Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP
Ativo imobilizado: o que é, exemplos, contabilização, depreciação e controle

Ativo imobilizado é o conjunto de bens e direitos de uso duradouro que a empresa mantém para operar, e não para vender: máquinas, veículos, móveis, computadores, imóveis e instalações. Fica no ativo não circulante do balanço, perde valor ao longo do tempo pela depreciação e segue o CPC 27.
O conceito e os exemplos abrem a página, seguidos da regra para separar imobilizado de despesa e de uso e consumo. Na sequência estão a contabilização da compra, da depreciação e da venda, os CFOPs mais usados, um exemplo numérico completo e o controle patrimonial que uma PME consegue manter.
O que é ativo imobilizado?
A estrutura do balanço patrimonial separa o que a empresa tem em grupos. O imobilizado é o grupo dos bens físicos que ela usa para tocar o negócio por vários anos. A Lei 6.404/76 (art. 179, inciso IV) define o imobilizado como os direitos que têm por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da empresa, ou exercidos com essa finalidade. O CPC 27 detalha como reconhecer, medir e baixar esses bens.
Três ideias resumem o conceito:
- Uso na atividade: o bem existe para produzir, vender, administrar ou alugar a terceiros, não para ser revendido.
- Vida útil acima de um período: o bem serve por mais de um exercício, normalmente mais de 12 meses.
- Controle e benefício futuro: a empresa controla o bem e espera que ele gere benefício econômico, seja com a produção, seja com a economia de custo.
Por isso a prensa de uma metalúrgica é imobilizado, e as peças que ela vende são estoque. O caminhão da distribuidora é imobilizado; a carga é estoque.
Imobilizado é ativo ou passivo?
Imobilizado é ativo: algo que a empresa possui e usa, não uma obrigação. Dentro do ativo e passivo do balanço, ele está no ativo não circulante, ao lado do investimento, do intangível e do realizável a longo prazo, porque não vira caixa em 12 meses.
A confusão vem do financiamento: se a máquina foi comprada com empréstimo, ela fica no ativo e a dívida no passivo, dividida entre passivo circulante e não circulante conforme o vencimento das parcelas. A diferença entre o que a empresa tem e o que deve aparece no patrimônio líquido.
Quais são os exemplos de ativo imobilizado?
O que entra no imobilizado depende do negócio. A tabela mostra exemplos por setor e o que, em cada caso, não entra.
| Tipo de empresa | Exemplos de imobilizado | O que não é imobilizado |
|---|---|---|
| Indústria | Máquinas, prensas, moldes duradouros, galpão, empilhadeira | Matéria-prima, peças em produção, produto acabado |
| Distribuidora | Caminhões, prateleiras, balanças, sistema de climatização do depósito | Mercadorias para revenda |
| Varejo e e-commerce | Mobiliário da loja, câmaras frias, computadores, leitores de código de barras | Estoque e sacolas de embalagem |
| Restaurante | Fogões industriais, coifa, freezers, mesas, cadeiras | Insumos, utensílios baratos e de curta duração |
| Agência e serviços | Notebooks, servidores, mesas, equipamentos de gravação | Licenças mensais de software (despesa) |
| Clínica | Aparelhos de diagnóstico, macas, mobiliário, benfeitorias em sala alugada | Materiais descartáveis e medicamentos |
| Construtora | Betoneiras, andaimes, veículos, escritório da obra | Obras em andamento destinadas à venda (estoque) |
Terrenos (que não se depreciam), edificações e benfeitorias em imóvel alugado também entram. O imobilizado em andamento, como uma máquina ainda em instalação, fica numa conta própria, e a depreciação só começa quando o bem funciona.
Como saber se é ativo imobilizado ou despesa, ou uso e consumo?
É a dúvida mais frequente no dia a dia. A resposta vem de três perguntas, nesta ordem:
- O bem será usado por mais de um ano na atividade da empresa? Se não, tende a ser despesa ou material de consumo.
- Ele foi comprado para revenda ou para entrar no produto? Se sim, é estoque.
- O valor e a vida útil justificam controlar o bem individualmente, com depreciação? Se sim, é imobilizado.
A tabela compara os grupos mais confundidos.
| Grupo | Critério | Exemplo | Efeito no resultado |
|---|---|---|---|
| Imobilizado | Uso duradouro na atividade e valor relevante | Impressora industrial | Vira depreciação mês a mês na DRE |
| Uso e consumo | Material consumido ou de baixo valor | Papel, toner, canetas, lâmpadas | Despesa no mês da compra |
| Estoque | Destinado à venda ou à produção | Mercadoria, matéria-prima | Vira custo (CMV ou custo do produto) quando vendido |
| Intangível | Ativo sem forma física, com benefício futuro | Software próprio, marca, patente | Amortização, quando a vida útil é definida |
| Despesa de manutenção | Mantém o bem funcionando, sem ampliar vida útil ou capacidade | Troca de óleo, conserto simples | Despesa no mês |
Para separar o que é gasto do mês e o que é investimento que fica no balanço, o guia sobre custo, despesa e investimento mostra a lógica completa.
Qual o valor mínimo para ativo imobilizado em 2026?
A contabilidade não fixa um valor mínimo. O CPC 27 deixa a decisão para a empresa, que deve criar uma política de capitalização: abaixo de certo valor por unidade, o gasto vai direto para despesa, porque o esforço de controlar e depreciar o item não compensa.
No imposto de renda existe uma referência. O art. 15 do Decreto-Lei 1.598/77, com a redação da Lei 12.973/2014, reproduzido no art. 313 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018), permite deduzir como despesa o custo de bens com valor unitário de até R$ 1.200 ou com prazo de vida útil de até um ano. Confira com o contador se o limite continua o mesmo na data em que você for aplicá-lo.
Muitas PMEs adotam o limite fiscal como regra interna; outras definem um valor maior, conforme o porte. O ponto é escrever a política, aplicá-la sempre do mesmo jeito e registrá-la nas notas explicativas quando a empresa as elabora.
Como contabilizar o ativo imobilizado?
A contabilização segue quatro momentos: compra, depreciação, manutenção e baixa. Todos passam pelo plano de contas, que precisa ter contas separadas por classe de bem (máquinas, veículos, móveis, informática) e uma conta redutora de depreciação acumulada para cada uma. Para entender como funciona o débito e o crédito de cada lançamento, vale o guia de contas contábeis.
Como registrar a compra
O bem entra pelo custo de aquisição. Segundo o CPC 27, o custo inclui o preço de compra, os impostos de importação e os impostos não recuperáveis, e todo gasto necessário para deixar o bem em condição de uso: frete, seguro do transporte, instalação e testes. O ICMS que a empresa recupera como crédito não compõe o custo.
O lançamento de uma compra à vista fica assim:
- Débito: Imobilizado, Máquinas e Equipamentos
- Crédito: Caixa ou Bancos (ou Fornecedores, se for a prazo)
Como registrar a depreciação
Todo mês, a empresa reconhece uma parte do custo como despesa:
- Débito: Despesa de Depreciação (no resultado)
- Crédito: Depreciação Acumulada (conta redutora do imobilizado)
Os métodos, a vida útil e as taxas de cada tipo de bem estão no guia de depreciação e amortização. A depreciação não tira dinheiro do caixa, mas reduz o lucro contábil e o valor do bem no balanço.
Como registrar manutenção e melhorias
Se o gasto só mantém o bem funcionando, é despesa. Se ele aumenta a vida útil, a capacidade ou reduz o custo de operação de forma relevante, é somado ao custo do bem. Trocar o motor do caminhão por um novo é melhoria; trocar o óleo é despesa.
Como registrar a baixa
Quando o bem é vendido, doado, sucateado ou perdido, a empresa tira o custo e a depreciação acumulada do balanço e reconhece o ganho ou a perda. A seção sobre venda mostra o cálculo.
Exemplo prático de ativo imobilizado: compra, depreciação e venda
Imagine uma metalúrgica fictícia que fatura R$ 1,5 milhão por mês e compra uma prensa. O preço da nota é R$ 180.000, sem o ICMS que ela recupera. Ela paga R$ 6.000 de frete e R$ 4.000 de instalação.
Fórmula: custo do imobilizado = preço de compra + frete + instalação + demais gastos necessários para o bem funcionar.
Custo da prensa: R$ 180.000 + R$ 6.000 + R$ 4.000 = R$ 190.000.
A empresa estima vida útil de 10 anos e valor residual de R$ 10.000 (quanto espera obter pela prensa no fim do uso). Pelo método linear:
Fórmula: depreciação anual = (custo − valor residual) ÷ vida útil.
(R$ 190.000 − R$ 10.000) ÷ 10 = R$ 18.000 por ano, ou R$ 1.500 por mês.
| Fim do ano | Despesa de depreciação | Depreciação acumulada | Valor contábil (custo − acumulada) |
|---|---|---|---|
| 0 (compra) | R$ 0 | R$ 0 | R$ 190.000 |
| 1 | R$ 18.000 | R$ 18.000 | R$ 172.000 |
| 2 | R$ 18.000 | R$ 36.000 | R$ 154.000 |
| 3 | R$ 18.000 | R$ 54.000 | R$ 136.000 |
| 10 | R$ 18.000 | R$ 180.000 | R$ 10.000 |
No fim do terceiro ano, a empresa vende a prensa. O valor contábil é R$ 136.000. O resultado da venda depende do preço:
- Venda por R$ 150.000: ganho de R$ 150.000 − R$ 136.000 = R$ 14.000.
- Venda por R$ 120.000: perda de R$ 136.000 − R$ 120.000 = R$ 16.000.
Fórmula: resultado da venda = preço de venda − valor contábil (custo − depreciação acumulada).
No caso do ganho, os lançamentos são: débito em Bancos de R$ 150.000; débito em Depreciação Acumulada de R$ 54.000; crédito em Máquinas e Equipamentos de R$ 190.000; crédito em Ganho na Venda de Imobilizado de R$ 14.000. Os débitos somam R$ 204.000 e os créditos também somam R$ 204.000.
Duas leituras importam para o dono. A prensa gerou R$ 54.000 de depreciação em três anos, e nenhum real saiu do caixa por isso: o dinheiro saiu todo na compra. E o ganho de R$ 14.000 não é receita da operação, porque a metalúrgica não vive de vender prensas. Ele aparece em outras receitas e despesas operacionais na DRE, abaixo do resultado da atividade principal.
Qual o CFOP de ativo imobilizado e como fica o ICMS?
O CFOP é o código fiscal que identifica a natureza da operação na nota. Para ativo imobilizado, os mais usados são:
| Operação | Dentro do estado | Outro estado | Exterior |
|---|---|---|---|
| Compra de bem para o ativo imobilizado (entrada) | 1551 | 2551 | 3551 |
| Venda de bem do ativo imobilizado (saída) | 5551 | 6551 | 7551 |
| Transferência de bem do ativo imobilizado (saída) | 5552 | 6552 | - |
| Devolução de compra de bem do ativo imobilizado (saída) | 5553 | 6553 | - |
Os códigos 1551, 2551 e 3551 são os que a PME usa na escrituração da nota de entrada quando compra uma máquina ou um veículo. Já o 5551 e o 6551 aparecem quando ela vende um bem usado. Como a tabela de CFOPs tem detalhes que variam conforme a operação e o estado, o contador deve validar o código antes da emissão da nota, principalmente em casos com substituição tributária (o ICMS cobrado antecipadamente na cadeia), transferência entre filiais e devolução.
Um erro comum: lançar uma compra de equipamento como compra de mercadoria (CFOP de revenda). O bem vai parar no estoque, não é depreciado e o resultado do mês fica errado.
Tem ICMS na compra de ativo imobilizado?
Sim, a nota de compra traz ICMS. A diferença é o que a empresa faz com ele. Para quem está nos regimes de Lucro Presumido ou Lucro Real e é contribuinte de ICMS, a Lei Complementar 87/96 (art. 20, §5º) permite apropriar o crédito do ICMS da compra de bem do ativo permanente em 48 parcelas mensais, na proporção de 1/48 por mês. Esse crédito recuperável não entra no custo do bem. As empresas do Simples Nacional, em regra, não apropriam esse crédito, e o imposto faz parte do custo.
Compras de outros estados podem ter o diferencial de alíquota (DIFAL), que também afeta o custo ou o crédito. Quanto ao PIS e à Cofins, o direito a crédito depende do regime: no Lucro Real, há regras de crédito sobre bens do imobilizado; no Simples Nacional e no Lucro Presumido não há esse crédito. Os enquadramentos estão nos regimes tributários, e as regras mudam com a reforma tributária.
Como funciona a venda de ativo imobilizado?
Vender um bem do imobilizado exige quatro passos: emitir a nota com o CFOP correto (5551 ou 6551), calcular o valor contábil na data da venda, registrar a baixa do custo e da depreciação acumulada e reconhecer o ganho ou a perda. O exemplo da prensa mostra a conta.
Cuidados:
- Depreciar até a data da venda. Se a baixa ocorre no meio do mês, a depreciação do período deve entrar antes. Senão, o ganho ou a perda sai errado.
- Tributação. O ganho pode gerar IRPJ e CSLL, e a incidência de ICMS, PIS e Cofins varia por regime e por estado. Não presuma a regra: consulte o contador antes de fechar o preço.
Se a venda faz parte de uma troca de equipamento, calcule antes o payback do bem novo: em quanto tempo ele devolve o que custou.
Qual a diferença entre ativo imobilizado e intangível?
O imobilizado é o bem físico, que se pode tocar. O intangível é um ativo sem substância física, como software desenvolvido, marcas, patentes, direitos de uso e o ponto comercial. O imobilizado é regido pelo CPC 27 e o intangível, pelo CPC 04, com detalhe no guia de ativo intangível e goodwill. O imobilizado perde valor pela depreciação; o intangível de vida útil definida, pela amortização. O terreno não se deprecia, e o intangível de vida útil indefinida não se amortiza, mas passa por teste de recuperação (impairment) pelo menos uma vez por ano.
O caso de fronteira mais comum na PME é o software. A licença mensal de um sistema na nuvem é despesa; o sistema comprado com licença perpétua ou desenvolvido para uso por anos pode ser intangível. As normas seguem o padrão internacional explicado em IFRS e CPC.
Como o ativo imobilizado funciona na rotina de uma PME
O imobilizado só ajuda a decisão do dono se três coisas funcionam juntas: cadastro correto, depreciação mensal e leitura gerencial. Este é o passo a passo que uma PME consegue manter.
Passo a passo do controle patrimonial
- Defina a política de capitalização. Valor mínimo por item, vida útil por classe de bem e método de depreciação. Escreva e guarde.
- Cadastre cada bem. Uma ficha por item, com código de identificação (a etiqueta de patrimônio), descrição, número de série, data e valor da compra, nota fiscal, local, responsável, vida útil e valor residual.
- Etiquete e localize. Registre toda mudança de setor ou de filial.
- Calcule a depreciação todo mês e lance no fechamento. Muitos ERPs têm módulo de patrimônio que faz isso. No guia de ERP financeiro, há critérios para avaliar o módulo.
- Concilie o controle com a contabilidade. O total da planilha ou do sistema de patrimônio precisa bater com o saldo do imobilizado no livro razão. Diferença indica bem não cadastrado, baixa sem lançamento ou erro de classificação. É a conferência que a Controladoria faz no fechamento do mês.
- Faça o inventário físico uma vez por ano. Conte os bens, compare com o cadastro, trate os que sumiram ou estão quebrados e baixe o que não existe mais.
- Revise vida útil e valor residual. O CPC 27 pede revisão pelo menos ao fim de cada exercício. Se uma máquina vai durar menos do que se previa, a depreciação precisa acelerar.
Erros comuns no dia a dia
- Lançar equipamento como despesa: a DRE mostra prejuízo que não existe e o balanço perde o bem.
- Não depreciar. O lucro do período fica maior do que o real e o dono distribui o que não existe.
- Manter na contabilidade bens vendidos, roubados ou sucateados.
- Registrar só o preço da nota e mandar frete e instalação para despesa. O custo do bem fica menor e o resultado do mês da compra, pior.
- Comprar o bem no CPF do sócio e usá-lo na empresa, ou o contrário. O bem some do balanço de quem de fato o usa, e a depreciação também.
Como ler o número para decidir
Dois indicadores simples mostram se o imobilizado está pesando. Ambos usam o balanço patrimonial e a DRE.
Fórmula: índice de imobilização do patrimônio líquido = imobilizado ÷ patrimônio líquido.
Fórmula: giro do ativo imobilizado = receita líquida ÷ imobilizado líquido.
Imagine uma distribuidora fictícia com imobilizado líquido de R$ 2.400.000, patrimônio líquido de R$ 3.000.000 e receita líquida anual de R$ 12.000.000.
| Indicador | Cálculo | Resultado | Leitura |
|---|---|---|---|
| Imobilização do PL | R$ 2.400.000 ÷ R$ 3.000.000 | 80% | De cada R$ 100 de capital próprio, R$ 80 estão presos em bens |
| Giro do imobilizado | R$ 12.000.000 ÷ R$ 2.400.000 | 5,0 vezes | Cada R$ 1 em bens gera R$ 5 de receita por ano |
Não existe número ideal universal. A leitura vale por comparação: a mesma empresa mês a mês e ano a ano, e o setor, porque indústria pesa mais em imobilizado que agência. Se o índice de imobilização passa de 100%, parte dos bens está sendo financiada por dívida, e o capital de giro tende a apertar. Se o giro cai, a empresa tem capacidade parada: o que vale é buscar mais venda com o mesmo parque ou vender o que não usa.
Quando o indicador piora, olhe se a compra recente já gera receita, se há bem ocioso para vender ou alugar e se o próximo investimento precisa ser financiado. A diferença entre investir em capacidade e gastar no dia a dia está em CAPEX e OPEX, e o efeito na geração de caixa aparece no fluxo de caixa. Como a depreciação é somada de volta na apuração do EBITDA, empresa com muito imobilizado mostra EBITDA bem acima do lucro. Esse EBITDA não paga a reposição das máquinas.
Como o imobilizado aparece nas demonstrações
O imobilizado aparece em três lugares. No balanço, pelo valor líquido (custo menos depreciação acumulada). Na DRE, pela despesa de depreciação. No fluxo de caixa, pela compra, que sai como investimento, e pela venda, que entra como recebimento. O guia de demonstrações contábeis mostra como as peças se encaixam, e a demonstração dos fluxos de caixa detalha os investimentos em bens.
O valor contábil do imobilizado não é o preço que o bem teria se fosse vendido hoje. Ele é custo menos depreciação. Para entender essa diferença na hora de avaliar a empresa, veja o guia de valor contábil e valor patrimonial. Em uma due diligence, o comprador confere se os bens do balanço existem, se são da empresa e se estão em condição de uso, e é aí que um controle patrimonial desorganizado custa caro na negociação.
A reavaliação espontânea de bens deixou de ser permitida no Brasil com a Lei 11.638/07, então o valor no balanço parte sempre do custo. E, quando há sinal de que o bem vale menos do que está registrado (máquina parada, obsoleta ou danificada), o CPC 01 exige o teste de recuperação do valor, o impairment, com baixa da diferença. A auditoria verifica esse ponto, apoiada nos controles internos, como a segregação entre quem compra, quem recebe e quem registra o bem.
Como a BGP trabalha o imobilizado no financeiro da PME
Na Controladoria da BGP, o imobilizado entra no ciclo mensal de duas formas. Na conciliação, o time confere se os saldos do patrimônio batem com a contabilidade e se compras de bens foram lançadas como bens, e não como despesa. Na leitura dos números, a depreciação e os investimentos aparecem no GO BI, incluso na Controladoria, para que a gestão enxergue o peso dos ativos no resultado e no caixa.
Quando a decisão é pontual, como avaliar a compra de uma linha nova ou a venda de uma unidade, o projeto cabe no On Demand, com análise financeira sob medida. Nos dois casos, a BGP trabalha com o sistema que a empresa já usa. Para entender como a Controladoria da BGP organiza essa rotina, você pode agendar uma conversa.
Perguntas frequentes sobre ativo imobilizado
O que é ativo imobilizado?
É o grupo de bens e direitos de uso duradouro que a empresa mantém para operar, como máquinas, veículos, móveis, computadores e imóveis. Fica no ativo não circulante, é registrado pelo custo de aquisição e perde valor com a depreciação, conforme o CPC 27 e o art. 179 da Lei 6.404/76.
Qual o valor mínimo para ativo imobilizado em 2026?
A contabilidade não define um valor mínimo: a empresa cria a própria política de capitalização. No imposto de renda, o art. 313 do RIR/2018 permite deduzir como despesa bens de até R$ 1.200 por unidade ou com vida útil de até um ano. Confirme o limite vigente com o contador.
Qual o CFOP de ativo imobilizado?
Na compra, o CFOP de entrada é 1551 dentro do estado, 2551 de outro estado e 3551 na importação. Na venda de bem do imobilizado, a saída usa 5551 dentro do estado e 6551 para outro estado. Valide o código com o contador antes de emitir a nota.
Tem ICMS na compra de ativo imobilizado?
Sim, a nota traz ICMS. Para contribuintes do regime normal, o crédito pode ser aproveitado em 48 parcelas mensais, conforme a Lei Complementar 87/96, e não compõe o custo do bem. No Simples Nacional, em regra, o crédito não é apropriado. Compras interestaduais podem ter DIFAL.
Como saber se é ativo imobilizado ou uso e consumo?
Se o bem dura mais de um ano, é usado na atividade, não se destina à venda e tem valor acima do limite da política da empresa, é imobilizado. Se é consumido rápido ou tem valor baixo, como papel, toner e lâmpadas, é uso e consumo e vai para despesa no mês.
Imobilizado é ativo ou passivo?
É ativo. Representa bens que a empresa possui e usa. Mesmo que o bem tenha sido comprado com financiamento, a máquina fica no ativo e a dívida fica no passivo. O imobilizado compõe o ativo não circulante, porque não se converte em caixa em até 12 meses.
O terreno é depreciado?
Não. O terreno tem vida útil indefinida e não perde valor pelo uso, então fica no imobilizado pelo custo, sem depreciação. A edificação construída sobre ele é depreciada normalmente. Se houver sinal de perda de valor, aplica-se o teste de recuperação do CPC 01.
Qual a diferença entre imobilizado e intangível?
O imobilizado tem forma física, como máquinas e veículos, e é depreciado conforme o CPC 27. O intangível não tem forma física, como marcas, patentes e software, e é amortizado conforme o CPC 04 quando a vida útil é definida. Os dois ficam no ativo não circulante.


