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30 de julho de 2024 · 9 min de leitura

Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP

Gestão de dívidas e empréstimos: como controlar o endividamento da PME

Gestão de dívidas e empréstimos: como controlar o endividamento da PME

Gerir dívidas e empréstimos na PME é saber quanto você deve, a que custo, quando vence e se o caixa aguenta. A base é uma lista única de todas as dívidas, ordenada pela taxa. Com ela você decide o que quitar primeiro, o que renegociar e quanto crédito novo a empresa suporta.

Guia completo do tema: Covenants financeiros: o que são, tipos, exemplos e como cumprir sem travar a empresa

Por que a gestão de dívidas é uma rotina e não um socorro?

Dívida em si não é problema. Crédito barato financia máquina, estoque e crescimento. O problema aparece quando ninguém sabe o custo total, os vencimentos se acumulam na mesma semana e a empresa passa a pagar juros altos para cobrir o buraco de outro mês.

Por isso a gestão precisa de rotina: uma lista atualizada, revisão mensal e regras claras para contratar. Quem espera o aperto de caixa para olhar as dívidas negocia sem poder de barganha. Esse trabalho conversa direto com a captação de recursos, porque cada contrato novo entra na mesma lista.

Como montar o mapa de todas as dívidas da empresa?

Comece por uma planilha com uma linha por contrato. Inclua tudo: empréstimo bancário, financiamento de equipamento, conta garantida, cheque especial, antecipação de recebíveis, parcelamento de tributos, cartão corporativo e saldo com fornecedores em atraso. Dívida esquecida é a que mais custa.

  • Credor e tipo: banco, fornecedor, fisco ou sócio.
  • Saldo devedor atual: o valor para quitar hoje, não o contratado.
  • Taxa mensal efetiva: inclua tarifas e seguros embutidos, não só a taxa de balcão.
  • Parcela e vencimento: valor e dia de cada pagamento.
  • Prazo restante: quantas parcelas faltam.
  • Garantia: aval dos sócios, recebíveis, bem alienado.
  • Cláusulas de vencimento antecipado: veja os covenants financeiros do contrato.

Atualize essa lista toda vez que um contrato for assinado ou quitado. Ela é a fonte única que alimenta o fluxo de caixa e os indicadores.

Qual é o custo real da sua dívida?

A taxa que importa é o custo efetivo, que soma juros, tarifas, IOF e seguros. Compare sempre na mesma base, ao mês ou ao ano. Para entender como a taxa composta funciona, veja a matemática financeira por trás de juros e prazos.

Exemplo numérico com a Distribuidora Alfa, empresa fictícia:

DívidaSaldo (R$)Taxa ao mêsJuros no mês (R$)
Conta garantida30.0007,0%2.100
Antecipação de recebíveis50.0003,5%1.750
Capital de giro bancário120.0002,5%3.000
Financiamento de máquina200.0001,2%2.400
Total400.0002,31% (média ponderada)9.250

A conta: 9.250 de juros divididos por 400.000 de saldo dá 2,31% ao mês. Repare que a conta garantida é só 7,5% do saldo, mas gera 22,7% dos juros. A média esconde onde está o custo, e a lista ordenada por taxa mostra.

O WACC, que mistura o custo da dívida com o custo do capital dos sócios, é usado sobretudo em avaliação de empresas. Para a rotina da PME, o custo médio ponderado da dívida, como o calculado acima, responde melhor à pergunta do dia a dia.

Qual dívida pagar primeiro?

Em geral, a de maior taxa. Cada real que sai de uma dívida a 7% ao mês economiza mais juros do que o mesmo real aplicado numa dívida a 1,2%. É o método da avalanche: ordenar pela taxa e atacar de cima para baixo.

Na Distribuidora Alfa, suponha que sobrem R$ 30.000 de caixa. Quitar a conta garantida elimina R$ 2.100 de juros por mês. Se o mesmo valor abatesse o financiamento da máquina, a economia seria de R$ 360 por mês (30.000 x 1,2%). A diferença anual passa de R$ 20.000.

Há exceções. Antes de amortizar, confira multa por quitação antecipada, se a garantia fica presa e se o caixa restante cobre as próximas semanas. Quitar tudo e ficar sem reserva leva a empresa a voltar para a conta garantida no mês seguinte. A reserva de caixa define o piso do que sobra para amortizar.

Como escolher a fonte de financiamento certa?

Case o prazo da dívida com a vida útil do que ela financia. Máquina que dura dez anos pede financiamento longo e barato. Capital de giro sazonal pede linha curta. O erro clássico é financiar investimento com crédito rotativo e depois não conseguir renovar.

NecessidadeFonte mais adequadaCuidado
Equipamento e expansãoFinanciamento de longo prazo com garantia no bemParcela cabe no caixa mesmo em mês fraco?
Descasamento de recebimentoCapital de giro ou antecipação de recebíveisCusto efetivo costuma ser alto, use por pouco tempo
Cobertura de poucos diasConta garantidaTaxa mais cara da lista, não pode virar rotina
Crescimento com risco maiorSócios ou investidoresVeja quanto ceder equity custa frente à dívida

Antes de pedir o crédito, prepare os números. O post sobre acesso a crédito mostra o que os bancos pedem, e o de relacionamento com bancos ajuda a negociar em posição melhor.

Leia também: Como gerenciar os riscos financeiros com clientes e fornecedores e manter um bom relacionamento com bancos

Como controlar vencimentos e a capacidade de pagamento?

Monte um cronograma com todos os vencimentos dos próximos 12 meses e lance cada parcela no fluxo de caixa projetado. O objetivo é enxergar as semanas em que várias parcelas se juntam e a entrada de dinheiro não cobre. Se houver pico, renegocie o dia de vencimento antes dele chegar. Essa conferência faz parte da revisão para manter o fluxo de caixa saudável.

Dois indicadores bastam para a PME acompanhar todo mês:

  • Dívida líquida sobre EBITDA: quantos anos de geração de caixa operacional a dívida consome. Alfa: dívida de R$ 400.000, caixa de R$ 60.000, EBITDA anual de R$ 240.000. Conta: (400.000 - 60.000) / 240.000 = 1,42 vez. Detalhes em EBITDA.
  • Cobertura do serviço da dívida: geração de caixa operacional do mês dividida pelas parcelas do mês. Alfa: R$ 45.000 de geração e R$ 32.000 de parcelas dão 1,41. Abaixo de 1, a empresa paga dívida com dívida.

Esses números fazem parte do conjunto de indicadores financeiros que o dono precisa ver todo mês, ao lado dos índices de endividamento. Cada banco e cada contrato define limites próprios, então confira o que está escrito no seu.

A relação entre dívida e resultado também depende de alavancagem financeira: dívida cara só compensa quando o negócio rende mais que o custo dela.

Como renegociar dívidas sem perder poder de barganha?

Renegocie antes do atraso. Com a empresa em dia, você tem argumento: histórico de pagamento, saldo de recebíveis e opção de levar a operação para outro banco. Depois do atraso, o credor dita as condições.

  1. Junte os dados: mapa de dívidas, fluxo projetado e a parcela máxima que o caixa suporta.
  2. Defina o objetivo: reduzir a taxa, alongar o prazo, trocar dívida cara por barata ou mudar o dia de vencimento.
  3. Peça propostas a mais de um credor: a concorrência vale mais que qualquer argumento.
  4. Compare pelo custo efetivo total: alongar o prazo reduz a parcela, mas pode aumentar o total pago.
  5. Registre o resultado: atualize o mapa com as novas condições.

Quando o aperto já é estrutural, o caminho é maior: leia sobre reestruturação financeira e monte um plano de contingência financeira com cortes, prazos e responsáveis.

Quais são os erros mais comuns na gestão de dívidas?

  • Olhar só a parcela: uma parcela pequena pode esconder um prazo enorme e uma taxa alta.
  • Usar conta garantida como capital de giro fixo: é a linha mais cara e deveria cobrir poucos dias.
  • Misturar finanças pessoais e da empresa: aval dos sócios e cartão pessoal pagando conta da empresa tornam o endividamento invisível.
  • Antecipar recebíveis sem calcular a taxa: o desconto parece pequeno, mas o custo mensal costuma ser alto.
  • Contratar sem projetar o caixa: a parcela nova entra em cima de vencimentos que já existiam.
  • Ignorar cláusulas do contrato: descumprir um limite pode antecipar o vencimento de toda a dívida.
  • Não ter dono do assunto: sem alguém responsável, a lista desatualiza em dois meses.

Como a BGP ajuda na gestão de dívidas e empréstimos?

O projeto de FP&A sob demanda da BGP monta o mapa das dívidas, o custo efetivo, a projeção do caixa e os cenários de renegociação ou de novo crédito, com números que o credor respeita. Depois da decisão, a Controladoria acompanha os vencimentos e os indicadores no ciclo mensal.

Se a empresa está avaliando uma captação ou precisa organizar o endividamento atual, veja como funciona o On Demand da BGP.

Falar com um especialista da BGP

Perguntas frequentes sobre gestão de dívidas e empréstimos

Qual o primeiro passo para organizar as dívidas da empresa?

Listar todas num só lugar, com credor, saldo, taxa mensal efetiva, parcela, vencimento e garantia. Sem esse mapa não dá para comparar custo nem saber qual dívida quitar primeiro. Inclua também parcelamentos de tributos e atrasos com fornecedores, que costumam ficar de fora.

Vale a pena pegar um empréstimo para pagar outro?

Vale quando o novo custo efetivo total, somando tarifas e IOF, é menor que o da dívida antiga e o prazo não piora a situação. É a chamada troca de dívida. Se o novo empréstimo só empurra o problema com taxa igual ou maior, o endividamento cresce.

Quanto de dívida uma PME suporta?

Depende da geração de caixa, não do faturamento. Olhe a dívida líquida sobre EBITDA e a cobertura das parcelas pelo caixa operacional. Cada banco e cada contrato fixa seus limites, então confira os seus. Se a cobertura fica abaixo de 1, a empresa já paga dívida com dívida.

Quando renegociar uma dívida?

Antes do atraso, assim que o fluxo de caixa projetado mostrar um mês em que as parcelas não cabem. Com a empresa em dia você tem poder de barganha, pode pedir propostas a outros bancos e escolher entre reduzir a taxa, alongar o prazo ou mudar o vencimento.

Antecipar recebíveis é uma boa forma de captar recursos?

Serve para cobrir descasamentos curtos, mas o custo mensal costuma ser alto. Calcule a taxa efetiva e compare com o capital de giro bancário antes de usar. Se a antecipação vira rotina todo mês, o problema está no prazo de recebimento ou na margem, não na falta de crédito. Veja antecipação de recebíveis.

Como evitar que a dívida volte a crescer depois de quitada?

Mantenha o mapa atualizado, projete o caixa de 12 meses e crie uma regra para contratar: nenhuma dívida nova sem simular a parcela no fluxo e sem prazo compatível com o uso. Revise os indicadores todo mês e mantenha uma reserva para não voltar à conta garantida.

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