Depreciação e amortização: o que são, diferença, como calcular e tabela de taxas

Depreciação é a perda de valor de um bem físico (máquina, veículo, computador, imóvel) pelo uso, pelo desgaste ou pela obsolescência, registrada na contabilidade como despesa ao longo da vida útil. Amortização faz o mesmo com bens intangíveis, como software, licenças e marcas adquiridas. Nenhuma das duas tira dinheiro do caixa.
Neste guia você vai ver o que são depreciação e amortização, a diferença entre elas, os métodos de cálculo com exemplos numéricos, as taxas usuais por tipo de bem, como lançar na contabilidade e como esses valores aparecem na DRE, no balanço e no EBITDA.
O que é depreciação?
Depreciar significa reconhecer que um bem usado pela empresa perde valor com o tempo. Em vez de lançar todo o valor da compra como despesa de uma vez, a contabilidade distribui o custo do bem pelos períodos em que ele ajuda a gerar receita. É o regime de competência aplicado ao imobilizado (veja a diferença em regime de caixa e regime de competência).
Três causas principais explicam a perda de valor:
- Desgaste físico: o uso e a ação do tempo (um caminhão rodando todo dia).
- Obsolescência: o bem fica ultrapassado (um computador que já não roda os sistemas atuais).
- Limite legal ou contratual: o direito de uso tem prazo (uma benfeitoria em imóvel alugado, que acaba com o contrato).
"Depreciação" também aparece no dia a dia com outro sentido, o de queda de valor de mercado (o carro "deprecia" quando sai da concessionária, a moeda "deprecia" frente ao dólar). Na contabilidade o termo é mais específico: é a alocação sistemática do valor depreciável do bem ao longo da sua vida útil, conforme o CPC 27 (ativo imobilizado). Não é uma avaliação do preço de venda do bem.
O que é amortização contábil?
Amortização contábil é a distribuição do custo de um ativo intangível (sem forma física) ao longo do período em que ele traz benefícios. Exemplos: software adquirido, licença de uso, direito de exploração, patente, marca comprada de terceiros e carteira de clientes adquirida. O CPC 04 trata do ativo intangível.
Na prática, a mecânica é a mesma da depreciação: o valor entra no ativo e vai sendo transferido para a despesa, mês a mês. A diferença é o tipo de bem. Quando o intangível tem vida útil indefinida, ele não é amortizado, mas passa por teste de recuperação do valor pelo menos uma vez por ano (CPC 01).
Amortização de empréstimo é a mesma coisa?
Não. Existe outro uso da palavra: a amortização de uma dívida, que é a parte da parcela que reduz o saldo devedor de um financiamento. Isso pertence à matemática financeira e tem sistemas próprios (SAC, Price, americano, misto). Não é o assunto deste texto. Para entender o cálculo das parcelas, veja nosso guia sobre Tabela Price e SAC.
Qual a diferença entre depreciação e amortização?
| Critério | Depreciação | Amortização (contábil) | Exaustão |
|---|---|---|---|
| Tipo de bem | Imobilizado (tangível) | Intangível | Recursos naturais (minas, florestas) |
| Exemplos | Máquinas, veículos, computadores, prédios | Software, licenças, marcas, patentes | Jazidas, reservas florestais |
| Norma de referência | CPC 27 | CPC 04 | Tratada na legislação específica e nos CPCs do setor |
| Afeta o caixa? | Não | Não | Não |
| Onde aparece | Despesa na DRE; redutora do ativo no balanço | Despesa na DRE; redutora do ativo no balanço | Igual |
Em resumo, a lógica é uma só: reconhecer o gasto de um ativo de longa duração ao longo do tempo, não de uma vez. O nome muda conforme o ativo. Por isso o mercado usa a expressão "D&A" (depreciation and amortization) para tratar das duas juntas.
Como funciona a vida útil e o valor residual?
Para calcular a depreciação é preciso definir três elementos:
- Custo do bem: o preço pago mais gastos necessários para colocar o bem em uso (frete, instalação, impostos não recuperáveis).
- Vida útil: o período em que a empresa espera usar o bem, ou a quantidade de unidades que ele deve produzir. É uma estimativa da empresa, não um número fixo de lei.
- Valor residual: quanto a empresa espera obter ao vender o bem no fim da vida útil, descontados os custos de venda. Pode ser zero.
Valor depreciável = Custo do bem − Valor residual
O CPC 27 pede que vida útil e valor residual sejam revisados ao menos ao final de cada exercício. Se o equipamento está durando mais do que se previu, a estimativa muda, e a depreciação dos períodos seguintes se ajusta. A depreciação começa quando o bem está disponível para uso, não quando é pago. Terrenos, em regra, não são depreciados, porque não se consomem.
Como calcular a depreciação? Métodos e fórmulas
O CPC 27 admite mais de um método. O escolhido deve refletir o padrão de consumo dos benefícios do bem. Os três mais conhecidos:
Método linear (quotas constantes)
O mais usado. Distribui o valor depreciável em parcelas iguais.
Fórmula: Depreciação anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil em anos
Fórmula: Taxa anual de depreciação = 1 ÷ Vida útil em anos (10 anos de vida útil = 10% ao ano)
Método dos saldos decrescentes
Aplica uma taxa fixa sobre o valor contábil que restou. Por isso as primeiras parcelas são maiores e vão caindo. Serve para bens que perdem mais valor no início (como tecnologia).
Fórmula: Depreciação do ano = Valor contábil no início do ano × taxa
Método das unidades produzidas (ou horas de uso)
A depreciação acompanha o uso. Quanto mais o bem produz, mais deprecia.
Fórmula: Depreciação do período = (Custo − Valor residual) ÷ Produção total estimada × Produção do período
Exemplo prático de cálculo de depreciação
Imagine uma metalúrgica fictícia que comprou uma máquina por R$ 120.000. Ela estima vida útil de 10 anos e valor residual de R$ 12.000.
Método linear
Passo 1. Valor depreciável: 120.000 − 12.000 = R$ 108.000.
Passo 2. Depreciação anual: 108.000 ÷ 10 = R$ 10.800.
Passo 3. Depreciação mensal: 10.800 ÷ 12 = R$ 900.
| Ano | Depreciação do ano (R$) | Depreciação acumulada (R$) | Valor contábil no fim do ano (R$) |
|---|---|---|---|
| 0 (compra) | 0 | 0 | 120.000 |
| 1 | 10.800 | 10.800 | 109.200 |
| 2 | 10.800 | 21.600 | 98.400 |
| 3 | 10.800 | 32.400 | 87.600 |
| ... | ... | ... | ... |
| 10 | 10.800 | 108.000 | 12.000 |
No fim dos 10 anos, o valor contábil chega ao valor residual de R$ 12.000, e a depreciação para.
Método dos saldos decrescentes
Usando taxa de 20% ao ano (o dobro da linear):
- Ano 1: 120.000 × 20% = 24.000. Valor contábil: 96.000.
- Ano 2: 96.000 × 20% = 19.200. Valor contábil: 76.800.
- Ano 3: 76.800 × 20% = 15.360. Valor contábil: 61.440.
A depreciação cai a cada ano. O método precisa de ajuste para não passar abaixo do valor residual.
Método das unidades produzidas
Se a máquina deve produzir 500.000 peças ao longo da vida: (120.000 − 12.000) ÷ 500.000 = R$ 0,216 por peça. Em um mês em que produziu 20.000 peças, a depreciação é 20.000 × 0,216 = R$ 4.320. No mês de produção baixa, a depreciação cai junto.
Como calcular a amortização de um intangível?
Imagine que a mesma empresa comprou um sistema de gestão (software) por R$ 60.000, com direito de uso por cinco anos e sem valor residual.
Fórmula: Amortização anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil
Amortização anual = 60.000 ÷ 5 = R$ 12.000, ou R$ 1.000 por mês. Ao final de cinco anos, o saldo do intangível é zero.
A vida útil do intangível costuma ser limitada pelo prazo do contrato ou da licença. Quando não existe limite previsível, a vida é indefinida, e a empresa não amortiza, apenas testa se o valor está recuperável.
Qual a taxa de depreciação de cada tipo de bem?
Para fins fiscais, a Receita Federal admite taxas usuais por tipo de bem, a partir da vida útil considerada normal (a regulamentação atual está na Instrução Normativa RFB 1.700/2017, que sucedeu normas anteriores). A tabela mostra as taxas mais conhecidas, apenas como referência:
| Tipo de bem | Vida útil usual | Taxa anual aproximada |
|---|---|---|
| Edifícios e construções | 25 anos | 4% |
| Máquinas e equipamentos | 10 anos | 10% |
| Móveis e utensílios | 10 anos | 10% |
| Instalações | 10 anos | 10% |
| Veículos | 5 anos | 20% |
| Computadores e periféricos | 5 anos | 20% |
Atenção a dois pontos. Primeiro, essas taxas são fiscais. A contabilidade, pelo CPC 27, usa a vida útil real estimada pela empresa, que pode ser maior ou menor. Segundo, a legislação prevê situações específicas, como depreciação acelerada para bens usados em mais de um turno de trabalho e tratamento próprio para bens de baixo valor. Como esses limites e condições mudam, confirme a tabela e as regras vigentes com o seu contador antes de aplicar.
Como contabilizar a depreciação e a amortização?
O lançamento mensal tem sempre o mesmo formato:
- Débito: Despesa de depreciação (ou de amortização), na DRE.
- Crédito: Depreciação acumulada (ou amortização acumulada), conta redutora no ativo.
No exemplo da máquina: todo mês, débito de R$ 900 em despesa de depreciação e crédito de R$ 900 em depreciação acumulada. O bem continua registrado pelo custo original (R$ 120.000), e a conta de depreciação acumulada vai abatendo. O balanço mostra o valor líquido.
Depreciação acumulada é ativo ou passivo?
Nenhum dos dois: é uma conta redutora do ativo imobilizado, com saldo credor. Reduz o ativo, mas não é uma dívida. Para entender onde cada conta se encaixa, veja ativo e passivo: tipos e exemplos e balanço patrimonial.
Como depreciação e amortização aparecem na DRE, no balanço e no EBITDA?
- Na DRE: entram como despesa (ou custo, se o bem está ligado à produção), reduzindo o lucro e, com isso, o imposto sobre o lucro, dentro das regras fiscais. Para entender onde o lucro se separa, veja lucro bruto, operacional e líquido.
- No balanço: o ativo vai caindo pelo valor contábil.
- No fluxo de caixa: não é saída de dinheiro. O caixa saiu quando o bem foi comprado. Na apuração do fluxo pelo método indireto, a depreciação é somada de volta ao lucro.
- No EBITDA: a sigla significa lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A depreciação é justamente o que se retira para olhar a operação.
Exemplo ilustrativo de uma empresa fictícia: EBITDA de R$ 300.000 e depreciação e amortização de R$ 60.000. O resultado operacional (EBIT) é 300.000 − 60.000 = R$ 240.000. A depreciação reduz o lucro contábil, mas não o caixa gerado pela operação. Também por isso lucro contábil e caixa não andam juntos.
E quando o bem já está totalmente depreciado?
Chega um momento em que o valor contábil do bem atinge o valor residual (ou zero) e a depreciação para. Se o bem continua em uso, ele segue no ativo pelo custo, com a depreciação acumulada compensando, e a empresa passa a tê-lo "de graça" no resultado. Isso não significa que ele não custe nada: manutenção sobe e a troca vai chegar. Por isso, bens totalmente depreciados merecem um plano de reposição, e o caixa para a troca precisa ser reservado antes.
Qual a relação entre depreciação, CAPEX e valor da empresa?
O CAPEX é o investimento em bens duráveis. A depreciação é o caminho inverso, o consumo contábil desses bens ao longo do tempo. Um CAPEX muito acima da depreciação significa que a empresa está expandindo o parque. Um CAPEX abaixo da depreciação por anos seguidos pode indicar que a empresa está "consumindo" a própria estrutura sem repor. Veja o impacto em CAPEX e OPEX.
Em uma avaliação, compradores olham o estado do imobilizado: bem totalmente depreciado ainda em uso pode exigir reposição logo adiante. Isso entra em um valuation e em uma due diligence.
Como depreciação e amortização funcionam na rotina de uma PME?
O que funciona na prática:
- Manter um controle patrimonial. Planilha ou sistema com cada bem: descrição, data de compra, custo, vida útil, taxa, depreciação acumulada e localização. Sem isso, a depreciação não tem base. É uma tarefa típica de controladoria.
- Lançar todo mês. Depreciação lançada só no fim do ano distorce o resultado mensal e as análises de margem.
- Separar bem de despesa. Compra que dura mais de um ano e tem valor relevante vira ativo e depreciação. Gasto corrente vira despesa. A régua do que é "relevante" deve ser combinada com o contador.
- Baixar o bem vendido ou perdido. Bens que não existem mais não podem seguir no ativo.
- Revisar vida útil. Equipamento que roda além do previsto pede revisão.
- Usar o plano de contas certo. Contas separadas para custo, depreciação acumulada e despesa facilitam relatórios.
Erros comuns
- Não depreciar nada e deixar o ativo inflado e o lucro maior do que é.
- Depreciar terrenos.
- Usar só a taxa fiscal sem avaliar a vida útil real.
- Tratar depreciação como saída de caixa e achar que "gastou" dinheiro todo mês.
- Esquecer que a depreciação é sinal de reposição futura: quem não reserva caixa para trocar o equipamento sofre quando ele para.
- Confundir amortização de intangível com amortização de empréstimo.
Como a BGP ajuda a organizar a depreciação e o resultado da empresa?
A apuração oficial da depreciação, com a tabela fiscal e as regras do regime tributário, é papel do contador. A BGP entra na parte de gestão: na controladoria financeira terceirizada, o time organiza o controle dos bens, garante que o fechamento mensal inclua depreciação e amortização e entrega DRE e fluxo de caixa que mostram a diferença entre resultado contábil e geração de caixa.
Se a decisão é comprar, trocar ou vender equipamentos, a frente On Demand faz diagnósticos e análises pontuais de investimento. E o painel do GO BI pode acompanhar EBITDA, EBIT e investimentos no mesmo lugar. Veja também indicadores financeiros para ligar esses números à gestão.
Perguntas frequentes sobre depreciação e amortização
O que é depreciação?
É a perda de valor de um bem físico pelo uso, desgaste ou obsolescência, registrada como despesa ao longo da vida útil. Distribui o custo do bem pelos períodos em que ele ajuda a gerar receita e não representa saída de caixa.
O que significa amortização na contabilidade?
Amortização contábil é a distribuição do custo de um ativo intangível, como software, licença ou marca adquirida, ao longo do tempo em que ele traz benefícios. Funciona como a depreciação, mas para bens sem forma física.
Qual a diferença entre depreciação e amortização?
Depreciação se aplica a bens físicos (imobilizado), como máquinas e veículos. Amortização se aplica a bens intangíveis, como softwares e licenças. A mecânica é a mesma: o custo vira despesa aos poucos, sem sair do caixa. Quando o ativo é um recurso natural, o nome é exaustão.
Como calcular a depreciação de um bem?
No método linear, subtraia o valor residual do custo e divida pela vida útil em anos. Um bem de R$ 120.000, residual de R$ 12.000 e vida útil de 10 anos deprecia R$ 10.800 por ano, ou R$ 900 por mês. Outros métodos usam saldos decrescentes ou unidades produzidas.
Depreciação acumulada é ativo ou passivo?
Nenhum dos dois. É uma conta redutora do ativo imobilizado, que abate do custo do bem a parcela já consumida. No balanço, o bem aparece pelo valor líquido: custo menos depreciação acumulada.
Depreciação sai do caixa da empresa?
Não. É uma despesa contábil, sem desembolso. O dinheiro saiu na compra do bem. A depreciação reduz o lucro contábil, e por isso é somada de volta ao calcular o fluxo de caixa pelo método indireto e na conta do EBITDA.
Qual a taxa de depreciação de veículos e máquinas?
Como referência fiscal usual, veículos e computadores têm taxa de 20% ao ano (cinco anos), e máquinas e equipamentos, 10% ao ano (dez anos). As regras mudam por tipo de bem e situação, então confirme a tabela vigente com seu contador.
Amortização de empréstimo é a mesma coisa que amortização contábil?
Não. Amortização de empréstimo é a parte da parcela que reduz o saldo devedor, e segue sistemas como SAC e Price. Amortização contábil distribui o custo de um intangível ao longo do tempo. Para o primeiro caso, veja nosso guia de Tabela Price e SAC.


