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8 de outubro de 2026 · 15 min de leitura

Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP

Curva ABC: o que é, como fazer a análise ABC de estoque, clientes e produtos, com exemplo

Curva ABC: o que é, como fazer a análise ABC de estoque, clientes e produtos, com exemplo

Curva ABC é um método de classificação que ordena itens, como produtos, clientes ou fornecedores, pelo peso que cada um tem em um total, geralmente o faturamento ou o valor em estoque. Os itens da classe A concentram a maior parte do valor, os da classe B ficam no meio e os da classe C pesam pouco no total.

Como funciona a análise ABC e como fazer o cálculo passo a passo, inclusive no Excel, é o começo, com um exemplo completo com números e a interpretação de cada classe. Há também as variações para estoque, clientes, produtos e obras e os erros que mais aparecem na rotina de uma PME.

O que é a curva ABC e para que serve?

A curva ABC, também chamada de análise ABC ou classificação ABC, responde a uma pergunta simples: onde está o dinheiro? Em vez de tratar todos os itens como igualmente importantes, ela mostra quais poucos itens explicam a maior parte do resultado e quais muitos itens quase não mexem o ponteiro.

O nome vem das três classes em que os itens são divididos:

  • Classe A: poucos itens, grande parte do valor. Merecem controle próximo e decisão frequente.
  • Classe B: quantidade e valor intermediários. Pedem acompanhamento regular, mas sem a mesma urgência.
  • Classe C: muitos itens, pouco valor. Pedem regras simples e pouco tempo de gestão.

Os cortes mais usados são 80% do valor acumulado para a classe A, de 80% a 95% para a B e o restante para a C. Não é regra de lei: cada empresa ajusta os limites ao seu negócio. O que importa é que o critério fique escrito e seja o mesmo em toda revisão.

Atenção a uma confusão frequente: a curva ABC, que classifica itens, não é o custeio baseado em atividades (ABC), que é um método para alocar custos indiretos. Os dois usam a mesma sigla, mas respondem a perguntas diferentes. Este guia trata da curva de classificação.

Curva ABC e princípio de Pareto: de onde vem o 80/20

A curva ABC é a aplicação prática do princípio de Pareto, a observação do economista italiano Vilfredo Pareto de que uma minoria de causas costuma responder pela maioria dos efeitos. Na regra 80/20, cerca de 20% dos itens geram cerca de 80% do resultado.

Na prática, o 80/20 é uma referência, não uma lei. Numa distribuidora com 3 mil itens, 12% deles podem responder por 80% do faturamento; numa clínica, 5 procedimentos podem responder por 70% da receita. A curva ABC existe justamente para medir a sua distribuição real em vez de assumir uma proporção pronta.

O gráfico da curva ABC mostra isso: no eixo horizontal ficam os itens em ordem decrescente de valor, no vertical o percentual acumulado. A linha sobe rápido nos primeiros itens (classe A) e vai achatando até chegar a 100% (classe C).

Como fazer a curva ABC passo a passo

O cálculo da curva ABC cabe numa planilha. São seis passos:

  1. Defina o critério e o período. Faturamento, quantidade vendida, margem ou valor em estoque? Para vendas, use de 6 a 12 meses para diluir a sazonalidade.
  2. Liste os itens com o valor de cada um no período, extraído do ERP ou da planilha de vendas.
  3. Ordene do maior para o menor valor.
  4. Calcule a participação de cada item: valor do item dividido pelo valor total.
  5. Calcule o percentual acumulado, somando a participação linha a linha, de cima para baixo.
  6. Classifique pelos cortes. Percentual acumulado até 80%: classe A; de 80% a 95%: classe B; acima disso: classe C.

Fórmula: participação do item (%) = valor do item ÷ valor total × 100

Fórmula: percentual acumulado do item = percentual acumulado do item anterior + participação do item

Um detalhe de convenção: aqui, o item entra na classe A enquanto o acumulado dele não passa de 80%. Algumas empresas incluem também o item que cruza o limite. As duas regras são válidas; escolha uma e mantenha em todas as revisões.

Exemplo prático de curva ABC

Imagine uma distribuidora fictícia de materiais de limpeza e uma linha de 10 produtos que vendeu R$ 500 mil nos últimos 12 meses. A tabela abaixo já traz o ranking, a participação e o acumulado.

ProdutoVendas (R$ mil)ParticipaçãoAcumuladoClasse
P118036,0%36,0%A
P211022,0%58,0%A
P37014,0%72,0%A
P4408,0%80,0%A
P5306,0%86,0%B
P6255,0%91,0%B
P7173,4%94,4%B
P8132,6%97,0%C
P991,8%98,8%C
P1061,2%100,0%C

Conferindo as contas: 180 + 110 + 70 + 40 + 30 + 25 + 17 + 13 + 9 + 6 = 500. P1 representa 180 ÷ 500 = 36%; somando P2 (22%), chega a 58%; e assim por diante até 100%. Agora o resumo por classe:

ClasseItens% dos itensVendas (R$ mil)% das vendas
A4 (P1 a P4)40%40080,0%
B3 (P5 a P7)30%7214,4%
C3 (P8 a P10)30%285,6%
Total10100%500100%

Com apenas 10 itens, a classe A ficou com 40% dos produtos. Em um catálogo real de centenas de itens, a classe A costuma ser uma fatia bem menor da lista, e é aí que a análise ganha força.

Agora o ponto que muda decisões: a mesma lista ordenada por margem pode ter outra cara. Suponha que P1 tenha margem de contribuição de 12% e P5, de 45%. A contribuição de P1 é 180 mil × 12% = R$ 21,6 mil; a de P5 é 30 mil × 45% = R$ 13,5 mil. P1 vende seis vezes o valor de P5 e traz só cerca de 1,6 vez a contribuição. Quem ordena apenas por faturamento enxerga P5 como secundário; quem ordena por margem de contribuição vê um item que merece ser empurrado.

Como interpretar a curva ABC?

Classificar é a parte fácil. O valor está no que você faz com cada classe.

Classe A: proteger e negociar

Nos itens A, uma ruptura ou um erro de preço dói no resultado do mês. Por isso vale: acompanhar o estoque com mais frequência, negociar prazo e preço com os fornecedores, ter um segundo fornecedor homologado e revisar o preço de venda com regularidade, usando a formação de preço de venda como base.

Classe B: acompanhar e promover os melhores

É a classe de transição. Alguns itens B sobem para A com ação comercial ou de preço; outros caem para C. Revise-os a cada ciclo e procure aqueles com margem alta, como o P5 do exemplo.

Classe C: simplificar

Muitos itens, pouco valor e muito trabalho: cadastro, espaço, inventário e dinheiro parado. Use regras simples, como estoque mínimo fixo e pedido em lote. Para itens C que não vendem, avalie queima, combo com itens A ou descontinuação. Mas cuidado: item C pode ser complemento obrigatório de uma venda maior, e cortá-lo pode derrubar um item A.

Interpretar a curva ABC é também olhar a forma da curva. Uma curva muito inclinada (poucos itens concentram quase tudo) indica dependência: se um deles falhar, o resultado cai. Uma curva mais plana indica um negócio pulverizado, em que o ganho está na eficiência do processo, não em proteger um campeão.

Curva ABC de estoque, de clientes, de produtos e de fornecedores

O método é o mesmo; muda o que você coloca na lista e o critério que usa para ordenar.

Curva ABC de estoque

Aqui o critério é o valor imobilizado: quantidade em estoque multiplicada pelo custo unitário. A classe A do estoque mostra onde está o dinheiro parado nas prateleiras, o que conversa diretamente com o giro de estoque e com a necessidade de capital de giro. Cruzar a curva de vendas com a de estoque é revelador: item que está na classe A de estoque e na C de vendas é capital empatado.

Curva ABC de produtos e de vendas

Ordena produtos ou serviços por faturamento, quantidade ou margem. É a base para decidir mix, preço, promoção e comissionamento. Se o seu critério é o custo da mercadoria que sai, o CMV por item é um bom complemento.

Curva ABC de clientes

Ordena clientes pela receita (ou, melhor, pela margem) que geram. Mostra a concentração da carteira: se três clientes respondem por metade do faturamento, qualquer atraso ou saída deles abala o caixa. É útil para definir nível de atendimento, limite de crédito e prazo de cobrança, alinhado à política de crédito. Também se pode combinar com o ticket médio de cada cliente para entender se a receita vem de volume ou de valor por pedido.

Curva ABC de fornecedores

Ordena fornecedores pelo volume de compra. Os de classe A são os que justificam negociação de preço e prazo e contratos mais firmes; os de classe C podem ser consolidados para reduzir o número de cadastros e de pagamentos.

Curva ABC na construção civil, em obras e na farmácia hospitalar

Na construção civil e em obras, a curva ABC é aplicada ao orçamento: ordena insumos e serviços pelo custo e mostra os poucos itens, como concreto, aço e mão de obra de determinadas etapas, que concentram a maior parte da despesa. É nesses itens que vale cotar, negociar e acompanhar o consumo. Na farmácia hospitalar e no varejo farmacêutico, a lógica é a mesma para medicamentos, com o cuidado extra de que itens críticos de baixo valor (classe C) não podem faltar; a curva ABC de valor precisa conviver com um critério de criticidade.

Curva ABC de custos e despesas

A curva ABC também se aplica a despesas. Ordene as contas de despesa do mês pelo valor e você verá que poucas rubricas, como folha, aluguel, comissões e fretes, concentram a maior parte do gasto. É um ponto de partida para a gestão de custos: atacar primeiro as contas de classe A rende mais do que cortar dezenas de pequenas despesas.

Se a empresa já separa os gastos por centro de custo, a curva pode ser feita por centro, por conta ou pelos dois. Quanto mais limpa a classificação contábil e gerencial, mais útil a curva se torna.

Curva ABC e XYZ: qual a diferença?

A curva ABC classifica pelo valor. A classificação XYZ classifica pela previsibilidade da demanda: itens X têm consumo estável, os Y variam de forma moderada e os Z são irregulares. Combinando as duas, você tem uma matriz de nove quadrantes.

CombinaçãoO que significaPostura de gestão
AXMuito valor, demanda estávelReposição automática, estoque enxuto, giro alto
AZMuito valor, demanda irregularAtenção máxima: estoque de segurança e revisão frequente
CXPouco valor, demanda estávelPedido em lote e regra fixa, sem esforço de gestão
CZPouco valor, demanda irregularComprar sob demanda ou descontinuar

Para a PME, a matriz ABC-XYZ é um passo seguinte, não o primeiro: comece pela curva ABC e acrescente o XYZ quando a gestão de estoque já estiver rodando.

Como a curva ABC funciona na rotina de uma PME

Fazer a curva uma vez é um exercício; usá-la todo mês é gestão. Numa rotina enxuta, o ciclo fica assim:

  1. Extraia os dados após o fechamento do mês, com vendas, custos e estoque já conciliados. Dado sujo gera classe errada.
  2. Atualize a curva com janela móvel (por exemplo, os últimos 12 meses) e compare com a classificação anterior.
  3. Liste as mudanças de classe: quem subiu, quem caiu, quem entrou e saiu.
  4. Cruze com margem e giro. Item A com margem baixa pede revisão de preço ou de custo; item C com estoque alto pede ação de liquidação.
  5. Leve para a reunião de resultado três ou quatro decisões, com responsável e prazo. Curva sem decisão é só relatório.

Erros comuns na análise ABC

  • Classificar só por faturamento. O item que mais vende nem sempre é o que mais deixa dinheiro. Use margem, ou ao menos olhe os dois.
  • Período curto demais. Um trimestre com promoção ou sazonalidade distorce as classes. Prefira de 6 a 12 meses.
  • Tratar a curva como sentença. Lançamentos recentes ainda não tiveram tempo de vender; itens de reposição sazonal vão para C fora da época.
  • Calcular uma vez e engavetar. A classificação envelhece. Sem atualização periódica, a decisão fica baseada em um retrato antigo.
  • Ignorar a criticidade. Item C que paralisa a operação quando falta deve ter regra própria.
  • Misturar custo errado. Se os custos não estão separados em fixos e variáveis, a margem por item sai distorcida e a curva por margem perde valor.

Como ler o número para decidir

Quando a participação da classe A sobe demais, a empresa está ficando dependente de poucos itens ou clientes: diversifique ou renegocie condições. Quando a classe C cresce em quantidade de itens sem crescer em valor, o catálogo está inchando: pare de cadastrar e revise o mix. Quando um item A cai de classe, investigue antes de reagir: preço, concorrência, ruptura ou erro de cadastro. E sempre que a curva mostrar que um item de margem baixa domina o faturamento, pergunte se o preço cobre o custo e a margem de lucro esperada.

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Curva ABC no Excel e no Power BI

Para montar a curva ABC no Excel, use uma tabela com as colunas item, valor, participação, acumulado e classe:

  1. Cole a lista de itens e valores e ordene a coluna de valor do maior para o menor (Dados, Classificar).
  2. Na coluna de participação, divida o valor de cada linha pelo total (use a função SOMA com referência absoluta, por exemplo, =B2/SOMA($B$2:$B$11)).
  3. Na coluna de acumulado, na primeira linha repita a participação; da segunda em diante, some a participação com o acumulado da linha de cima.
  4. Na coluna de classe, use a função SE: =SE(D2<=0,8;"A";SE(D2<=0,95;"B";"C")).
  5. Para o gráfico, selecione item e acumulado e insira um gráfico de linha, ou combine colunas de valor com a linha do acumulado.

A planilha resolve bem uma análise pontual. O limite aparece quando os dados vêm do ERP, o catálogo passa de algumas centenas de itens e a curva precisa ser atualizada todo mês. Nesse ponto, vale levar o cálculo para uma ferramenta de business intelligence, como o Power BI, que lê a base direto do sistema e recalcula a classificação sozinha. Isso se conecta ao que se espera de um bom dashboard financeiro: a curva atualizada, ao lado de caixa, margem e giro. Painéis como o GO BI da BGP, conectados ao ERP, reúnem esses indicadores num lugar só.

Vantagens e limitações da curva ABC

Entre as vantagens, estão o foco do tempo da gestão onde há mais retorno, a redução de estoque parado, a base objetiva para negociação com fornecedores e clientes e a facilidade de explicar o resultado ao time. A análise ABC é simples de montar e de comunicar.

As limitações são igualmente claras:

  • Considera apenas o critério escolhido; um item pode ser C em vendas e estratégico para a marca.
  • Não enxerga sazonalidade nem lançamentos, a menos que o período e os ajustes sejam pensados para isso.
  • Não diz o que fazer; mostra onde olhar. A decisão depende de margem, giro, prazo e contexto.

Por isso a curva funciona melhor combinada com outros indicadores financeiros, dentro de um conjunto de KPIs acompanhado todo mês.

Onde a BGP entra nessa análise

A curva ABC só é confiável quando vendas, custos e estoque estão registrados e conciliados. É no ciclo mensal da Controladoria da BGP que esse dado é fechado e lido junto com a gestão, com custos e margem por produto ou cliente. No Analytics, o GO BI integra o ERP e as planilhas e publica dashboards de gestão; com vendas e custos no sistema, a classificação ABC pode ser acompanhada ali, sem planilha manual. A BGP não entrega a decisão pronta: entrega o dado organizado e a leitura para que o dono decida com segurança.

Perguntas frequentes sobre curva ABC

O que é o método curva ABC?

É um método que classifica itens (produtos, clientes, fornecedores) em três classes conforme o peso que têm em um total, como o faturamento ou o valor em estoque. A classe A reúne poucos itens de grande valor, a B é intermediária e a C reúne muitos itens de pouco valor.

Como fazer o cálculo da curva ABC?

Liste os itens com seus valores, ordene do maior para o menor, calcule a participação de cada item no total e some esses percentuais em sequência para obter o acumulado. Em geral, itens até 80% de acumulado são A, até 95% são B e o restante é C.

Como interpretar a curva ABC?

Olhe quanto valor está em cada classe e como ele muda de um período para outro. Itens A pedem controle próximo e negociação, os B acompanhamento e os C regras simples. Cruze o resultado com margem e giro antes de decidir.

Onde se aplica a curva ABC?

Em estoque, vendas, clientes, fornecedores, custos e despesas, orçamento de obras e farmácia hospitalar. Em qualquer lugar em que muitos itens disputem atenção e poucos concentrem o valor, a classificação ajuda a priorizar.

Qual a diferença entre curva ABC e princípio de Pareto?

O princípio de Pareto é a ideia de que poucas causas geram a maioria dos efeitos, como na regra 80/20. A curva ABC é a ferramenta que aplica essa ideia, ordenando os itens e dividindo-os em classes com base nos números reais da empresa.

Com que frequência devo atualizar a curva ABC?

Para estoque e vendas, o ideal é atualizar mensalmente, junto com o fechamento, usando uma janela móvel de 6 a 12 meses. Para clientes e fornecedores, pode ser trimestral. O importante é manter o critério e a periodicidade constantes.

É possível fazer curva ABC no Excel?

Sim. Basta ordenar os valores, calcular a participação e o acumulado e usar a função SE para classificar em A, B e C. Para catálogos grandes ou atualização frequente, vale automatizar a partir do ERP em uma ferramenta de BI.

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