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27 de setembro de 2024 · 8 min de leitura

Revisado por Vítor Bertuzzi, CIO da BGP

Custo de armazenagem: como calcular e reduzir o que corrói sua margem

Custo de armazenagem: como calcular e reduzir o que corrói sua margem

O custo de armazenagem é tudo o que a empresa gasta para manter mercadoria parada: aluguel do galpão, mão de obra, energia, seguro, perdas e o dinheiro imobilizado no estoque. Ele raramente aparece numa linha só na DRE, por isso passa batido. Para saber o tamanho dele, some tudo e divida pelo estoque médio.

Guia completo do tema: Dashboard financeiro: o que é, o que mostrar, exemplos e como montar (BI financeiro)

O que entra no custo de armazenagem?

Muita gente olha só o aluguel. O custo real é a soma de cinco grupos, e o último é o que quase ninguém conta.

  • Espaço: aluguel ou depreciação do galpão, condomínio, IPTU, energia, água e limpeza.
  • Movimentação: mão de obra de recebimento, separação e expedição, além de empilhadeira, paleteira e prateleiras (compra, manutenção e combustível).
  • Controle e proteção: sistema de estoque, inventário, câmeras, alarme, vigilância e seguro.
  • Perdas: avaria, vencimento, obsolescência, furto e erro de contagem.
  • Custo de capital: o dinheiro parado em mercadoria que poderia estar no caixa, pagando dívida ou rendendo.

Na contabilidade, esses valores se espalham: o aluguel cai em despesa, a mão de obra em folha, a perda em ajuste de estoque e o custo de capital não aparece em lugar nenhum. Por isso o gerenciamento de custos da operação precisa de um desenho próprio para a armazenagem.

Por que o custo de armazenagem fica escondido?

Três razões explicam por que ele sabota o lucro sem ninguém perceber.

A primeira é a pulverização. Cada gasto vive numa conta diferente, e ninguém soma. A segunda é que boa parte dele é custo fixo: o galpão custa o mesmo com o estoque cheio ou meio vazio, então o gasto não "avisa" quando a empresa compra demais. A terceira é a falta de rateio por produto. O balanço mostra o valor do estoque, mas não quanto custa mantê-lo item a item.

O resultado é uma margem que parece boa na venda e some depois. O produto vendeu com 35% de margem bruta, só que ficou 180 dias no galpão. Esse custo de espera não entrou na conta de ninguém. Quem quer enxergar o efeito completo deve ler também o texto sobre custo oculto de estoque.

Como calcular o custo de armazenagem da sua empresa?

O cálculo tem três passos, e uma planilha resolve.

  1. Liste todos os gastos mensais ligados a guardar e movimentar mercadoria, nos cinco grupos acima.
  2. Defina o custo de capital: estoque médio multiplicado pela taxa mensal que a empresa paga de dívida ou deixa de ganhar em aplicação.
  3. Divida o total pelo estoque médio (custo como % do estoque) e pela receita do mês (peso na receita).

Exemplo numérico com uma empresa fictícia

A Distribuidora Alfa é uma empresa inventada para este exemplo. Ela fatura R$ 1.200.000 por mês, com margem bruta de 30% (R$ 360.000) e estoque médio de R$ 1.500.000. Considere um custo de capital de 1% ao mês.

ItemValor mensal (R$)
Aluguel do galpão18.000
Energia e água2.500
Mão de obra (3 pessoas, com encargos)22.000
Seguro1.800
Sistema de estoque900
Avarias e perdas2.000
Custo de capital (1% de R$ 1.500.000)15.000
Total62.200

Os R$ 62.200 equivalem a 4,15% do estoque por mês e a 5,2% da receita. Contra a margem bruta de R$ 360.000, representam 17,3%. Na DRE, o dono veria no máximo R$ 47.200 (tudo, menos o custo de capital), e espalhados em várias contas. Os R$ 15.000 restantes são invisíveis, e são justamente os que crescem quando o estoque incha.

Quanto custa cada metro quadrado e cada produto parado?

O total ajuda, mas a decisão acontece no item. A conta é simples: pegue o custo fixo do espaço e divida pela área.

Na Alfa, aluguel, energia e mão de obra somam R$ 42.500 por mês para um galpão de 500 m². Isso dá R$ 85 por m². Um produto de baixo giro ocupa 10 m² e gera R$ 600 de margem por mês. Ele custa R$ 850 de espaço, então perde R$ 250 todo mês antes mesmo de contar o capital parado. Ou o preço sobe, e a conta de precificação de produtos mostra quanto, ou o item sai do galpão.

Esse raciocínio é o mesmo de um rateio de custos bem feito: o custo da estrutura é dividido pelo que realmente a consome. E o que o item consome é espaço multiplicado por tempo. Para ver a mesma ideia aplicada ao dinheiro parado, vale a leitura sobre quanto custa manter estoque parado.

Como reduzir o custo de armazenagem sem faltar produto?

Cortar estoque no escuro cria ruptura, e a venda perdida custa mais do que o galpão. A redução precisa seguir uma ordem.

1. Descubra o que gira e o que não gira

Classifique os itens pela curva ABC e meça o giro de estoque de cada classe. Os itens C de baixíssimo giro são os primeiros candidatos a promoção, devolução ao fornecedor ou fim de linha.

Leia também: Integração do BI com Conta Azul e Omie: como ter clareza dos números

2. Reorganize o espaço

Itens de alto giro ficam perto da expedição, e os de baixo giro vão para áreas altas ou menos nobres. Menos deslocamento significa menos horas de mão de obra por pedido separado. Se o galpão tem metros ociosos, renegocie o contrato ou devolva a área que não usa.

3. Compre em lotes que fazem sentido

Desconto por volume só vale se a economia na compra supera o custo de guardar o excedente. Na Alfa, comprar o dobro para ganhar 3% de desconto parece bom. O desconto sobre a compra dobrada equivale a 6% do valor do lote extra. Só que esse lote fica uns 60 dias parado e, pelo custo médio de armazenagem da Alfa (4,15% ao mês), custa cerca de 8,3% do próprio valor. A conta fecha no negativo. Se o galpão tem espaço ocioso, o custo de guardar a mais fica perto do custo de capital (1% ao mês) e a decisão pode virar. Por isso a conta é feita caso a caso.

4. Libere o caixa preso

Estoque que sai vira caixa. O passo a passo para isso está em como reduzir estoque parado sem comprometer o capital de giro.

Quais são os erros mais comuns ao controlar armazenagem?

  • Olhar só o aluguel. Mão de obra e capital parado costumam pesar mais que o espaço.
  • Ignorar o custo de capital. Ele não sai do banco, então parece que não existe, mas pesa no capital de giro.
  • Medir uma vez e esquecer. O custo muda com o volume, o contrato e a sazonalidade. Reveja todo mês.
  • Tratar todos os produtos igual. Sem rateio por item, o produto que perde dinheiro fica protegido por quem gera lucro.
  • Esquecer as perdas. Vencimento e avaria entram como ajuste de inventário e raramente chegam ao gestor como número.
  • Não separar o centro de custo. Sem um centro de custo próprio para o armazém, ninguém responde pelo gasto.

Como acompanhar a armazenagem na rotina de uma PME?

Uma rotina enxuta já resolve para a maioria das PMEs. Abra um centro de custo só para armazenagem e lance ali aluguel, mão de obra, energia, seguro e perdas. No fechamento do mês, calcule o custo como percentual do estoque e da receita, e compare com o mês anterior.

Depois, monte uma lista curta de acompanhamento:

  • Custo de armazenagem como % do estoque médio.
  • Custo de armazenagem como % da receita.
  • Giro por classe da curva ABC.
  • Estoque com mais de 90 dias parado, em reais.
  • Perdas do mês (avaria e vencimento), em reais.
  • Custo por m² do galpão e taxa de ocupação.

Quando esses números ficam num dashboard financeiro, o desvio aparece no mês em que acontece, e não no balanço do ano.

Onde a BGP entra nessa conta?

O serviço da BGP é a Controladoria: concilia, fecha o mês, projeta o caixa e lê os números com a gestão. Isso inclui montar o centro de custo da armazenagem e acompanhar o custo por item ao longo do ciclo.

Os indicadores desta página ficam no GO BI, o dashboard conectado ao seu ERP, que faz parte da frente de Analytics e vem incluso na Controladoria. Se você quer ver o custo de estoque no painel sem esperar planilha, conheça o GO BI. Para entender o impacto no caixa, veja o texto sobre ciclo operacional e financeiro.

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Perguntas frequentes sobre custo de armazenagem

O que é custo de armazenagem?

É o total gasto para guardar e movimentar mercadoria até a venda. Inclui espaço, mão de obra, energia, seguro, sistema de controle, perdas por avaria ou vencimento e o custo de capital do dinheiro parado em estoque. Somar tudo mostra o peso real sobre a margem.

Qual é a fórmula do custo de armazenagem?

Some todos os gastos mensais de armazenagem, incluindo o custo de capital (estoque médio vezes taxa mensal), e divida pelo estoque médio para ter o percentual. Divida também pela receita do mês para saber o peso no resultado. Compare mês a mês.

Custo de armazenagem entra no CMV?

Em geral, não. Pela norma contábil de estoques (CPC 16), o custo de armazenagem vai para despesa do período, exceto quando a armazenagem é necessária ao processo produtivo, entre uma etapa e outra. Para gestão, vale separar um centro de custo de armazenagem e acompanhar o total, qualquer que seja a classificação contábil.

Qual o percentual ideal de custo de armazenagem?

Não existe número único. Depende do setor, do valor unitário do produto e do giro. Em vez de buscar uma média de mercado, compare o seu percentual mês a mês e com o peso na margem bruta. Se a tendência é de alta, algo saiu do controle.

Vale a pena trocar o galpão próprio por um alugado?

Só a conta responde. Compare o custo mensal do espaço próprio (inclusive o capital imobilizado nele) com o aluguel de uma área do tamanho certo. Se o espaço fica ocioso ou a operação oscila, a flexibilidade do aluguel costuma pesar a favor.

Como saber quais produtos mais pesam na armazenagem?

Calcule o custo por m² do galpão, veja quantos metros cada item ocupa e por quantos dias, e compare com a margem que ele gera. Itens de baixo giro e muito volume são os que mais consomem espaço sem devolver margem.

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