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Os 4 métodos de valuation que todo dono de empresa precisa entender antes de sentar na mesa


Os 4 métodos de valuation que todo dono de empresa precisa entender antes de sentar na mesa


Antes de qualquer negociação — seja uma captação, uma venda parcial ou uma fusão — existe uma pergunta que define quem sai ganhando: quem escolheu o método de valuation e por quê?


O número que aparece no relatório não é neutro. Cada metodologia tem pressupostos que favorecem diferentes partes. Entender isso não é detalhe técnico — é vantagem de mesa.



1. Fluxo de Caixa Descontado (FCD)


O fluxo de caixa descontado é o método mais utilizado em transações estruturadas. A lógica: o valor da empresa hoje é a soma de todos os caixas futuros que ela vai gerar, trazidos a valor presente por uma taxa de desconto.


Quando favorece o vendedor: quando a empresa tem histórico sólido de crescimento e projeções críveis. Se o seu modelo de negócio tem recorrência e margens consistentes, o FCD captura o potencial que o balanço não mostra.


Quando prejudica: quando a empresa passa por um momento de resultado deprimido — reestruturação, investimento pesado, sazonalidade. As projeções ficam ancoradas num ponto ruim, e qualquer divergência de premissas (taxa de desconto, crescimento perpetuidade) derruba o número final.


O risco prático do FCD é que pequenas mudanças na taxa de desconto ou na taxa de crescimento na perpetuidade produzem variações enormes de valor. Uma empresa que vale R$ 50 milhões com WACC de 12% pode valer R$ 35 milhões com WACC de 15%. Quem define o WACC, define o valuation.



2. Múltiplos de Mercado


A avaliação por múltiplos de mercado compara sua empresa com transações recentes ou com empresas listadas no mesmo setor — usando indicadores como EV/EBITDA, P/L ou EV/Receita.


É o método preferido de fundos e compradores estratégicos porque ancora o valor em dados observáveis, reduzindo a margem de discussão sobre premissas.


Quando favorece o vendedor: quando o setor está aquecido e os múltiplos de referência estão altos. Em momentos de consolidação setorial, compradores estratégicos pagam prêmio — e os múltiplos capturam esse ambiente.


Quando prejudica: quando o comprador escolhe o peer group. Se ele seleciona empresas menores, menos lucrativas ou de mercados diferentes como comparáveis, o múltiplo cai — e o valor da sua empresa cai junto. A disputa pelo peer group é, frequentemente, a negociação real dentro da negociação.


Empresas fechadas também sofrem o chamado discount for lack of marketability — um desconto aplicado pelo comprador justamente porque sua empresa não tem liquidez de bolsa. Esse desconto varia de 15% a 35% dependendo do assessor.



3. Valuation por Ativos


O valuation por ativos calcula o valor da empresa a partir do patrimônio líquido ajustado — o que ela possui menos o que deve, com ativos reavaliados a valor de mercado.


É um piso de valor, não um teto. Indica quanto valeria liquidar a operação.


Quando favorece o vendedor: em empresas com ativos tangíveis relevantes — imóveis, maquinário, estoques valorizados. Se o ativo vale mais do que o negócio gera, esse método protege o preço mínimo.


Quando prejudica: em empresas de serviços, tecnologia ou qualquer negócio onde o valor está no intangível — carteira de clientes, marca, capacidade operacional, propriedade intelectual. Nesses casos, o valuation por ativos subavalia severamente a operação.


Compradores usam esse método quando querem depreciar o valor ou quando estão comprando em situação de stress. Se alguém trouxer valuation por ativos para uma empresa de alta recorrência, a resposta correta é mudar o método, não negociar o número.



4. Avaliação de Empresas Fechadas: o método de transações precedentes


Especialmente relevante na avaliação de empresas fechadas, esse método usa como referência transações reais já concluídas — M&As, captações — no mesmo setor e porte.


Diferente dos múltiplos de mercado baseados em empresas listadas, as transações precedentes já embutem prêmios de controle e o contexto de negociação privada. São dados mais próximos da realidade de quem vende uma empresa fechada.


Quando favorece o vendedor: quando existem transações recentes no setor com múltiplos altos — especialmente em ondas de consolidação onde compradores estratégicos pagaram prêmio. Trazer esses dados para a mesa muda o referencial do comprador.


Quando prejudica: quando o mercado está parado ou as transações disponíveis são de empresas em distress. Dados ruins de mercado viram argumento do outro lado.


O problema prático: transações privadas no Brasil têm pouca transparência. Construir uma base de comparáveis confiável exige acesso a dados que não estão no Google.



Como usar isso na prática


Nenhum método existe no vácuo. Em qualquer negociação séria, mais de um é aplicado — e o valor final emerge da tensão entre eles.


O que define quem controla essa tensão é simples: quem chega à mesa com o modelo pronto. Quem recebe o modelo do outro lado fica na posição de contestar, não de propor.


Empresários que chegam à negociação sem ter rodado seus próprios métodos de valuation empresarial estão, na prática, deixando o número ser definido pela outra parte.


Isso não é questão de desconfiança — é questão de preparo.



FAQ


Qual método de valuation é o mais aceito em negociações no Brasil?


O FCD e os múltiplos de mercado (especialmente EV/EBITDA) são os mais utilizados em transações estruturadas. Fundos de private equity tendem a usar múltiplos como ancoragem e FCD como validação. Em deals menores ou setores específicos, transações precedentes ganham relevância.


Como saber qual método favorece minha empresa?


Depende do perfil do negócio. Empresas com alta recorrência e crescimento consistente se beneficiam do FCD. Empresas em setores aquecidos ganham com múltiplos. Negócios com ativos tangíveis relevantes podem usar o valuation por ativos como piso. O ideal é rodar os três e entender onde o valor é maior — e por quê.


O comprador pode usar um método diferente do meu?


Sim, e isso é comum. A negociação do método é tão importante quanto a negociação do número. Se o comprador apresentar um método que sistematicamente subavalia seu tipo de negócio, discutir a metodologia antes do valor é a postura correta.


Empresa fechada vale menos do que uma aberta no mesmo setor?


Na prática, sim — compradores aplicam desconto por falta de liquidez (DLOM). Mas esse desconto é negociável e depende do quão estruturada e documentada está a operação. Uma empresa com governança, controladoria e dados auditáveis reduz esse desconto de forma significativa.


A BGP trabalha com empresários que querem chegar a essas negociações com o modelo na mão — não com dúvida sobre qual número defender. Se você está se preparando para uma transação ou quer entender o valor real do seu negócio, fale com a BGP.



 
 
 

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