Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP
Valor patrimonial e valor contábil: o que são, como calcular e a diferença para o valor de mercado

Valor patrimonial é o quanto a empresa vale segundo a contabilidade: a soma de tudo o que ela possui (ativos) menos tudo o que ela deve (passivos), o que é o mesmo que o patrimônio líquido. Já o valor contábil é o número pelo qual um item específico, como uma máquina, está registrado no balanço.
Como calcular o valor contábil e o valor patrimonial, e em que eles diferem do valor de mercado, são as primeiras questões, seguidas do funcionamento do VPA e do P/VPA. Um exemplo completo com uma PME fictícia mostra o que fazer com esses números na rotina financeira.
O que é valor patrimonial e o que é valor contábil?
As duas expressões vêm da mesma fonte: o balanço patrimonial, a demonstração que fotografa o que a empresa tem e o que ela deve numa data. Por isso, nas buscas e até entre profissionais, os termos se misturam. Vale separar os dois usos.
Valor contábil é o valor pelo qual um ativo ou um passivo está registrado na contabilidade. No caso de um bem do ativo imobilizado, é o custo de aquisição menos a depreciação acumulada e menos eventuais perdas por redução ao valor recuperável. Uma máquina comprada por R$ 240.000 e já depreciada em R$ 96.000 tem valor contábil de R$ 144.000. Também é chamado de valor contábil líquido ou valor contabilístico.
Valor patrimonial é o valor contábil da empresa inteira, ou seja, o patrimônio líquido. Em empresas com ações ou cotas, divide-se esse total pela quantidade de papéis e chega-se ao valor patrimonial por ação (VPA) ou por cota. É a resposta para "quanto sobraria para os sócios se a empresa pagasse todas as dívidas com os bens que tem registrados".
Esse número nasce do conjunto das demonstrações contábeis, em especial do balanço, e segue as regras de reconhecimento e mensuração do CPC e das normas IFRS. Por isso ele é confiável como registro, mas nem sempre é igual ao que alguém pagaria pela empresa hoje.
Qual a diferença entre valor contábil e valor patrimonial?
A diferença é de escala. O valor contábil se refere a um item (um veículo, um software, um estoque, uma dívida). O valor patrimonial se refere ao todo: é a soma de todos os valores contábeis dos ativos, subtraída dos valores contábeis dos passivos.
Na prática, quem pergunta "qual o valor contábil da empresa" quer o valor patrimonial, e quem pergunta "qual o valor patrimonial de um imóvel" quer o valor contábil dele (ou o valor venal, explicado mais abaixo). Deixe escrito nos relatórios o que cada termo significa.
Como o valor patrimonial sai do balanço, ele depende de duas coisas: do que foi registrado e de como foi avaliado. Para entender melhor o que entra de cada lado, vale revisar o conceito de ativo e passivo.
Como calcular o valor patrimonial da empresa?
O cálculo é direto. O difícil costuma ser garantir que o balanço esteja certo antes de calcular.
Fórmula: Valor patrimonial = Ativo total − Passivo total (circulante + não circulante) = Patrimônio líquido
O resultado é o patrimônio líquido, que reúne capital social, reservas, lucros acumulados e outros componentes, menos prejuízos acumulados. Se o resultado for negativo, a empresa tem passivo a descoberto: deve mais do que possui, pelos registros contábeis.
Passo a passo:
- Pegue o balanço fechado do período, já conciliado e sem lançamentos pendentes.
- Some o ativo total: circulante e não circulante.
- Some o passivo total, também separando o circulante e o não circulante.
- Subtraia o passivo do ativo. O resultado deve bater com o patrimônio líquido do balanço. Se não bater, há erro de lançamento ou de classificação.
- Se for calcular por ação ou por cota, divida pelo número de ações ou cotas em circulação (sem as mantidas em tesouraria).
A regra vale para qualquer empresa. O que muda é o peso de cada grupo: uma distribuidora concentra valor em estoques e contas a receber, uma indústria em máquinas, e uma holding patrimonial em participações e imóveis. Quando a holding controla outras empresas, a consolidação contábil soma os balanços do grupo e elimina as operações entre elas.
Como calcular o valor contábil de um ativo?
O valor contábil de um ativo muda ao longo do tempo. Parte do custo vira despesa a cada período, e o valor registrado cai.
Fórmula: Valor contábil = Custo de aquisição − Depreciação (ou amortização) acumulada − Perdas por redução ao valor recuperável
Ativos tangíveis: depreciação
Máquinas, veículos, móveis e edificações perdem valor pelo uso e pelo tempo. Pelo método linear, o custo (menos o valor residual, se houver) é dividido pela vida útil. O cálculo completo, com tabela de taxas, está em depreciação e amortização. O controle de cada bem, com plaqueta, localização e vida útil, é parte do ativo imobilizado.
Ativos intangíveis: amortização
Software, marcas adquiridas, licenças e carteira de clientes comprada são amortizados quando têm vida útil definida. O ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não é amortizado: fica registrado e passa por teste anual de recuperabilidade. O assunto está em ativo intangível e goodwill.
Estoques, contas a receber e dívidas
Estoques ficam pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido. Contas a receber ficam pelo valor líquido da provisão para perdas esperadas, tema de provisão e PDD. Dívidas ficam pelo saldo devedor com os encargos já reconhecidos.
Redução ao valor recuperável (impairment)
Se o valor contábil de um ativo passar do que se espera recuperar com ele, a empresa registra uma perda. O CPC 01 define o valor recuperável como o maior valor entre o valor justo líquido das despesas de venda e o valor em uso (o valor presente dos fluxos de caixa que o ativo vai gerar). A perda é a diferença, e ela reduz o valor contábil e o resultado do período.
Exemplo: a máquina de R$ 240.000, com vida útil de 10 anos, tem depreciação de R$ 24.000 por ano. Após 4 anos, a depreciação acumulada é R$ 96.000 e o valor contábil é R$ 144.000. Se, por mudança tecnológica, o valor recuperável cair para R$ 120.000, a empresa reconhece uma perda de R$ 24.000 e o valor contábil passa a ser R$ 120.000. Dali em diante, a depreciação é recalculada sobre o novo valor.
O que é valor patrimonial por ação (VPA) e por cota?
O VPA responde: "quanto do patrimônio líquido corresponde a cada ação?". É o valor patrimonial dividido pelo número de ações.
Fórmula: VPA = Patrimônio líquido ÷ Número de ações em circulação
Para fundos, usa-se a mesma ideia: o valor patrimonial por cota é o patrimônio líquido do fundo dividido pelo número de cotas emitidas. Em sociedades limitadas, que não têm ações, vale o mesmo raciocínio com as quotas do capital social.
O investidor compara o VPA com o preço que o mercado paga. A razão entre os dois é o P/VPA (ou P/VP):
Fórmula: P/VPA = Preço da ação ÷ VPA
Imagine uma ação negociada a R$ 18,00 com VPA de R$ 12,00. O P/VPA é 1,5: o mercado paga uma vez e meia o patrimônio contábil por cada papel. Abaixo de 1, o mercado cota a empresa por menos do que o patrimônio registrado, o que pode indicar desconfiança sobre a qualidade dos ativos ou sobre a capacidade de gerar lucro. O indicador sozinho não diz se a ação está cara ou barata. Compare sempre com empresas do mesmo setor e olhe junto a rentabilidade, como o ROE: um ROE alto justifica um P/VPA mais alto.
Valor contábil, valor patrimonial e valor de mercado: qual a diferença?
O valor de mercado é o preço que um comprador aceitaria pagar e um vendedor aceitaria receber. Para uma empresa de capital aberto, é o preço da ação vezes o número de ações. Para uma PME fechada, não há cotação: ele se forma numa negociação ou numa avaliação (valuation).
Contabilmente, a maior parte dos ativos fica pelo custo histórico, e não pelo preço atual. Um galpão comprado há 15 anos pode estar no balanço por uma fração do que vale hoje. Ao mesmo tempo, o balanço quase nunca registra a marca construída pela própria empresa, a carteira de clientes e o conhecimento do time, que valem muito e não aparecem como ativo. Por isso o valor patrimonial e o valor de mercado quase nunca coincidem.
| Critério | Valor contábil | Valor patrimonial | Valor de mercado |
|---|---|---|---|
| O que mede | Um ativo ou passivo específico | A empresa inteira (patrimônio líquido) | Quanto um comprador paga pela empresa ou pelo ativo |
| Base | Custo histórico menos depreciação e perdas | Ativos menos passivos pelos valores contábeis | Oferta e demanda, ou fluxo de caixa futuro |
| Fonte | Contabilidade (razão e balanço) | Balanço patrimonial | Negociação, cotação ou avaliação |
| Muda quando | Há depreciação, baixa ou perda | Há lucro, prejuízo, aporte ou distribuição | Mudam as expectativas ou o mercado |
| Uso principal | Controle patrimonial e apuração de ganho ou perda na venda | Análise de solidez, P/VPA, apuração de haveres | Compra e venda, entrada de sócios, captação |
| Limite | Pode estar longe do preço real do bem | Ignora ativos não registrados e lucros futuros | Depende de premissas e do momento |
Existe ainda o valor patrimonial ajustado (ou patrimônio líquido ajustado a valor justo): parte do valor patrimonial e reavalia os itens mais relevantes a preços atuais. É um meio-termo comum em avaliações de empresas com muitos imóveis ou estoques, e em apuração de haveres quando um sócio sai. Ele ainda não captura o lucro futuro. Para isso, usa-se o fluxo de caixa descontado.
Exemplo prático: valor patrimonial de uma distribuidora (PME fictícia)
Imagine a Distribuidora Alfa, uma empresa fictícia de materiais de construção que fatura R$ 1,5 milhão por mês. Ela é uma sociedade limitada com 800.000 quotas. O balanço do fim do ano tem os seguintes números.
| Grupo do balanço | Item | Valor (R$) |
|---|---|---|
| Ativo circulante | Caixa e bancos | 300.000 |
| Ativo circulante | Contas a receber (líquidas da provisão) | 1.100.000 |
| Ativo circulante | Estoques | 1.400.000 |
| Ativo não circulante | Imobilizado (custo 5.200.000 menos depreciação acumulada 1.500.000) | 3.700.000 |
| Ativo não circulante | Intangível (software e licenças) | 500.000 |
| Ativo total | 7.000.000 | |
| Passivo circulante | Fornecedores, tributos e salários | 1.300.000 |
| Passivo não circulante | Financiamentos de longo prazo | 1.700.000 |
| Passivo total | 3.000.000 | |
| Patrimônio líquido | Ativo total menos passivo total | 4.000.000 |
Passo 1, valor contábil do imobilizado: 5.200.000 − 1.500.000 = R$ 3.700.000.
Passo 2, valor patrimonial: 7.000.000 − 3.000.000 = R$ 4.000.000.
Passo 3, valor patrimonial por quota: 4.000.000 ÷ 800.000 = R$ 5,00.
Agora o ajuste a valores atuais. Uma avaliação independente mostrou que o imobilizado, quase todo formado por galpão e terreno, vale R$ 4.600.000, ou seja, R$ 900.000 a mais do que o valor contábil de R$ 3.700.000. Parte do estoque está parada: o valor realizável é R$ 150.000 menor que o registrado. E a provisão para devedores duvidosos está R$ 100.000 aquém do que a carteira de cobrança sugere.
| Ajuste | Efeito no patrimônio (R$) |
|---|---|
| Valor patrimonial contábil | 4.000.000 |
| Imobilizado a valor justo (4.600.000 − 3.700.000) | + 900.000 |
| Estoque sem giro a valor realizável | − 150.000 |
| Provisão para devedores duvidosos insuficiente | − 100.000 |
| Valor patrimonial ajustado | 4.650.000 |
Conta: 4.000.000 + 900.000 − 150.000 − 100.000 = R$ 4.650.000. Por quota, 4.650.000 ÷ 800.000 = R$ 5,81 (arredondado). Para simplificar, o exemplo ignora o efeito de tributos sobre a reavaliação, que na prática precisa entrar.
Por fim, suponha que um interessado ofereça R$ 7.200.000 pela totalidade das quotas. O preço por quota é 7.200.000 ÷ 800.000 = R$ 9,00, e o P/VPA é 9,00 ÷ 5,00 = 1,8, ou 7.200.000 ÷ 4.000.000 = 1,8. O comprador paga R$ 3.200.000 acima do patrimônio contábil (7.200.000 − 4.000.000) porque enxerga lucros futuros, marca, carteira de clientes e operação rodando. Se a compra se concretizar, o que sobrar do preço depois de reconhecer os ativos a valor justo é registrado pelo comprador como goodwill.
A leitura para o dono: a empresa vale mais que o balanço mostra, mas parte dessa diferença depende de provar a qualidade dos números. É isso que o comprador vai testar na due diligence.
Como o valor patrimonial funciona na rotina de uma PME
Para a maioria das PMEs, o valor patrimonial não é um número de bolsa. É um termômetro de solidez, a base de negociações com sócios e bancos e um ponto de partida para decidir o que fazer com o dinheiro que fica na empresa.
Passo a passo para acompanhar na rotina
- Feche o mês de verdade. Concilie bancos, cartões e contas a receber antes de olhar o patrimônio. Balanço com saldos não conferidos produz patrimônio errado.
- Revise o plano de contas e a classificação. Despesa lançada como ativo infla o patrimônio, e investimento lançado como despesa o reduz.
- Acompanhe a variação mensal do patrimônio líquido. Ela deve ser explicada por lucro, prejuízo, aportes e retiradas. É o que a DMPL mostra de forma organizada.
- Atualize o controle patrimonial: bem baixado, vendido ou sucateado sai do balanço.
- Revise provisões e estoque ao menos a cada trimestre, para que o patrimônio não esteja superavaliado.
- Cruze com os demais números da gestão: o valor patrimonial combina com o fluxo de caixa, a DRE e os indicadores financeiros.
Erros comuns
- Tratar o valor patrimonial como valor de venda. Quem usa o patrimônio contábil para precificar a empresa deixa dinheiro na mesa, ou aceita preço baixo, ou pede um preço que o mercado não paga.
- Misturar pessoa física e empresa. Despesas do sócio pagas pelo caixa e bens pessoais registrados na empresa distorcem o balanço e geram problema na apuração de haveres.
- Esquecer a depreciação. Sem ela, o imobilizado fica superavaliado e o lucro, também.
- Manter no ativo o que não existe mais: estoque obsoleto, duplicatas incobráveis e bens vendidos.
- Confundir lucro com caixa. O patrimônio pode crescer enquanto o caixa aperta, porque o lucro ficou em estoque e em contas a receber.
- Ler o patrimônio sem olhar a dívida. Um patrimônio alto financiado por dívida curta é arriscado. Complemente com os índices de endividamento.
Como ler o número para decidir
- Patrimônio crescendo com lucro e caixa saudável: a empresa acumula riqueza. Defina uma política de distribuição e reinvestimento.
- Patrimônio estável com lucro alto: o lucro está saindo na forma de retiradas ou sendo consumido. Verifique se isso é planejado.
- Patrimônio caindo: há prejuízos, retiradas acima do lucro ou baixas de ativos. Investigue a causa no mês em que começou.
- Patrimônio negativo: passivo a descoberto. Renegocie dívidas, avalie aporte dos sócios e leve o assunto a bancos e fornecedores antes que eles o descubram.
- Diferença grande entre o patrimônio contábil e o ajustado: vale reavaliar imóveis e outros ativos relevantes antes de negociar com sócio, banco ou comprador.
Em todos os casos, a leitura mensal precisa de um balanço confiável e de um padrão gerencial: é o que a contabilidade gerencial organiza, com relatórios que o dono lê sem precisar ser contador, como o pacote de relatórios gerenciais do fechamento.
Para que serve o valor patrimonial e quais são seus limites?
Usos principais
- Entrada ou saída de sócio: a apuração de haveres do sócio que se retira costuma partir do valor patrimonial, em geral ajustado, conforme o contrato social. O ideal é definir o critério antes, no contrato.
- Crédito: bancos olham o patrimônio líquido como colchão de proteção para os credores, e algumas cláusulas exigem patrimônio mínimo.
- Compra e venda da empresa: serve de piso de referência numa negociação de fusões e aquisições, não de preço final. Projetos assim fazem parte do On Demand da BGP.
- Holdings e planejamento patrimonial: quando o sócio integraliza capital com bens, a Lei 9.249/95 (art. 23) permite usar o valor declarado no Imposto de Renda ou o valor de mercado; a escolha tem efeito tributário.
- Análise de investimento: na bolsa, o P/VPA compara preço e patrimônio.
- Gestão de retorno: o patrimônio multiplicado pela taxa de retorno exigida dá o custo do capital próprio, que separa lucro contábil e lucro econômico e é a base do valor econômico adicionado.
O que colocar no valor de patrimônio em cadastros e declarações?
A resposta depende de onde o número vai.
- Balanço da empresa: o valor contábil dos bens e direitos menos as obrigações, conforme as normas contábeis e os princípios contábeis. A base de cada critério deve estar descrita nas notas explicativas.
- Declaração de Imposto de Renda da pessoa física: a Receita Federal orienta declarar os bens e direitos pelo custo de aquisição, não pelo valor de mercado.
- Cadastro bancário ou financiamento: informe o que consegue comprovar com documentos e deixe claro de onde vem cada valor.
Limites do valor patrimonial
O valor patrimonial é objetivo e verificável, mas deixa de fora muita coisa:
- Ativos não registrados. A marca criada pela própria empresa, o relacionamento com clientes e o conhecimento do time geralmente não estão no balanço.
- Custo histórico. Imóveis e terrenos comprados há anos estão registrados por valores defasados.
- Lucros futuros. Uma empresa pequena em ativos, mas com receita recorrente e margem alta, vale muito mais que seu patrimônio. Para esse perfil, o método é o valuation por fluxo de caixa.
- Estimativas. Vida útil, provisões e valor recuperável envolvem julgamento, e dois contadores podem chegar a números diferentes.
Por isso, ninguém decide só pelo valor patrimonial. Ele é o ponto de partida: mostra a base de ativos, e o resto vem da capacidade de gerar caixa.
O que é valor patrimonial tributário (VPT) e valor venal?
Parte das buscas por "valor patrimonial" tem outra intenção: imóveis. O valor patrimonial tributário (VPT) é um termo usado em Portugal, que serve de base para impostos sobre o imóvel. No Brasil, o equivalente é o valor venal, definido pela prefeitura e usado como base do IPTU e do ITBI. Ele não se confunde com o valor contábil do imóvel na empresa, nem com o preço de mercado.
Numa empresa que tem imóveis, convivem três números: o contábil (custo menos depreciação), o venal (para o imposto) e o de mercado (o que se obtém na venda). Em planejamentos patrimoniais e em reorganizações societárias, a escolha de qual usar muda a tributação. Nesses casos, consulte o contador responsável antes de decidir.
Onde a BGP entra nesse assunto
O valor patrimonial só serve se o balanço estiver certo, e isso depende de rotina: conciliação, classificação correta, controle dos bens e fechamento mensal. Na Controladoria da BGP, o time opera esse ciclo com a gestão da empresa, e o GO BI, da frente de Analytics, mostra patrimônio, caixa, DRE e indicadores no mesmo painel, o que ajuda a enxergar o efeito de cada decisão no patrimônio, como num bom dashboard financeiro.
Quando a pergunta é pontual (quanto vale a empresa, como ajustar o patrimônio para uma venda, a entrada de um sócio ou uma captação), o caminho é um projeto do On Demand, com valuation por fluxo de caixa descontado, análise de sensibilidade e preparação dos números para a negociação.
Perguntas frequentes sobre valor patrimonial
O que é valor patrimonial?
É o valor da empresa segundo a contabilidade: o ativo total menos o passivo total, igual ao patrimônio líquido. Mostra quanto restaria aos sócios se todos os bens registrados fossem usados para pagar as dívidas. Não é o preço de venda, porque os ativos ficam registrados pelo custo e não incluem a marca nem os lucros futuros.
Como achar o valor patrimonial?
Abra o balanço patrimonial, some o ativo total e subtraia o passivo total (circulante e não circulante). O resultado deve ser igual ao patrimônio líquido que consta no balanço. Para o valor por ação ou por cota, divida o patrimônio líquido pela quantidade de ações ou cotas em circulação.
Qual a diferença entre valor contábil e valor patrimonial?
Valor contábil é o valor registrado de um item, como uma máquina ou uma dívida. Valor patrimonial é o valor contábil da empresa inteira, isto é, o patrimônio líquido. Na prática, os termos aparecem misturados, por isso vale definir o significado em cada relatório.
O que é valor patrimonial por cota?
É o patrimônio líquido de um fundo (ou de uma sociedade dividida em quotas) dividido pelo número de cotas emitidas. Mostra quanto do patrimônio contábil corresponde a cada cota. Quando o preço negociado fica acima do valor patrimonial por cota, o mercado paga ágio sobre o patrimônio; abaixo, paga com desconto.
O que colocar no valor de patrimônio?
Depende do uso. No balanço da empresa, entram os bens e direitos pelo valor contábil, menos as obrigações. Na declaração de Imposto de Renda da pessoa física, a Receita Federal orienta declarar os bens pelo custo de aquisição. Em cadastros de crédito, informe o que puder comprovar com documentos.
Valor patrimonial é o mesmo que valor de mercado?
Não. O valor patrimonial vem do balanço e se baseia em custo histórico. O valor de mercado é o preço que um comprador aceita pagar, e leva em conta lucros futuros, marca e carteira de clientes. Empresas lucrativas costumam valer mais que o patrimônio; empresas com ativos defasados ou prejuízos recorrentes podem valer menos.
O que significa P/VPA abaixo de 1?
Significa que o mercado cota a empresa por menos que o patrimônio contábil. Pode ser oportunidade, mas também sinal de desconfiança sobre a qualidade dos ativos, sobre a rentabilidade ou sobre dívidas. Compare com empresas do mesmo setor e olhe o ROE antes de tirar conclusões.
Com que frequência a PME deve calcular o valor patrimonial?
Todo mês, junto com o fechamento, para acompanhar a variação do patrimônio líquido. A reavaliação de ativos a valor justo é mais rara: costuma ser feita quando há venda, entrada de sócio, captação ou revisão de contrato social, e com apoio de laudo de avaliação.


