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20 de junho de 2024 · 8 min de leitura

Revisado por Vítor Bertuzzi, CIO da BGP

Como estruturar as posições da empresa de forma enxuta mas organizada

Como estruturar as posições da empresa de forma enxuta mas organizada

Para estruturar as posições de uma empresa de forma enxuta e organizada, comece pelas funções que o negócio precisa cumprir, não pelos cargos. Depois dê um dono a cada função, limite os níveis de gestão e só crie uma posição nova quando o trabalho já sobrar de forma recorrente.

Guia completo do tema: Planejamento estratégico, tático e operacional: o que é, etapas e como ligar ao financeiro

Esse é o raciocínio de um satélite do guia de planejamento estratégico: a estratégia define o que a empresa precisa entregar, e o organograma só traduz isso em quem faz o quê. Abaixo está o passo a passo para uma PME, com tabela, exemplo com números e os erros mais comuns.

O que significa ter uma estrutura enxuta, mas organizada?

Enxuta quer dizer poucas posições e poucos níveis de gestão. Organizada quer dizer que, mesmo com pouca gente, ninguém duvida de quem decide, quem executa e quem responde por cada resultado. As duas coisas andam juntas: estrutura enxuta sem clareza vira bagunça, e estrutura organizada demais vira burocracia.

Na prática, uma empresa enxuta e organizada tem:

  • cada função crítica (vender, entregar, cobrar, pagar, decidir) com um responsável nomeado;
  • no máximo dois ou três níveis entre o sócio e quem executa, até dezenas de pessoas;
  • pessoas com mais de uma competência, mas com uma função principal definida;
  • rotinas e reuniões curtas, em vez de aprovações em cadeia.

Por onde começar: funções ou cargos?

Comece pelas funções. Cargo é um rótulo; função é o trabalho que precisa acontecer para a empresa funcionar. Liste tudo o que o negócio faz de ponta a ponta, agrupe em blocos e só depois pergunte quem cuida de cada um.

Um bom ponto de partida para empresas de serviços, comércio ou indústria leve são cinco blocos:

  1. Comercial: gerar oportunidades, vender e manter o cliente.
  2. Entrega ou operação: produzir o serviço ou o produto.
  3. Financeiro e administrativo: receber, pagar, conciliar, fechar o mês.
  4. Pessoas: contratar, acompanhar, desenvolver, desligar.
  5. Direção: estratégia, metas e decisões de investimento.

Em uma empresa pequena, uma pessoa acumula mais de um bloco, e isso é normal. O que não pode acontecer é um bloco ficar sem dono. Para ligar os blocos às metas do ano, vale usar o balanced scorecard ou um plano de ação no formato 5W2H.

Qual estrutura organizacional funciona melhor para uma PME?

Para a maioria das PMEs, a estrutura funcional enxuta é a mais segura. A matricial exige maturidade que pouca empresa pequena tem, e a plana pura funciona só enquanto todos cabem numa mesa. A tabela compara as três.

EstruturaComo funcionaVantagemRiscoQuando usar
FuncionalÁreas por função, com um responsável em cadaClareza de quem decideÁreas que não conversamDe 8 a 60 pessoas
PlanaPoucos níveis, quase todos respondem ao sócioDecisão rápidaSócio vira gargaloAté 8 a 10 pessoas
MatricialPessoa responde a uma função e a um projetoColaboração entre áreasConflito de autoridadeEmpresas por projeto, com gestores maduros

Os limites de pessoas são referências de bom senso, não regra fixa. O critério real é outro: o sócio ainda consegue acompanhar todo mundo sem virar o gargalo? Se não, é hora de criar um nível de liderança, não de criar mais cargos soltos.

Como saber se preciso de uma posição nova ou só de melhor organização?

Antes de abrir uma vaga, teste se o problema é falta de gente ou falta de processo. Muita empresa contrata para resolver retrabalho, e o custo fixo aumenta sem o problema sumir. Em empresa jovem, cada posição nova também precisa caber no custo fixo ideal do negócio. Faça estas perguntas:

  • O trabalho que falta é recorrente ou foi um pico de um mês?
  • Existe tarefa que alguém faz à mão e uma ferramenta resolveria?
  • A pessoa mais cara está gastando tempo com tarefa que não exige o nível dela?
  • Há função sem dono, ou dono sobrecarregado?
  • A nova posição se paga em receita, em margem ou em horas do sócio liberadas?

Se a resposta apontar para uma contratação, o texto quando vale a pena contratar mais alguém detalha o momento certo, e o guia sobre como montar uma vaga de trabalho ajuda a descrever a função sem inflar o cargo.

Quanto a estrutura de pessoas pesa nas contas? Um exemplo numérico

Considere a Studio Alfa, empresa fictícia de serviços, usada só como exemplo. Ela fatura R$ 150.000 por mês e tem 11 pessoas. A folha, com encargos e benefícios, soma R$ 63.000 por mês. Isso dá 42% do faturamento (63.000 dividido por 150.000).

O sócio quer contratar uma gerente administrativa por R$ 8.000 mensais, já com encargos, e uma analista a mais por R$ 5.000. Com as duas posições, a folha vai a R$ 76.000, ou 50,7% do faturamento (76.000 dividido por 150.000), sem que a receita tenha subido um real.

Leia também: Como ser um líder diferenciado: passos práticos para PMEs

Antes de contratar, a Studio Alfa mapeou o trabalho. Descobriu que a gerente passaria metade do tempo em conciliação e lançamentos que processos financeiros bem desenhados reduzem. Contratou só a analista, mantendo a folha em R$ 68.000, ou 45,3% do faturamento. A conta mudou a decisão, e é essa conta que deve acompanhar cada posição nova. Sobre o peso da folha no caixa, veja o impacto da folha de pagamento no fluxo de caixa.

Como dar mais amplitude às pessoas sem criar caos?

Em uma estrutura enxuta, cada pessoa cobre mais de uma frente. Para isso dar certo, três regras ajudam:

  • Função principal e função de apoio. Cada pessoa tem uma entrega pela qual responde e uma segunda frente na qual cobre outra.
  • Dupla de cobertura. Cada função crítica tem um substituto conhecido, para férias, licenças e desligamentos.
  • Competência escrita. Uma planilha simples com quem sabe fazer o quê mostra onde existe dependência de uma única pessoa.

Esse mapa também orienta o desenvolvimento do time. Para o lado de retenção e crescimento, leia gestão de pessoas em PMEs.

Quando usar freelancers ou contratos por projeto?

Funções que não são o centro do negócio, ou que só pedem horas em alguns momentos, podem ser contratadas por projeto ou por demanda. Contabilidade, design, jurídico e tecnologia pontual são exemplos comuns. A regra: o que define a vantagem competitiva fica dentro; o que é eventual ou muito especializado pode ficar fora.

Para decisões do próprio financeiro, existe um meio-termo. O texto como organizar o time financeiro mostra o que manter interno e o que apoiar com especialistas, e o guia de controladoria explica quando a empresa precisa dessa camada.

Quais erros mais atrapalham uma estrutura enxuta?

  • Desenhar o organograma pelas pessoas, não pelas funções. O cargo é criado para encaixar alguém e não para cumprir um trabalho.
  • Sócio como gargalo. Tudo passa por ele, e a empresa só anda no ritmo dele.
  • Chefe sem equipe. Criar um nível de gestão para uma ou duas pessoas encarece sem ganho.
  • Posição sem meta. Se ninguém sabe o que a posição precisa entregar, ninguém consegue cobrar.
  • Contratar para resolver processo ruim. A posição nova herda o caos que já existia.
  • Nunca revisar. A estrutura de 5 pessoas não serve para 15. Revise ao menos uma vez por ano.

Como aplicar na rotina de uma PME, passo a passo

  1. Liste as funções do negócio e dê a cada uma um responsável e um substituto.
  2. Defina para cada posição uma entrega mensurável: uma meta, um indicador ou um prazo.
  3. Limite os níveis de gestão. Só crie um novo quando o sócio não conseguir acompanhar o time.
  4. Faça uma reunião curta e fixa por semana por área, em vez de aprovações dispersas.
  5. Antes de cada vaga, faça a conta do peso na folha e do retorno esperado.
  6. Revise a estrutura a cada ano, junto com o orçamento e as metas.

Quem define quem responde pelos números e pelas decisões financeiras também deve conhecer os papéis clássicos. O guia CEO, CFO e COO explica o que cada um faz e como uma PME costuma concentrar esses papéis em poucas pessoas.

Onde a BGP entra nessa estrutura?

A BGP atua nos momentos em que a estrutura da empresa é decisão estratégica. No On Demand, o time monta o plano estratégico, as projeções de FP&A e os cenários financeiros que mostram quanto cada posição nova pesa no caixa e no resultado. Para empresas que querem manter o financeiro dentro de uma rotina mensal, existe a Controladoria. Conheça também como funciona o projeto de planejamento sob demanda e leia sobre FP&A para entender a análise por trás da decisão.

Falar com um especialista da BGP

Perguntas frequentes sobre estrutura de posições na empresa

Quantos níveis hierárquicos uma PME deveria ter?

Até cerca de 30 pessoas, dois ou três níveis costumam bastar: sócio, líderes de área e equipe. Mais níveis que isso tendem a alongar decisões sem ganho. O critério é prático: se o sócio consegue acompanhar os líderes sem virar gargalo, a estrutura está no tamanho certo.

Quando preciso criar um cargo de gerente?

Quando uma função ganha volume que exige coordenar pelo menos duas ou três pessoas, ou quando o sócio gasta tempo demais em tarefas operacionais dessa área. Gerente para uma equipe de uma pessoa costuma ser custo sem ganho. Prefira primeiro dar autonomia e meta clara.

Posso ter uma pessoa acumulando funções?

Pode, e em empresa enxuta é comum. Defina uma função principal, com meta própria, e uma de apoio. O cuidado é não acumular funções que se fiscalizam, como quem paga e quem aprova o mesmo pagamento, para manter controle interno.

Qual o peso ideal da folha no faturamento?

Depende do setor. Empresas de serviços intensivas em pessoas têm folha mais alta que comércio ou indústria. Em vez de buscar um número único, compare sua folha com a margem de contribuição e acompanhe a tendência mês a mês.

Com que frequência devo revisar a estrutura da empresa?

Ao menos uma vez por ano, junto com o planejamento e o orçamento. Revise também quando houver mudança relevante: novo serviço, saída de um líder, crescimento acelerado ou queda de receita. Estrutura de uma empresa pequena envelhece rápido.

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