial e de contratos de serviços.

Isso tem uma consequência prática. Quando o dólar dispara, o IGP-M tende a subir mais que o IPCA, e um aluguel atrelado a ele pode ficar bem acima da inflação do seu cliente. Nessa hora vale renegociar o índice. Muitos contratos novos já usam o IPCA ou um percentual fixo.

Exemplo numérico: aluguel atrelado ao IGP-M

A Clínica Exemplo, empresa fictícia, paga R$ 10.000 de aluguel por mês, reajustado pelo IGP-M. Se o acumulado de 12 meses for 8%, o novo aluguel será R$ 10.800. Se o contrato usasse um IPCA de 5%, seria R$ 10.500. A diferença é de R$ 300 por mês, ou R$ 3.600 por ano, só pela escolha do índice.

Leia também: CAC, LTV e Margem de Contribuição: A Tríade que Todo Board Deveria Ver em Tempo Real

Como o dólar afeta uma empresa que não exporta?

O câmbio é flutuante: quem define a cotação é a oferta e a demanda, não o governo. Mesmo sem exportar nem importar diretamente, a empresa sente o dólar em três lugares: insumos e equipamentos com preço dolarizado, combustível e frete, e softwares e assinaturas cobrados em dólar.

Dólar alto pressiona custos de quem importa e ajuda quem exporta, porque a receita em dólar rende mais reais. Dólar baixo faz o oposto.

Exemplo numérico: insumo importado

A Indústria Exemplo, empresa fictícia, compra US$ 20.000 por mês em componentes. Com o dólar a R$ 5,00, o gasto é R$ 100.000. Com o dólar a R$ 5,50, vai a R$ 110.000, ou seja, R$ 10.000 a mais por mês. Se a margem de contribuição dessa linha for apertada, o repasse ao preço deixa de ser opcional. Para calcular quanto repassar, use a margem de contribuição e a formação de preço de venda.

O que o PIB e a TR dizem para a minha empresa?

O PIB (Produto Interno Bruto) soma o valor dos bens e serviços finais produzidos no país. O IBGE o divulga a cada trimestre. Para a PME, a leitura útil é de direção: PIB crescendo costuma vir com mais consumo e mais crédito disponível. PIB caindo pede cautela com estoque, contratação e prazos.

Um exemplo histórico de queda forte: em 2020, a primeira divulgação do IBGE apontou recuo de 4,1% no PIB brasileiro, a maior queda da série iniciada em 1996. O número foi revisado depois, como acontece com o PIB, mas a lição continua: em ano de retração, a demanda some rápido. Empresas com caixa curto sofreram mais.

O PIB nacional, porém, não é o PIB do seu setor nem da sua cidade. Use-o como pano de fundo e confira as vendas, o ticket médio e a inadimplência da sua própria carteira.

Já a TR (Taxa Referencial) corrige saldos como o do FGTS e de parte dos financiamentos imobiliários. Para a maioria das PMEs, importa pouco no dia a dia, salvo se houver financiamento de imóvel ou de máquinas indexado a ela. Vale conferir o contrato.

Como usar os indicadores econômicos no orçamento da PME?

Indicador sozinho é notícia. Vira gestão quando entra no planejamento com uma premissa e um responsável. O caminho é este:

  1. Liste os contratos indexados: aluguel, fornecedores recorrentes, contratos de clientes e dívidas. Anote o índice e o mês de reajuste de cada um.
  2. Defina premissas do ano: inflação, juros e dólar esperados. Pode usar as projeções do boletim Focus do Banco Central como referência, sempre com a fonte anotada.
  3. Monte três cenários: base, otimista e pessimista, variando juros e câmbio.
  4. Meça o impacto no caixa: quanto cada premissa muda a despesa e a receita mês a mês.
  5. Revise a cada trimestre: compare a premissa com o que aconteceu e ajuste.

Esse processo é o coração do orçamento e forecast. O resultado deve alimentar o fluxo de caixa, para você ver em que mês o aperto vem, e a gestão do capital de giro.

Atenção ao calendário: a reforma tributária muda a carga de impostos ao longo dos próximos anos e entra como premissa própria no cálculo de preço e margem.

Quais erros mais comuns ao ler indicadores econômicos?

  • Trocar o índice do contrato: comparar com o IPCA um aluguel que reajusta pelo IGP-M e achar que o reajuste está errado.
  • Olhar um mês isolado: contratos usam acumulado de 12 meses. Um mês ruim não define nada.
  • Ignorar a inflação do seu setor: o IPCA médio pode estar em 4% enquanto o seu insumo subiu 15%.
  • Misturar nominal e real: faturamento que cresceu 6% com inflação de 5% quase não cresceu.
  • Reagir à manchete: mudar preço ou contrato por uma notícia, sem rodar a conta do seu caixa.
  • Deixar o dólar sem dono: ninguém acompanha a cotação e o custo importado entra no preço só meses depois.

Indicador econômico só ajuda quando está cruzado com o dado da empresa. O GO BI, da frente Analytics da BGP, conecta ao seu ERP e mostra caixa, DRE e margem num painel. Com isso, dá para enxergar quanto uma alta de juros ou do dólar pesa de fato nos seus números.

Na Controladoria, o time da BGP monta o orçamento com essas premissas e lê o resultado com a gestão todo mês, com plano de ação. Se quiser ver o painel, conheça o GO BI. Para estruturar a rotina por trás dele, comece pelos KPIs financeiros e pelo dashboard financeiro.

Falar com um especialista da BGP

Perguntas frequentes sobre indicadores econômicos

Qual a diferença entre indicador econômico e indicador financeiro?

Indicador econômico mede o ambiente externo, como juros, inflação, câmbio e PIB. Indicador financeiro mede a empresa por dentro, como liquidez, margem e endividamento. Um é o clima, o outro é a saúde do negócio. O gestor precisa dos dois para decidir.

Qual indicador econômico mais afeta uma PME?

Depende do negócio. Quem tem dívida pós-fixada sente mais a Selic. Quem tem aluguel e contratos indexados sente o IGP-M ou o IPCA. Quem importa insumos sente o dólar. O primeiro passo é listar quais contratos e custos da sua empresa dependem de cada índice.

Onde acompanhar os indicadores econômicos oficiais?

Nos sites das fontes: o IBGE divulga PIB, IPCA e INPC; o Banco Central publica Selic, câmbio e o boletim Focus; a FGV IBRE publica o IGP-M. Em geral, cada divulgação sai em calendário fixo, então vale marcar as datas na agenda financeira.

Posso trocar o índice de reajuste do meu contrato?

Em geral, sim, desde que as duas partes concordem e o novo índice conste em aditivo. Muitas empresas pedem a troca do IGP-M por IPCA quando o primeiro dispara. Leve a simulação em reais para a negociação e confirme os detalhes com o seu jurídico.

Com que frequência devo revisar as premissas econômicas do orçamento?

No mínimo a cada trimestre, e sempre que houver mudança relevante de juros ou câmbio. A revisão compara o que foi previsto com o realizado e atualiza o forecast. Revisar só uma vez no ano deixa o orçamento ultrapassado antes do meio do ano.

Continue lendo

Mais sobre o tema

Quer ver os números da sua empresa num painel?

Conte em poucas linhas o que a sua empresa precisa e um especialista da BGP retorna.

Mensagem enviada. A gente retorna em breve.