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27 de abril de 2023 · 10 min de leitura

Revisado por Vítor Bertuzzi, CIO da BGP

Gestão imobiliária: como aumentar a rentabilidade do seu patrimônio

Gestão imobiliária: como aumentar a rentabilidade do seu patrimônio

Para aumentar a rentabilidade de um patrimônio imobiliário, meça o que cada imóvel rende de verdade: aluguel recebido menos vacância, impostos, manutenção e administração, dividido pelo valor do imóvel. Esse número, a rentabilidade, mostra quais imóveis manter, ajustar ou vender.

Guia completo do tema: Lucratividade e rentabilidade: o que são, diferenças, fórmulas e como melhorar

O que significa aumentar a rentabilidade na gestão imobiliária?

Gestão imobiliária é o conjunto de decisões que mantém os imóveis do patrimônio rendendo e valorizando: quem aluga, por quanto, quando reformar, quando comprar e quando vender. Não é só cobrar o aluguel em dia.

O retorno de um imóvel vem de duas fontes. A primeira é a renda, o aluguel que entra todo mês. A segunda é a valorização, a diferença entre o que você pagou e o que o imóvel vale quando for vendido. Quem olha só uma das duas costuma tomar decisão ruim.

Para o dono de PME, isso importa por um motivo prático. Muitos empresários guardam parte do patrimônio em imóveis: a sede do negócio, salas alugadas, terrenos, apartamentos em nome da família. Se esse dinheiro rende menos do que poderia, ele deixa de alimentar a empresa ou a reserva da família.

Antes de qualquer estratégia, vale conhecer a diferença entre lucratividade e rentabilidade, e saber que a rentabilidade é sempre medida sobre o capital investido, no caso o valor do imóvel.

Quanto um imóvel alugado rende de verdade?

O número que o corretor ou o inquilino mostram é o rendimento bruto: aluguel do ano dividido pelo valor do imóvel. O número que importa é o líquido, depois de todos os custos de ter o imóvel. A diferença costuma surpreender.

Veja um exemplo fictício, só para ilustrar a conta. Uma sala comercial vale R$ 800.000 e está alugada por R$ 4.000 por mês. O proprietário passa um mês por ano sem inquilino e paga administração de 8% sobre o aluguel recebido.

Item (por ano)Valor
Aluguel contratado (12 x R$ 4.000)R$ 48.000
Vacância (1 mês sem inquilino)- R$ 4.000
Aluguel efetivamente recebidoR$ 44.000
IPTU- R$ 3.600
Manutenção- R$ 2.400
Administração (8% de R$ 44.000)- R$ 3.520
Seguro- R$ 600
Resultado líquido, antes do imposto de rendaR$ 33.880

O rendimento bruto é de 6,0% ao ano (R$ 48.000 sobre R$ 800.000). O líquido é de 4,24% (R$ 33.880 sobre R$ 800.000). Quase dois pontos percentuais ficaram pelo caminho, e o imposto de renda sobre o aluguel ainda não entrou na conta.

Se esse imóvel valorizar 4% no ano, são mais R$ 32.000 no patrimônio, e o retorno total sobe para cerca de 8,2%. Mas esse ganho só vira dinheiro na venda, e a valorização é uma hipótese, não uma garantia.

Para comparar com outras aplicações, use sempre o líquido. A lógica é a mesma dos indicadores de retorno sobre investimento, que você encontra em ROI, ROE e ROIC.

Priorizar renda de aluguel ou valorização do imóvel?

Depende do objetivo do patrimônio e do prazo. Os dois caminhos funcionam, mas pedem decisões diferentes.

Quando a renda faz mais sentido

Imóveis para locação geram um fluxo de caixa recorrente. Esse dinheiro pode pagar despesas da família, cobrir um período fraco da empresa ou ser reinvestido em novos ativos, o que acelera o crescimento do patrimônio. Quem precisa de previsibilidade tende a preferir a renda.

O ponto de atenção é a vacância e a inadimplência. Um imóvel com bom aluguel no papel e dois meses por ano parado rende bem menos do que parece, como a tabela acima mostrou.

Quando a valorização faz mais sentido

Comprar abaixo do preço de mercado, ou investir em imóveis desvalorizados com potencial claro de recuperação, pode gerar ganho de capital relevante. É uma estratégia mais lenta e mais incerta. Exige paciência e dinheiro que você não vai precisar no curto prazo.

Uma boa regra: nunca aposte em valorização com capital que a empresa ou a família podem precisar nos próximos anos. Imóvel demora para virar caixa.

Para comparar a compra de um imóvel com outra alternativa de investimento, o caminho é trazer todos os fluxos a valor presente. A página sobre VPL explica como fazer, e o payback mostra em quanto tempo o desembolso inicial volta.

Como escolher e reavaliar os imóveis da carteira?

A escolha começa antes da compra, mas a reavaliação deve ser anual. Um imóvel que era bom há cinco anos pode ter virado um problema porque a região mudou, o contrato ficou defasado ou a manutenção passou a custar mais.

Use esta lista para cada imóvel da carteira:

  • Localização: o entorno está valorizando, estagnado ou perdendo demanda?
  • Preço de entrada: quanto foi pago em relação ao valor de mercado na época e quanto vale hoje?
  • Rendimento líquido: qual o percentual real depois de vacância, IPTU, manutenção e administração?
  • Contrato: o reajuste acompanha o mercado ou o aluguel está abaixo do que a região paga? Confira também o índice do contrato (IGP-M ou IPCA), explicado em indicadores econômicos.
  • Estado do imóvel: há reforma pendente que vai exigir caixa nos próximos 12 meses?
  • Liquidez: se precisar vender, quanto tempo e que desconto são realistas?
  • Concentração: quanto do patrimônio total está neste único imóvel ou nesta única região?

O resultado é uma comparação honesta entre os imóveis. Aquele que rende 2% líquido enquanto outro da mesma carteira rende 5% merece uma decisão: renegociar o aluguel, reformar, trocar de uso ou vender e realocar o dinheiro. Para enxergar como o setor muda, de cidades planejadas a polos verticais, veja o texto sobre novo real estate.

Esses imóveis também aparecem no balanço. Os que a empresa usa na operação entram como ativo imobilizado e sofrem depreciação, o que muda o resultado contábil e o controle do bem.

Quais riscos reduzem a rentabilidade do patrimônio imobiliário?

Imóvel é visto como investimento seguro, mas seguro não é o mesmo que garantido. O valor investido nem sempre cresce, e alguns riscos aparecem só quando você tenta vender ou quando o imóvel fica vazio.

  • Baixa liquidez: converter o imóvel em dinheiro leva meses, às vezes mais de um ano. Quem precisa vender com pressa aceita desconto.
  • Vacância: cada mês sem inquilino é aluguel perdido, com IPTU e condomínio ainda correndo.
  • Inadimplência do inquilino: além do aluguel não recebido, há o custo e o tempo de recuperar o imóvel.
  • Concentração: patrimônio inteiro em um imóvel, um bairro ou um único inquilino.
  • Custos de manutenção e reforma: crescem com a idade do imóvel e costumam vir de uma vez.
  • Risco de decisão por impulso: comprar ou vender por ansiedade, sem comparar com outras alternativas.

Para tratar esses riscos de forma sistemática, e não só quando o problema aparece, veja o guia de gestão de riscos financeiros.

Imóvel no CPF, na empresa ou em uma holding?

Essa pergunta é frequente entre donos de PME, e a resposta muda a tributação, a proteção do patrimônio e a sucessão. Não existe uma estrutura certa para todos, e a decisão deve passar por um advogado e um contador.

O que dá para dizer do lado financeiro é que a estrutura precisa deixar o resultado de cada imóvel visível. Se o aluguel cai na conta pessoal do sócio e as despesas saem da conta da empresa, ninguém sabe quanto o imóvel rende de fato. Por isso, vale ler sobre como separar finanças pessoais e empresariais.

Quando o patrimônio cresce e envolve vários membros da família, as opções incluem a holding e, em patrimônios maiores, o family office. Cada uma tem custos e exigências próprias, que só compensam a partir de certo tamanho de patrimônio.

Quais são os erros mais comuns na gestão imobiliária?

  • Olhar só o aluguel bruto. O rendimento que importa é o líquido, depois de vacância, impostos, manutenção e administração.
  • Misturar o caixa do imóvel com o caixa da empresa ou da família. Sem separação, não há como medir nada.
  • Deixar o aluguel parado. Contrato sem reajuste ou revisão de preço faz o imóvel render cada vez menos em termos reais.
  • Esperar o imóvel quebrar para fazer manutenção. A reforma emergencial custa mais e ainda causa vacância.
  • Comprar pelo preço e ignorar a localização. Imóvel barato em região sem demanda vira imóvel difícil de alugar e de vender.
  • Concentrar tudo em imóveis. Um patrimônio com pouca liquidez fica exposto quando a empresa precisa de caixa.
  • Decidir por impulso. Compra e venda por pressa quase sempre sacrificam retorno.

Como acompanhar o patrimônio imobiliário na rotina de uma PME?

O acompanhamento não precisa ser sofisticado, mas precisa ser regular. Uma planilha por imóvel, atualizada todo mês, já resolve boa parte do problema.

  1. Cadastre cada imóvel com valor atual estimado, valor de compra, inquilino, contrato e data de reajuste.
  2. Registre todo mês o aluguel previsto e o recebido, mais cada custo ligado ao imóvel.
  3. Calcule o rendimento líquido de cada imóvel e da carteira, e compare com o mês e o ano anteriores.
  4. Projete o fluxo de caixa dos próximos 12 meses, incluindo reformas, IPTU e reajustes. O guia de fluxo de caixa mostra como estruturar a projeção.
  5. Revise a carteira uma vez por ano com a lista da seção anterior e decida: manter, ajustar ou vender.

Os resultados ficam mais fáceis de ler quando entram num painel com os demais indicadores financeiros do dono, e não numa planilha isolada.

A BGP não administra imóveis. O papel da Controladoria é organizar o lado financeiro de quem tem empresa e patrimônio: conciliar, projetar o caixa, montar o orçamento e ler os números com a gestão todo mês.

Na prática, o rendimento dos imóveis do sócio ou da holding pode entrar no fluxo de caixa projetado e nos relatórios do GO BI como uma linha própria, ao lado do resultado da empresa. O dono enxerga quanto cada ativo rende e quanto de caixa pode retirar sem apertar o negócio.

Se essa leitura ainda não existe na sua rotina, conheça a Controladoria da BGP.

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Perguntas frequentes sobre gestão imobiliária e rentabilidade

Qual é um bom rendimento de aluguel?

Depende da região, do tipo de imóvel e do período. O referencial correto é o rendimento líquido, depois de vacância, impostos e custos, comparado com o retorno de outras aplicações de risco semelhante. Se o líquido do imóvel for menor do que uma alternativa mais líquida, é preciso que a valorização compense.

Vale mais a pena vender ou continuar com o imóvel alugado?

Compare o rendimento líquido atual do imóvel com o que o dinheiro da venda, já descontados impostos e custos, renderia em outra aplicação. Considere também a perspectiva de valorização e o tempo que a venda leva. Se o imóvel rende pouco e não tem perspectiva de valorizar, vender e realocar tende a fazer sentido.

Quais custos entram no cálculo da rentabilidade de um imóvel?

Vacância, IPTU, condomínio quando o imóvel está vazio, manutenção, seguro, taxa de administração e comissão de locação. Imposto de renda sobre o aluguel e eventual ganho de capital na venda também reduzem o retorno, e variam conforme a estrutura do proprietário.

Imóvel é um investimento seguro?

É visto como seguro por ser um bem real, mas tem riscos: baixa liquidez, vacância, inadimplência, custos de manutenção e valorização incerta. O valor investido nem sempre cresce. Escolher bem a localização e não concentrar o patrimônio ajuda a reduzir a exposição.

Como separar o que é do imóvel e o que é da empresa?

Receba o aluguel numa conta específica e registre as despesas do imóvel nela, sem misturar com o caixa da empresa ou da família. Se houver uso do imóvel pela empresa, formalize com contrato de aluguel a preço de mercado. Um contador e um advogado ajudam a escolher a estrutura mais adequada.

Preciso de ajuda profissional para gerir meus imóveis?

Quando o patrimônio tem poucos imóveis e você tem tempo, dá para fazer sozinho com uma rotina de controle. Com vários imóveis, decisões de compra e venda ou estrutura societária, vale ter apoio especializado: imobiliária para a locação, contador e advogado para a estrutura, e controladoria para a leitura financeira.

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