Porque Rússia x Ucrânia não é novidade

Rússia x Ucrânia: entenda "guerra híbrida"; que ucranianos acusam Putin de promover uso de mecanismos como insurgência, migração ou uso de desinformação são considerados parte das estratégias de combate de uma guerra híbrida. Manchetes como essa denunciam um problema emergente e que teremos que lidar nos próximos tempos. Isso nos faz lembrar um assunto que estava um pouco esquecido, mas é extremamente importante para a macroeconomia mundial: a guerra do petróleo.


A riqueza do petróleo pode melhorar a situação econômica do país, como é o caso da Noruega, bem como, tornar o país altamente dependente desse recurso, como é o caso da Venezuela, voltada para trocas comerciais. Essa é a razão pela qual o problema de suprimento de petróleo é uma questão de relevância geopolítica. De modo geral, trata-se de um bem não consumido nos países que o produzem. Paradoxalmente, o petróleo é a principal fonte de energia de diversos países no mundo, mas também é uma das maiores causas de conflitos, corrupção e desigualdade.


Historicamente, a América Latina esteve no papel de “periferia” no cenário econômico mundial, dentre outros motivos, por conta da exportação de matérias primas para o “centro” desenvolvido. A economia do petróleo nos países da América Latina sempre permeou, paradoxalmente, o subdesenvolvimento dos países, tendo, no final do século XX, mudado sua trajetória para um desenvolvimento de inovação e tecnologia nesse setor. A revolução neoliberal da década de 1990 modificou o papel da economia petrolífera em alguns países latino-americanos, como Brasil, México e Venezuela. A expectativa era, ainda que de forma lenta, que nesse processo as receitas advindas do petróleo gerassem um desenvolvimento econômico na região, diferente do ciclo anterior de exportação de minerais. Porém, o que se identificou nos últimos anos foi o contrário: ainda que haja lucros extraordinários no setor petrolífero, a América Latina continuou na condição de subdesenvolvimento, apresentando sintomas da chamada “maldição dos recursos” ou da desindustrialização da doença holandesa. Esse problema não resolvido no continente fez com que a AL dependesse significativamente das importações e apresentasse baixos valores de independência econômica.



Ainda que países abundantes de recursos naturais sejam poderosas e ricas nações, em países com instituições fracas pode-se causar instabilidade e dependência na economia. Dessa forma, acredita-se que recursos naturais são um problema para o desenvolvimento das economias.


Essa teoria foi bastante difundida, embora ainda deixe algumas lacunas e apresente muitas exceções. Analisando a trajetória econômica dos países latino- americanos ricos em recursos naturais, observa-se que há outros fatores institucionais influenciadores dessa trajetória, como fatores históricos, institucionais e políticos.

Portanto a afirmação de que o petróleo é uma “maldição” e pode ser pior em determinadas economias por outros problemas.


A série de textos pretende problematizar a existência da chamada maldição do petróleo em determinados países do continente americano e analisar como ela afeta o desenvolvimento da América Latina. A alta quantidade de recursos naturais traz vantagens comparativas para o país que os exploram, fazendo com que se especializem

na produção desses recursos e passem a não investir na industrialização e em formas de diversificar sua estrutura produtiva. Para tanto, a série pretende usar a América Latina como foco de estudo, pois essa é uma das regiões mais desiguais do mundo, onde estão 10 dos 15 países com maior diferença entre ricos e pobres.

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