Conversar no WhatsApp
Fernanda Brunisaki Bertuzzi 6 de outubro de 2026 · 15 min de leitura

Fusões e aquisições (M&A): o que são, tipos, etapas e como vender ou comprar uma empresa

Fusões e aquisições (M&A): o que são, tipos, etapas e como vender ou comprar uma empresa

Fusões e aquisições, ou M&A (mergers and acquisitions), são operações em que empresas se unem ou uma passa a ser controlada por outra. Na aquisição, uma empresa compra o controle de outra, que continua existindo ou é absorvida. Na fusão, duas ou mais empresas se juntam e formam uma nova. O processo inclui avaliação, negociação e fechamento.

Este guia explica a diferença entre fusão, aquisição e incorporação, os tipos de operação, as etapas do processo do começo ao fim, o papel do valuation no preço, um exemplo numérico de como o pagamento é estruturado e o que fazer para vender ou comprar uma empresa sem perder valor no caminho. A investigação do comprador (due diligence) tem guia próprio: due diligence.

O que são fusões e aquisições (M&A)?

M&A é o nome que o mercado dá ao conjunto de operações de reorganização do controle de empresas: compra, venda, fusão, incorporação, cisão e entrada de sócios. Na prática, quando alguém fala em "vender a empresa", "comprar um concorrente" ou "trazer um fundo como sócio", está falando de M&A.

Ao contrário do que parece, M&A não é coisa só de grandes empresas. PMEs vendem e compram negócios o tempo todo: sócios que querem se aposentar, empresas que querem ganhar escala comprando um concorrente, fundadores que levam um investidor para crescer. A diferença é que, numa PME, o resultado depende muito de preparação, porque os números costumam estar menos organizados.

Qual a diferença entre fusão, aquisição e incorporação?

Os termos são usados como sinônimos no dia a dia, mas têm significados distintos, inclusive na lei. A Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, arts. 227 a 229) define incorporação, fusão e cisão.

OperaçãoO que aconteceO que sobra depois
AquisiçãoUma empresa (ou investidor) compra o controle de outra, pagando aos sócios por cotas ou ações, ou compra ativos específicosA empresa comprada continua existindo, com novo controlador
FusãoDuas ou mais empresas se unem para formar uma nova, que assume direitos e obrigações das anterioresUma empresa nova; as originais deixam de existir
IncorporaçãoUma empresa absorve outra, que é extinta e passa a ser parte da primeiraA empresa incorporadora segue; a incorporada desaparece
CisãoUma empresa transfere parte do patrimônio para outra, existente ou novaDuas empresas (ou mais), cada uma com parte do patrimônio
Incorporação de açõesOs sócios de uma empresa trocam suas ações por ações de outra, que passa a controlá-laA empresa incorporada vira subsidiária
Joint ventureDuas empresas criam uma terceira para um negócio específico, dividindo capital e riscoAs duas originais e a nova

Em PMEs, a forma mais comum é a aquisição, seja de 100% do negócio, seja de uma participação relevante, com a entrada de um sócio estratégico ou financeiro.

Quais são os tipos de operação de M&A?

Além da forma jurídica, as operações se classificam pela lógica do negócio:

  • Horizontal: junção de concorrentes do mesmo setor, buscando escala, participação de mercado e redução de custos.
  • Vertical: compra de um fornecedor ou de um cliente na cadeia, para ganhar controle de custo, qualidade ou canal.
  • Conglomerado: compra de um negócio de outro setor, para diversificar.
  • Estratégica: quem compra é uma empresa do setor, atrás de sinergias (clientes, tecnologia, produtos, geografia). Costuma pagar mais, porque ganha com a integração.
  • Financeira: quem compra é um fundo (private equity) ou investidor, atrás de retorno financeiro, com saída planejada em alguns anos. Costuma exigir gestão profissional e números muito organizados.
  • Compra pela gestão (MBO): os próprios gestores compram o negócio dos donos.
  • Venda de participação minoritária: o fundador vende parte da empresa e segue no comando, como forma de capitalizar o negócio.

Escolher o tipo certo para o seu objetivo muda o preço, o prazo e o que acontece com os sócios depois. Se o objetivo é sair 100% e se aposentar, o caminho é diferente do de quem quer um sócio para crescer.

Por que as empresas fazem fusões e aquisições?

As motivações mais comuns, do lado de quem compra e de quem vende:

  • Ganhar escala e poder de compra ao juntar operações.
  • Entrar em novos mercados ou regiões sem construir do zero.
  • Adquirir tecnologia, marca, carteira de clientes ou equipe.
  • Sinergias: eliminar custos duplicados (administrativo, logística, tecnologia) e vender mais usando a estrutura combinada.
  • Sucessão e liquidez: sócios que querem transformar anos de trabalho em dinheiro.
  • Capital para crescer: trazer investidor para acelerar o que o caixa próprio não alcança.
  • Reorganização: separar negócios, resolver conflito entre sócios ou profissionalizar a gestão.

Quais são as etapas de um processo de M&A?

Cada operação tem suas particularidades, mas o roteiro é parecido. Do lado de quem vende, o processo costuma seguir estas etapas:

  1. Definição de objetivo e estratégia. Vender tudo ou parte? Quando? Por quanto, no mínimo? O que fica depois (os sócios saem ou ficam)? Sem isso, o processo anda sem direção.
  2. Preparação da empresa. Organização financeira, contábil, jurídica e fiscal; DRE gerencial, EBITDA normalizado, mapeamento de contingências. É a etapa que mais influencia o preço final.
  3. Valuation. Cálculo do valor da empresa e de uma faixa de negociação, pelo fluxo de caixa descontado e por múltiplos (veja a próxima seção).
  4. Material de apresentação. Um resumo anônimo da empresa (teaser) e um memorando com informações completas, entregues apenas após assinatura do NDA.
  5. Busca e abordagem de interessados. Concorrentes, empresas de setores adjacentes, fundos, investidores. Quanto mais interessados, maior a chance de competição por preço.
  6. Propostas não vinculantes e apresentações. Interessados enviam uma proposta inicial de preço e estrutura; os melhores visitam a empresa e conversam com a gestão.
  7. Carta de intenções (term sheet) e exclusividade. Escolhido o candidato, as partes registram os termos principais e um período em que o vendedor não negocia com outros.
  8. Due diligence. O comprador investiga finanças, contabilidade, impostos, trabalhista, jurídico e operação. Os achados podem alterar o preço. Veja o guia de due diligence.
  9. Negociação do contrato definitivo. Contrato de compra e venda, com preço, forma de pagamento, declarações e garantias, indenizações, não concorrência e transição dos sócios.
  10. Aprovações. Quando exigidas, como a análise do CADE (veja abaixo), e consentimentos de terceiros, como bancos e clientes com cláusula de mudança de controle.
  11. Fechamento (closing). Assinatura final, pagamento e transferência do controle.
  12. Integração e acompanhamento. Ajustes de preço previstos em contrato, pagamentos futuros, transição de gestão. É onde muitas operações ganham ou perdem o valor que prometiam.

O prazo total varia muito. Para operações de PME, é comum que o processo, da preparação ao fechamento, leve de seis meses a mais de um ano. Quem já chega com a casa em ordem encurta esse tempo e perde menos desconto.

Quando a operação precisa ser aprovada pelo CADE?

Pela Lei 12.529/2011, operações que atingem determinados valores de faturamento devem ser notificadas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e só podem ser concluídas após a aprovação. Os limites são definidos em portaria e se referem ao faturamento dos grupos envolvidos; a maioria das operações entre PMEs fica abaixo deles. Em caso de dúvida, consulte um advogado antes de assinar o contrato.

Qual o papel do valuation em fusões e aquisições?

O valuation é o que dá ponto de partida ao preço. Sem ele, vendedor e comprador negociam com expectativas desencontradas: o vendedor lembra de tudo o que investiu, o comprador pensa no que vai ganhar. O valuation traz um número defendido por premissas.

Os dois métodos mais usados:

  • Fluxo de caixa descontado (DCF): projeta o caixa que a empresa vai gerar e traz a valor presente por uma taxa que reflete o risco.
  • Múltiplos de mercado: aplica ao resultado da empresa (em geral o EBITDA) um múltiplo observado em operações parecidas.

O resultado do valuation é o valor da empresa (enterprise value). Para chegar ao que os sócios recebem, subtrai-se a dívida líquida e se ajustam outros itens, como passivos e capital de giro. A explicação completa dos métodos está no guia de valuation. Para saber o momento certo de fazê-lo, leia quando fazer valuation: o checklist que antecede M&A ou captação.

Avaliação e preço de fechamento raramente são iguais. O preço final reflete o valuation, o resultado da due diligence, a concorrência entre interessados, a urgência de cada parte e as sinergias que o comprador enxerga.

Exemplo prático: como o preço é calculado e pago em uma aquisição?

Imagine uma empresa de serviços com EBITDA ajustado de R$ 2.400.000 por ano. O comprador e o vendedor concordam em um múltiplo de 4,5 vezes o EBITDA e em uma dívida líquida de R$ 1.300.000.

  1. Valor da empresa = 4,5 × 2.400.000 = R$ 10.800.000.
  2. Menos dívida líquida: 10.800.000 - 1.300.000 = R$ 9.500.000 para os sócios (valor das cotas).

Raramente o comprador paga tudo à vista. Uma estrutura comum:

ParcelaPercentualValor (R$)Condição
Pagamento no fechamento60%5.700.000À vista, na assinatura
Retenção em garantia20%1.900.000Paga após 12 meses, se não surgirem passivos ocultos
Pagamento atrelado a meta (earn-out)20%1.900.000Depende de a empresa atingir o EBITDA acordado nos 2 anos seguintes
Total100%9.500.000

Para o vendedor, o "preço de R$ 9,5 milhões" só é real se ele receber as três parcelas. Por isso, na negociação, o valor total importa menos do que quanto é pago no fechamento, o que fica retido, quais metas precisam ser cumpridas e quem controla a empresa durante o earn-out. A empresa e os números deste exemplo são fictícios.

Quanto custa uma aquisição?

O custo de aquisição de uma empresa é bem mais que o preço pago aos sócios. Para o comprador, o custo total inclui:

  • O preço da operação, na estrutura combinada (à vista, parcelado, earn-out).
  • Dívidas e contingências assumidas.
  • Honorários de assessoria financeira, jurídica, fiscal e de due diligence.
  • Tributos e custos de registro da operação.
  • Custos de integração: sistemas, pessoas, rescisões, mudança de marca.
  • Capital de giro adicional necessário para a operação continuar rodando.

Do ponto de vista contábil, a compra de um negócio segue o CPC 15 (combinação de negócios): ativos e passivos da empresa adquirida são medidos a valor justo, e a diferença entre o preço pago e esse valor líquido é registrada como ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill). Os honorários da transação, pela mesma norma, são tratados como despesa do período e não entram no preço. Para entender a base dessas contas, veja balanço patrimonial e ativo e passivo.

Não confunda com o "custo de aquisição de clientes" (CAC), que é o gasto de marketing e vendas para conquistar um cliente. Aqui falamos do custo de adquirir uma empresa inteira.

Como vender uma empresa?

Quem vende ganha mais quando trata a venda como um projeto com prazo e preparação, e não como um evento. O roteiro:

  1. Defina o que quer. Valor mínimo, prazo, quem fica e quem sai, e se aceita parte do preço no futuro.
  2. Organize os números. Fechamento mensal, DRE gerencial conciliada com a contábil, fluxo de caixa e indicadores do negócio. O comprador paga pelo que consegue comprovar.
  3. Normalize o resultado. Retire despesas pessoais e receitas pontuais, para mostrar o EBITDA recorrente.
  4. Reduza dependências. Do dono, de poucos clientes e de poucos fornecedores. Quanto menos o negócio depende de uma pessoa, mais vale. O artigo bastidores do M&A mostra como as pessoas pesam no valor.
  5. Avalie a empresa. Faça um valuation independente antes de conversar com interessados.
  6. Prepare-se para a due diligence. Corrija pendências antes que o comprador as encontre.
  7. Procure mais de um interessado. Competição é o maior aliado do preço.
  8. Cuide da confidencialidade. Vazamento assusta clientes, funcionários e fornecedores. Use NDA e libere informações por etapas.
  9. Entenda a tributação. O ganho de capital na venda é tributado, e a estrutura da operação (venda de cotas, de ativos, uso de holding) muda o imposto. Consulte um tributarista antes de definir a forma.
  10. Conte com assessores. Advogado societário, contador e um assessor financeiro com experiência em M&A.

Como comprar uma empresa?

Para o comprador, o roteiro é um espelho:

  1. Defina a tese de compra. Que tipo de empresa, setor, porte e região e qual objetivo (escala, tecnologia, entrada em mercado)?
  2. Estabeleça um teto de preço com base no retorno esperado, e não só no que o vendedor pede. Os indicadores de investimento, como a TIR e o payback, ajudam a testar se o negócio fecha.
  3. Mapeie e aborde alvos. Diretamente ou por meio de um assessor.
  4. Faça uma proposta com preço, estrutura e condições, e negocie exclusividade.
  5. Conduza a due diligence com profundidade nas frentes críticas do negócio.
  6. Planeje o financiamento: caixa próprio, dívida ou sócios. Veja como a dívida afeta o caixa em Tabela Price e SAC.
  7. Planeje a integração antes do fechamento. Quem lidera, que sistemas ficam, o que muda para clientes e equipe.

Como o M&A funciona na rotina de uma PME e quais os erros mais comuns?

O M&A raramente começa com um plano. Ele costuma começar com uma proposta inesperada, uma crise entre sócios ou um cansaço do dono. Quem se prepara com antecedência negocia de igual para igual; quem espera a proposta chegar negocia sob pressão, e pressão vira desconto. Os erros mais frequentes:

  • Começar o processo sem os números organizados. O comprador descobre os problemas e pede desconto.
  • Pedir um preço sem base. Valor "de sentimento" afasta bons compradores.
  • Depender do dono. Se o negócio não anda sem ele, o comprador desconta, ou exige que ele fique por anos.
  • Olhar só o preço total. Ignorar a forma de pagamento, garantias, earn-out e responsabilidades pós-venda.
  • Subestimar a integração. Quem compra sem plano de integração perde as sinergias que justificaram o preço.
  • Ignorar a cultura. Equipes incompatíveis destroem valor, algo bem documentado em grandes fusões.
  • Falhar na confidencialidade. Boato de venda abala a operação antes do fechamento.
  • Dispensar assessores. Economizar em advogado e analista financeiro costuma custar bem mais caro depois.

Antes de qualquer operação, é útil pôr o negócio dentro de um planejamento estratégico: vender ou comprar deve ser o meio para um objetivo claro, e não uma reação a uma oferta. E, para quem fica com participação, vale revisar a estrutura de sócios e o capital social antes da negociação.

Falar com um especialista da BGP sobre venda ou compra de empresa

Como a BGP atua em fusões e aquisições?

Na frente On Demand, a BGP conduz projetos de M&A para PMEs, da preparação da empresa (números organizados e defensáveis) até a negociação. Isso inclui o valuation pelo fluxo de caixa descontado, com análise de sensibilidade e comparação com múltiplos de mercado, a organização da informação financeira para a due diligence e o acompanhamento do processo. As questões jurídicas e tributárias da operação seguem com advogados e contadores especializados, com quem trabalhamos em conjunto.

Para empresas que querem estar sempre prontas, e não apenas quando surge uma proposta, a controladoria financeira da BGP mantém fechamento mensal, conciliação e relatórios em dia, e o FP&A mantém as projeções atualizadas. É a base que sustenta um bom preço.

Perguntas frequentes sobre fusões e aquisições

O que é aquisição de empresa?

É a operação em que uma empresa ou investidor compra o controle de outra, pagando aos sócios pelas cotas ou ações, ou comprando ativos específicos. A empresa adquirida passa a ter novo controlador, e o preço é negociado com base no valuation e nos resultados da due diligence.

Qual a diferença entre fusão e aquisição?

Na aquisição, uma empresa compra a outra, que continua existindo (ou é incorporada). Na fusão, duas ou mais empresas se unem e formam uma nova, deixando de existir separadamente. No dia a dia, o termo aquisição é muito mais comum que a fusão pura.

O que significa M&A?

M&A é a sigla de mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições. Designa o conjunto de operações de compra, venda, fusão, incorporação e entrada de sócios que alteram o controle de uma empresa, além de todo o trabalho de avaliação, negociação e integração envolvido.

Como funciona o processo de M&A?

Começa com a definição de objetivo e a preparação da empresa, passa pelo valuation, busca de interessados, propostas, carta de intenções e due diligence, e termina com a negociação do contrato, o fechamento e a integração. Em PMEs, o processo costuma levar de seis meses a mais de um ano.

Como saber quanto vale minha empresa para vender?

Faz-se um valuation, em geral pelo fluxo de caixa descontado e por múltiplos de mercado, partindo de números organizados e de um EBITDA normalizado. O resultado é uma faixa de valor, e o preço final depende da negociação, dos interessados e da due diligence.

O que é incorporação de empresas?

É a operação em que uma empresa absorve outra, que é extinta e transfere todos os seus bens, direitos e obrigações para a incorporadora, conforme a Lei das S.A. Diferente da fusão, não nasce uma empresa nova: a incorporadora segue existindo.

Qual o custo de uma aquisição?

Além do preço pago aos sócios, entram dívidas assumidas, honorários de assessores e due diligence, tributos da operação, custos de integração e capital de giro adicional. Contabilmente, os honorários da transação são despesa e não compõem o preço pago, segundo o CPC 15.

Quando vale a pena vender a empresa?

Quando o negócio está organizado, o resultado é recorrente e há propostas atrativas em relação ao valor que você mesmo calcula. Vender no auge de resultados e com tempo para negociar rende mais que vender por pressão. Começar a preparação antes da primeira conversa melhora preço e condições.

Continue lendo

Quer conversar sobre o financeiro da sua empresa?

Mensagem enviada. A gente retorna em breve.