Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP
Hedge: o que é, como funciona, tipos (cambial, juros, commodities) e quando a empresa deve usar

Hedge é uma operação de proteção financeira: a empresa assume uma posição que compensa, no todo ou em parte, a perda que sofreria se o dólar, os juros ou o preço de uma commodity se movessem contra ela. O hedge não busca lucro; busca previsibilidade do caixa e da margem.
Proteger ou não uma exposição é a decisão central, e a página ajuda a tomá-la apresentando os tipos de hedge (cambial, de juros, de commodities e natural), os instrumentos e um exemplo numérico com contas fechadas. Trata também dos custos, dos erros comuns e da rotina de uma PME nessa escolha.
O que é hedge e para que serve?
A palavra vem do inglês e significa "proteção" ou "cerca viva": algo que delimita e protege. Em finanças, hedge (ou hedging, a ação de fazer o hedge) é qualquer estratégia que reduz a incerteza de um número que a empresa não controla. Quem importa insumos não controla o dólar. Quem tem dívida atrelada ao CDI não controla a Selic. Quem compra aço, trigo ou combustível não controla o preço da commodity.
O ponto central é a exposição: o valor que fica sujeito à oscilação de uma variável de mercado. O hedge não elimina o risco, ele o troca por outro mais previsível. A empresa abre mão de ganhar caso o mercado se mova a favor dela, e em troca fica protegida se o mercado se mover contra. Por isso o hedge é uma ferramenta de gestão de riscos financeiros, e não de aposta.
Também por isso hedge e especulação são opostos. Quem faz hedge parte de uma exposição que já existe no negócio (uma dívida em dólar, uma compra futura de matéria-prima). Quem especula cria uma exposição nova na esperança de ganhar. Uma operação com derivativos sem exposição real por trás é especulação, mesmo que a empresa a chame de proteção.
O que é uma operação de hedge e como ela funciona?
Uma operação de hedge tem sempre duas pontas. Na primeira está o objeto protegido: o pagamento em dólar, a dívida pós-fixada, a compra de insumo. Na segunda está o instrumento de proteção: um contrato cujo resultado se move no sentido contrário ao do objeto protegido. Se o objeto perde R$ 100, o instrumento ganha perto de R$ 100. O saldo final fica travado.
A operação segue quatro passos:
- Mapear a exposição: quanto, em que moeda ou índice, e em que data. O setor de tesouraria costuma ser o dono dessa informação.
- Definir quanto proteger: raramente 100%. Proteger metade ou dois terços da exposição é comum, porque a previsão de pagamentos nunca é exata.
- Escolher o instrumento: contrato futuro, NDF, opção ou swap, conforme prazo, valor e custo.
- Acompanhar até o vencimento: comparar o resultado do instrumento com a variação do objeto protegido e liquidar a operação.
A empresa pode contratar o hedge com um banco (operação de balcão, sob medida) ou na bolsa, a B3, com contratos padronizados. Os dois ambientes têm regras próprias, mas a lógica é a mesma.
Quais são os tipos de hedge?
O tipo de hedge é definido pela variável de mercado de que a empresa quer se proteger. A tabela abaixo resume os principais, com o exemplo de PME que mais aparece na prática.
| Tipo | Risco que protege | Exemplo na PME | Instrumentos mais usados |
|---|---|---|---|
| Hedge cambial | Variação do dólar, do euro ou de outra moeda | Importadora que paga o fornecedor em dólar daqui a 90 dias | NDF, contrato futuro de dólar, opções de câmbio |
| Hedge de juros | Alta ou queda de uma taxa ou índice (CDI, IPCA, SOFR) | Empresa com empréstimo atrelado ao CDI que quer parcela previsível | Swap, contratos futuros de juros |
| Hedge de commodities | Preço de um insumo ou produto cotado em bolsa | Frigorífico, indústria de alimentos ou transportadora exposta a grão, boi, aço ou diesel | Contratos futuros, opções, termo |
| Hedge natural | Descasamento entre moedas de receitas e custos | Exportadora que paga parte dos custos em dólar | Nenhum: é uma decisão de estrutura |
| Hedge de ações | Queda no preço de uma participação ou carteira | Holding com carteira de ações em caixa de longo prazo | Opções de venda, contratos futuros de índice |
Hedge cambial
É o que mais interessa à PME brasileira. O hedge cambial protege contas a pagar ou a receber em moeda estrangeira: importações, dívidas em dólar, licenças de software, receitas de exportação. Ele trava a taxa de câmbio de uma data futura, de modo que o custo ou a receita em reais fique conhecido hoje.
Hedge de juros
Protege a empresa que tem dívida com taxa variável ou aplicação com taxa fixa. O caso típico é o empréstimo pós-fixado, cuja parcela sobe quando o CDI sobe. Com um swap, a empresa troca o indexador variável por uma taxa fixa, e a parcela vira previsível. Se a dívida pesa no caixa, vale cruzar com o que você vê em captação de recursos, porque a escolha entre taxa fixa e pós-fixada já nasce na contratação.
Hedge de commodities
Protege o preço de um insumo (ou de um produto que a empresa vende) cotado em bolsa. O hedge pode ser feito para o lado da compra, para travar o custo, ou para o lado da venda, para travar a receita. No agro e na indústria de alimentos, é rotina; em outros setores, aparece menos.
Hedge natural
É a proteção que dispensa contrato: casar entradas e saídas na mesma moeda. Uma exportadora que tem custos em dólar (frete internacional, insumo importado) já compensa parte do risco, porque quando o dólar sobe, a receita sobe e o custo também. É o hedge mais barato que existe e deve ser o primeiro a ser avaliado.
Hedge de investimento líquido no exterior
É um conceito contábil, e não um instrumento novo: grupos que têm controlada fora do país podem proteger, com dívida ou derivativo em moeda estrangeira, a variação do valor dessa participação. Interessa a grupos empresariais maiores e vale um comentário com a contabilidade, mais do que uma ação da PME comum.
Quais são os instrumentos de hedge e qual a diferença entre swap e hedge?
Essa é uma dúvida frequente: hedge é o objetivo; swap é um dos instrumentos para chegar lá. Hedge é a estratégia de se proteger. Swap, futuro, NDF e opção são os contratos que executam a estratégia. Um swap só é hedge quando a empresa o contrata para compensar uma exposição que já tem. Se ele é contratado sem exposição por trás, não protege nada.
| Instrumento | Como funciona | Onde é negociado | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Contrato futuro | Compromisso de comprar ou vender um ativo (dólar, boi, milho) numa data futura, a um preço combinado | Bolsa (B3) | Tem ajuste diário: a empresa precisa de caixa para margem de garantia |
| NDF (non-deliverable forward) | Contrato a termo de moeda, liquidado só pela diferença financeira, sem entrega do dólar | Balcão, com banco | Sob medida em valor e prazo; o banco cobra pelo risco e exige limite de crédito |
| Opção | Direito (não obrigação) de comprar ou vender a um preço definido, mediante pagamento de prêmio | Bolsa ou balcão | O prêmio é um custo certo, mas a empresa não perde com o movimento favorável |
| Swap | Troca de indexadores entre duas partes (por exemplo, CDI por taxa fixa, ou dólar por CDI) | Balcão | Pode ter ajuste mensal ou só no vencimento; avaliar o risco da contraparte |
| Termo de mercadoria | Compra ou venda de mercadoria física a preço e prazo combinados | Direto com fornecedor ou cliente | Não usa derivativo, mas depende do cumprimento da outra parte |
A diferença entre contrato futuro e termo também confunde. O futuro é padronizado, negociado em bolsa e ajustado todos os dias. O termo e o NDF são contratos privados, com data e valor combinados, e geralmente acertados só no vencimento.
Exemplo prático de hedge cambial
Imagine uma importadora de equipamentos industriais, fictícia, com faturamento de R$ 1,5 milhão por mês. Ela fechou a venda de um lote por R$ 1.300.000, com preço fixo, e precisa pagar ao fornecedor US$ 200.000 em 90 dias. Hoje o dólar está a R$ 5,00. A empresa contrata um NDF de compra de US$ 200.000, com taxa a termo de R$ 5,10 (a diferença de R$ 0,10 sobre o dólar de hoje reflete o diferencial de juros embutido pelo banco).
Fórmula: custo com hedge = pagamento ao dólar do vencimento + resultado do NDF, em que resultado do NDF = (dólar no vencimento − taxa do NDF) × valor em dólar.
| Cenário em 90 dias | Dólar | Pagamento ao fornecedor | Resultado do NDF | Custo final com hedge | Margem bruta com hedge |
|---|---|---|---|---|---|
| Dólar sobe | R$ 5,60 | R$ 1.120.000 | + R$ 100.000 | R$ 1.020.000 | R$ 280.000 (21,5%) |
| Dólar fica igual | R$ 5,00 | R$ 1.000.000 | − R$ 20.000 | R$ 1.020.000 | R$ 280.000 (21,5%) |
| Dólar cai | R$ 4,70 | R$ 940.000 | − R$ 80.000 | R$ 1.020.000 | R$ 280.000 (21,5%) |
Veja a conta do primeiro cenário: o fornecedor recebe US$ 200.000 × 5,60 = R$ 1.120.000. O NDF paga (5,60 − 5,10) × 200.000 = R$ 100.000. O custo final é 1.120.000 − 100.000 = R$ 1.020.000. A margem bruta é 1.300.000 − 1.020.000 = R$ 280.000, ou 21,5% da venda.
Agora compare com a empresa sem hedge. Se o dólar sobe a R$ 5,60, o custo vai a R$ 1.120.000 e a margem cai para R$ 180.000 (13,8%). Se o dólar cai a R$ 4,70, o custo é R$ 940.000 e a margem sobe para R$ 360.000 (27,7%). Sem hedge, a margem variou de 13,8% a 27,7% conforme a sorte do câmbio. Com hedge, ficou em 21,5% nos três cenários.
Repare no que o exemplo mostra: o hedge custou R$ 20.000 em relação ao dólar de hoje (a diferença entre 5,10 e 5,00 sobre US$ 200.000). A empresa pagou esse valor pela previsibilidade e abriu mão do ganho extra se o dólar cair. Isso não é erro, é o preço da previsibilidade. A pergunta certa é se uma margem de 13,8% ainda deixa a empresa pagar suas contas. Se sim, talvez nem precise de hedge. Se não, os R$ 20.000 são baratos.
Quando a PME deve usar hedge?
O hedge faz sentido quando três condições aparecem juntas: a exposição é relevante frente ao caixa e à margem, é previsível em valor e data e a empresa não consegue repassar a variação para o preço. Uma loja que reajusta o preço toda semana pode conviver com o dólar. Uma indústria com contrato de venda em reais por seis meses, não.
Alguns sinais de que a conta pede proteção:
- A margem de contribuição de um produto ou contrato é menor do que a variação possível do câmbio ou da commodity. Entender a margem de contribuição de cada linha mostra quem sofre mais.
- Há covenants financeiros no contrato de dívida: uma alta do dólar sobre uma dívida em moeda estrangeira pode estourar o índice de alavancagem e antecipar o vencimento.
- O capital de giro da empresa é apertado e um mau mês de câmbio abriria um buraco que o caixa não cobre.
- O contrato de venda tem preço fixo em reais, mas o custo é indexado a dólar ou a commodity.
Quando não usar hedge
Não vale a pena quando a exposição é pequena, quando o custo (corretagem, prêmio, spread do banco, tempo de gestão) é alto diante do risco, quando o preço pode ser repassado ao cliente ou quando a empresa não tem estrutura para acompanhar a operação. Um derivativo mal acompanhado é um risco novo, e não uma proteção.
Riscos e custos do hedge
Quatro pontos aparecem em quase toda operação:
- Custo explícito: prêmio da opção, spread do banco, corretagem e emolumentos da bolsa.
- Custo de oportunidade: se o mercado favorecer a empresa, o ganho fica com a contraparte.
- Risco de caixa: no contrato futuro, o ajuste diário pode exigir dinheiro antes do vencimento, mesmo que no fim a conta feche.
- Risco residual: a proteção raramente é perfeita; datas, valores e indexadores podem não casar exatamente.
Como o hedge funciona na rotina de uma PME
Hedge não é uma operação isolada: é uma rotina dentro da gestão financeira. Numa PME, ela começa pela gestão financeira básica em dia e passa por cinco etapas mensais.
Passo a passo
- Liste as exposições no fluxo de caixa. Pegue o fluxo de caixa projetado e realizado e marque tudo o que está em moeda estrangeira, atrelado a índice variável ou a commodity, com valor e data.
- Meça o impacto. Faça um cenário e uma análise de sensibilidade: se o dólar subir 10%, quanto cai a margem? E o caixa do mês do vencimento?
- Defina uma política. Quem aprova, qual percentual máximo da exposição protegido, quais instrumentos são permitidos e quais estão proibidos. Esse é o assunto da governança corporativa, e ajuda a impedir que o hedge vire especulação.
- Contrate e documente. Registre a ligação entre a operação e a exposição, com data, valor, taxa e objetivo.
- Acompanhe no fechamento do mês. No fechamento, compare o resultado do instrumento com a variação do objeto protegido e leve o número para a reunião de resultado.
Erros comuns
- Proteger 100% de uma exposição incerta. Se a importação atrasar ou o pedido cair, a empresa fica com um derivativo sem objeto, que vira especulação.
- Olhar só o resultado do derivativo. Um NDF que "perdeu dinheiro" no mês pode ter feito o trabalho dele; o que conta é o resultado somado ao do objeto protegido.
- Ignorar os controles. Operação de derivativo sem alçada, sem segregação entre quem contrata e quem registra e sem confirmação independente abre espaço para erro e fraude. Os controles internos existem para isso.
- Esquecer o caixa da margem. No contrato futuro, o ajuste diário sai do caixa; sem projeção, a empresa descobre o problema no meio do mês.
- Tratar o hedge como lucro. Medir o hedge pelo resultado financeiro isolado leva a decisões ruins: ele deve ser medido pela previsibilidade que entregou.
- Não revisar a posição. A exposição muda com vendas e compras novas, e o hedge precisa acompanhar.
Como ler o número para decidir
Olhe três números a cada fechamento: a exposição líquida (quanto ainda está sem proteção), o percentual protegido e a margem projetada com e sem hedge. Quando a exposição sem proteção cresce e a margem da DRE gerencial projetada diminui, aumente a cobertura. Quando o percentual protegido passa da exposição real, reduza: há sobra de contrato. Esses números cabem num dashboard financeiro mensal e dispensam planilha paralela.
Hedge accounting: como o hedge é contabilizado?
A contabilidade pode tratar o derivativo de duas formas. Sem a designação formal, o ganho ou a perda do instrumento vai direto ao resultado, enquanto o objeto protegido é reconhecido em outro momento. O resultado do mês oscila, mesmo que a operação esteja protegida economicamente.
Com a contabilidade de hedge (hedge accounting), a empresa documenta a relação entre o instrumento e o objeto protegido e passa a reconhecer os dois efeitos de forma casada. Isso suaviza o resultado e mostra o que de fato aconteceu. No Brasil, a norma é o CPC 48, alinhada ao IFRS 9; veja o contexto em IFRS e CPC. Para a maioria das PMEs, a prioridade é outra: registrar o hedge de forma consistente na gestão, mesmo que sem designação formal, para que o relatório gerencial mostre o efeito líquido da proteção.
Hedge funds: o que são os fundos de hedge?
Fundos de hedge (hedge funds) são fundos de investimento de gestão ativa, em geral voltados a investidores qualificados, que podem usar derivativos, operar vendido e alavancar posições. Apesar do nome, nem todo hedge fund faz hedge: muitos buscam retorno absoluto e assumem risco para isso. No Brasil, a maioria dos produtos chamados assim se enquadra na categoria de fundos multimercado, regulada pela CVM.
É um tema de investimento, não de gestão do risco operacional. Para a empresa que quer aplicar o caixa, a decisão cruza com a tesouraria e com a política de aplicação, e não com a rotina de hedge descrita acima.
Como o hedge se liga à gestão de riscos e ao plano de contingência
O hedge é uma das respostas possíveis a um risco de mercado, mas não é a única. Antes dele, vêm o repasse de preço, o hedge natural e a estrutura de dívida. Depois dele, o plano de contingência financeira define o que fazer se a proteção não bastar. Quando a exposição já virou um problema de dívida, o caminho passa pela reestruturação financeira. E, para empresas que financiam o capital de giro com recebíveis, a antecipação de recebíveis é outra decisão que carrega risco de taxa e de caixa.
Onde o hedge entra no trabalho da BGP
A BGP atende PMEs de todo o Brasil, com sede em Porto Alegre, desde 2010. Na frente On Demand, o FP&A sob demanda projeta o caixa e o resultado em cenários de câmbio, juros e preço de insumo, para que a diretoria decida quanto proteger antes de contratar qualquer instrumento. Na Controladoria, o fluxo de caixa projetado do ciclo mensal mostra quanto vence e quando, e a leitura dos números com a gestão, com o GO BI mostrando margem e caixa, é o lugar para olhar o efeito do câmbio. A BGP não vende derivativos nem recomenda produto: o trabalho é organizar os números para a decisão.
Se a sua empresa tem dívida em moeda estrangeira, importa insumos ou vende com preço fixo, o ponto de partida é simples: medir quanto a margem cai se o dólar mexer. Esse diagnóstico cabe num projeto pontual de análise financeira sob demanda.
Perguntas frequentes sobre hedge
O que é um hedge?
Hedge é uma proteção financeira contra a oscilação de dólar, juros ou preço de commodities. A empresa assume uma posição que compensa a perda de uma exposição que já tem, como uma dívida em dólar ou uma compra futura de insumo. O objetivo é travar custo ou receita, e não ganhar dinheiro.
O que é uma operação de hedge?
É a contratação de um instrumento (contrato futuro, NDF, opção ou swap) que se move no sentido contrário ao risco que a empresa quer cobrir. Se o dólar sobe e encarece a importação, o instrumento gera ganho que compensa. O resultado somado dos dois fica previsível.
O que é hedge em inglês?
Em inglês, hedge significa cerca viva, sebe, e por extensão proteção ou cobertura. Como verbo, to hedge é proteger-se contra uma perda. Em finanças, o termo foi adotado no Brasil sem tradução, e hedging designa o ato de fazer a proteção.
Qual a diferença entre swap e hedge?
Hedge é o objetivo, a estratégia de se proteger de um risco. Swap é um instrumento, um contrato de troca de indexadores (por exemplo, CDI por taxa fixa). O swap pode ser usado para fazer hedge, mas só é proteção quando existe uma exposição real que ele compensa.
O que é hedge cambial?
É a proteção contra a variação do câmbio em pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira. A empresa trava hoje a cotação de uma data futura, normalmente com NDF, contrato futuro de dólar ou opções. Assim, o custo da importação ou o valor da exportação em reais fica conhecido de antemão.
Hedge é a mesma coisa que seguro?
São parecidos, mas diferentes. No seguro, você paga um prêmio e recebe se o sinistro ocorrer. No hedge com contrato a termo ou futuro, não há prêmio, e a empresa abre mão do ganho se o mercado se mover a favor. Apenas a opção funciona como um seguro, com prêmio pago e ganho preservado.
Toda empresa precisa fazer hedge?
Não. Empresas sem exposição relevante a câmbio, juros ou commodities, ou que repassam a variação ao preço, não precisam. O hedge faz sentido quando a exposição é grande diante do caixa, previsível em data e valor e não pode ser repassada ao cliente.
Qual o custo de fazer hedge?
Depende do instrumento. A opção cobra um prêmio. O NDF e o swap embutem o spread do banco e o diferencial de juros entre as moedas. O contrato futuro tem corretagem, emolumentos e a margem de garantia, que imobiliza caixa. Cote com mais de uma instituição antes de decidir.


