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8 de outubro de 2026 · 13 min de leitura

Revisado por Josi Bertuzzi, CEO da BGP

DVA (demonstração do valor adicionado): o que é, estrutura, como calcular e exemplo

DVA (demonstração do valor adicionado): o que é, estrutura, como calcular e exemplo

A demonstração do valor adicionado (DVA) é o relatório contábil que mostra quanto de riqueza a empresa gerou em um período e como essa riqueza foi repartida entre empregados, governo, financiadores e sócios. Ela está prevista no CPC 09 (NBC TG 09) e é uma das demonstrações contábeis do conjunto completo.

A DVA mostra quanta riqueza a empresa gera e para quem ela vai. A página detalha a estrutura linha a linha, a fórmula do valor adicionado, a diferença para a DRE e a quem a demonstração é obrigatória, com um exemplo numérico com contas que fecham e o uso dessa leitura por uma PME para decidir melhor.

O que é a demonstração do valor adicionado (DVA)?

Valor adicionado é o que a empresa acrescenta ao que comprou de fora. Se ela compra mercadoria, energia e serviços por R$ 100 e vende o resultado por R$ 160, adicionou R$ 60. A DVA mede esse acréscimo e, em seguida, mostra para quem ele foi: salários, tributos, juros, aluguéis, dividendos e lucro retido.

É por isso que a DVA tem um papel diferente das outras demonstrações. A DRE responde “quanto sobrou para o dono?”. A DVA responde “quanto a atividade gerou para toda a sociedade e quem ficou com cada fatia?”. O foco sai do lucro e vai para a riqueza distribuída.

O CPC 09 define a DVA como informação de natureza econômica e social, e a coloca ao lado do balanço patrimonial e da DRE no pacote de relatórios. Ela é montada a partir dos mesmos lançamentos contábeis, organizados no plano de contas, e segue o regime de competência: conta o que foi gerado no período, e não o que entrou ou saiu do caixa.

Para que serve a DVA?

A DVA serve para mostrar a contribuição econômica da empresa e a lógica da sua distribuição. Na prática, ela atende a quatro usos:

  • Transparência: mostra a investidores, credores e comunidade quanto vai para pessoas, governo, credores e acionistas.
  • Análise de eficiência: compara a riqueza gerada com a receita, indicando quanto da venda fica como valor adicionado e quanto é só repasse a fornecedores.
  • Leitura da estrutura de custos: revela se a empresa depende muito de insumos de terceiros, de pessoal ou de dívida.
  • Comparação entre períodos e entre empresas do mesmo setor: a divisão percentual do valor adicionado é um retrato da estrutura de cada negócio.

Para a gestão de uma PME, o uso mais valioso é o terceiro: ver, em percentual, para onde vai cada real que a operação cria.

Como calcular a demonstração do valor adicionado? Fórmula do valor adicionado

O cálculo parte de uma ideia simples: valor adicionado é a receita menos o que a empresa comprou de terceiros para gerá-la.

Fórmula: Valor adicionado bruto = Receitas − Insumos adquiridos de terceiros

Depois, a DVA ajusta esse número em etapas até chegar ao valor total que será distribuído:

Fórmula: Valor adicionado líquido = Valor adicionado bruto − Retenções (depreciação, amortização e exaustão)

Fórmula: Valor adicionado total a distribuir = Valor adicionado líquido + Valor adicionado recebido em transferência

O valor adicionado recebido em transferência é a riqueza gerada por outros e recebida pela empresa, como receitas financeiras e equivalência patrimonial. No fim, o total a distribuir precisa ser igual à soma de todas as parcelas distribuídas. É essa igualdade que valida a demonstração.

Qual a estrutura da DVA (CPC 09)?

A estrutura tem duas partes: a geração da riqueza e a distribuição da riqueza. A estrutura do CPC 09 segue estes blocos:

BlocoO que entra
1. ReceitasVendas de mercadorias, produtos e serviços (incluindo os tributos incidentes sobre a venda), outras receitas e provisão para devedores duvidosos (constituição ou reversão)
2. Insumos adquiridos de terceirosCusto das mercadorias e serviços vendidos, materiais, energia, serviços de terceiros e outros custos externos (também com os tributos incluídos)
3. Valor adicionado bruto1 − 2
4. RetençõesDepreciação, amortização e exaustão
5. Valor adicionado líquido produzido3 − 4
6. Valor adicionado recebido em transferênciaResultado de equivalência patrimonial, receitas financeiras e outras
7. Valor adicionado total a distribuir5 + 6
8. Distribuição do valor adicionadoPessoal, impostos, taxas e contribuições, remuneração de capitais de terceiros e remuneração de capitais próprios

Cada uma das quatro frentes da distribuição tem subitens próprios:

  • Pessoal: remuneração direta (salários, 13º, férias e honorários da administração, como o pró-labore), benefícios e FGTS.
  • Impostos, taxas e contribuições: federais, estaduais e municipais.
  • Remuneração de capitais de terceiros: juros e aluguéis pagos.
  • Remuneração de capitais próprios: dividendos, juros sobre capital próprio e lucros retidos (ou prejuízo do exercício).

O detalhe que mais gera dúvida está no primeiro bloco: na DVA, a receita entra pelo valor bruto, com os tributos sobre a venda, e os tributos sobre as compras ficam dentro dos insumos. Os tributos só saem do bolo na distribuição, na linha de impostos. Para entender a diferença entre bruta e líquida, veja receita bruta e líquida.

Exemplo prático de DVA: passo a passo com números

Imagine uma distribuidora de materiais elétricos, fictícia, que fatura R$ 12 milhões por ano. Os valores abaixo estão em R$ mil e servem só para ilustrar o raciocínio.

Passo 1: gerar a riqueza

LinhaR$ mil
Vendas de mercadorias (com tributos)12.000
Outras receitas100
(−) Provisão para devedores duvidosos(60)
1. Receitas12.040
Custo das mercadorias vendidas (com tributos)(6.600)
Materiais, energia e serviços de terceiros(1.540)
2. Insumos adquiridos de terceiros(8.140)
3. Valor adicionado bruto (1 − 2)3.900
4. Retenções: depreciação(140)
5. Valor adicionado líquido (3 − 4)3.760
6. Receitas financeiras (em transferência)40
7. Valor adicionado total a distribuir (5 + 6)3.800

A conta de cada etapa: 12.000 + 100 − 60 = 12.040. Depois, 6.600 + 1.540 = 8.140. O valor adicionado bruto é 12.040 − 8.140 = 3.900. Tirando a depreciação de 140, o líquido é 3.760. Somando as receitas financeiras de 40, o total a distribuir é 3.800.

Passo 2: distribuir a riqueza

Quem recebeR$ mil% do total
Pessoal (remuneração 1.300 + benefícios 250 + FGTS 110)1.66043,7%
Impostos, taxas e contribuições (federais 640 + estaduais 520 + municipais 60)1.22032,1%
Capitais de terceiros (juros 200 + aluguéis 320)52013,7%
Capitais próprios (dividendos 150 + lucros retidos 250)40010,5%
8. Total distribuído3.800100,0%

A soma fecha: 1.660 + 1.220 + 520 + 400 = 3.800, o mesmo valor do bloco 7. Se não fechasse, haveria erro de classificação em algum lugar.

Como ler esse resultado

  • O valor adicionado total (3.800) equivale a 31,6% da receita de 12.040. O resto é repasse a fornecedores e à depreciação.
  • O lucro da distribuidora (400, entre dividendos e retenção) é só 10,5% da riqueza gerada. Pessoas e governo ficaram com 75,8% (43,7% + 32,1%).
  • Os capitais de terceiros, com 13,7%, mostram o peso de juros e aluguéis. Se esse percentual subir ano após ano, a empresa está trabalhando cada vez mais para o financiador.

DVA e DRE: qual a diferença?

As duas partem dos mesmos fatos econômicos, mas respondem a perguntas diferentes. A DRE começa na receita e desce até o lucro líquido, subtraindo custos, despesas e impostos. A DVA reorganiza esses mesmos números para mostrar a riqueza gerada e a sua divisão.

Ponto de comparaçãoDVADRE
Pergunta que respondeQuanto de riqueza foi gerada e quem ficou com elaQuanto sobrou de lucro depois de todos os gastos
Ponto de partidaReceita bruta, com tributosReceita bruta, com deduções até a líquida
SaláriosParcela da distribuiçãoDespesa que reduz o lucro
Tributos sobre a vendaParcela da distribuiçãoDedução da receita
Juros e aluguéisRemuneração de terceirosDespesa financeira ou operacional
LucroUma das parcelas (capitais próprios)Resultado final

A ponte entre as duas é direta: na DVA, o lucro do exercício aparece como remuneração dos capitais próprios (dividendos mais lucros retidos). No exemplo, os 400 da DVA correspondem ao lucro líquido que a DRE mostraria. Se quiser aprofundar essa leitura, veja também a DRE completa e a análise horizontal e vertical.

A DVA é obrigatória? Quem precisa fazer

A DVA é exigida por lei das companhias abertas. A Lei 11.638/07 incluiu a demonstração do valor adicionado no art. 176 da Lei 6.404/76 (Lei das S.A.), e o CPC 09 definiu o formato. Para outras empresas, a regra depende de exigência de regulador, de contrato ou de decisão dos sócios.

Em empresas de menor porte, o cenário costuma ser este:

  • A norma contábil para pequenas e médias empresas (NBC TG 1000) não prevê a DVA entre as demonstrações do conjunto.
  • Empresas do Simples Nacional e a maior parte das sociedades limitadas, portanto, não são obrigadas a elaborá-la.
  • Mesmo sem obrigação, qualquer empresa pode produzir uma DVA gerencial, usando os números do próprio fechamento mensal.

Ela também aparece em relatórios de sustentabilidade, em prestações de contas de empresas públicas e em materiais enviados a investidores. Para entender de onde vêm as regras, veja IFRS e CPC.

Como a DVA se relaciona com as outras demonstrações?

A DVA não substitui nenhuma outra demonstração: ela as complementa. Cada uma mostra uma face do negócio:

A DVA é a que mais aproxima a contabilidade da economia, porque traduz o resultado em contribuição para a sociedade. Já a EVA (valor econômico adicionado) é outra coisa: mede se o lucro cobre o custo do capital investido, e não a riqueza distribuída. Os nomes são parecidos, mas o conceito e a finalidade são diferentes.

Como a DVA funciona na rotina de uma PME

A PME que não é obrigada a publicar a DVA pode ganhar muito ao montar uma versão gerencial, uma vez por trimestre ou por ano. O trabalho cabe dentro do fechamento mensal, que é a base do ciclo de uma Controladoria, porque os dados já existem.

Passo a passo para montar uma DVA gerencial

  1. Feche o mês com a DRE gerencial. Sem receita e custos conciliados, a DVA herda o erro. A conciliação bancária, o plano de contas organizado e o balancete de verificação fechado são o ponto de partida.
  2. Parta da receita bruta. Some vendas e serviços com os tributos incluídos, e depois ajuste por devoluções e provisão para perdas, quando houver.
  3. Separe os insumos de terceiros. Reúna mercadorias, matéria-prima, energia, frete, serviços contratados e outros gastos pagos a fornecedores. Use o valor com tributos, como na receita.
  4. Isole depreciação e amortização. Veja depreciação e amortização para entender o cálculo. Essas linhas são retenção, não distribuição.
  5. Some as receitas financeiras. Elas entram como valor adicionado recebido em transferência.
  6. Distribua em quatro grupos. Pessoal, tributos, capitais de terceiros e capitais próprios.
  7. Confira o fechamento. O total gerado precisa ser igual ao total distribuído, e o lucro da DVA precisa ser igual ao da DRE.

Erros comuns na elaboração

  • Partir da receita líquida. A DVA usa a receita com tributos. Se você parte da líquida, os tributos da venda somem da distribuição e o grupo de impostos fica subestimado.
  • Esquecer os tributos dentro dos insumos. ICMS, PIS e COFINS embutidos nas compras ficam no valor do insumo, e não na linha de impostos.
  • Tratar a depreciação como distribuição. Ela é retenção: reduz o valor adicionado, mas não vai para ninguém.
  • Misturar pró-labore e lucro. O pró-labore é remuneração de pessoal. Dividendos e lucros retidos são remuneração do capital próprio. Veja a diferença em pró-labore e distribuição de lucros.
  • Usar o caixa no lugar da competência. Dividendos pagos no ano seguinte ou salários acumulados em provisão precisam entrar no período a que se referem.
  • Não bater com a DRE. Diferença entre o lucro da DVA e o da DRE indica classificação errada em algum grupo.

Como ler o número para decidir

Olhe o percentual de cada grupo e compare com o ano anterior. Se o grupo de pessoal sobe e o valor adicionado não acompanha, a folha está crescendo mais rápido que a geração de riqueza: revise estrutura e produtividade. Se o grupo de capitais de terceiros cresce, a dívida está consumindo a riqueza: ataque o capital de giro e renegocie o crédito. Se o grupo de tributos pesa demais, avalie o regime tributário. E se a relação entre valor adicionado e receita cai, os insumos estão comendo a margem: mexa em compras, custo das mercadorias vendidas e margem de contribuição.

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Quais são as limitações da DVA?

A DVA é útil, mas não resolve tudo, e convém saber onde ela falha antes de apresentá-la à diretoria:

  • Ela não mostra liquidez. Uma empresa pode distribuir muita riqueza e estar sem caixa. Para isso, use o fluxo de caixa.
  • Ela é retrospectiva. Informa o que aconteceu, e não o que vai acontecer.
  • Os critérios de classificação mudam de empresa para empresa. A comparação entre setores deve ser feita com cuidado.
  • Para decisão do dia a dia, ela é complementada por indicadores financeiros e por relatórios gerenciais mensais.

Onde a DVA entra no trabalho da BGP

A DVA é uma demonstração societária, normalmente preparada pelo contador. O que a Controladoria da BGP faz é a camada gerencial que usa os mesmos números: fechamento mensal, conciliação, DRE, controle de custos e margem, e a leitura do resultado junto com a gestão, com o GO BI incluso. A lógica de “de onde vem e para onde vai cada real” é a mesma que orienta essa leitura. Conheça a Controladoria da BGP e os painéis do Analytics, que mostram caixa, DRE e margem em um dashboard financeiro. Para entender a diferença entre contabilidade fiscal e gerencial, veja contabilidade gerencial.

Perguntas frequentes sobre demonstração do valor adicionado

O que é uma demonstração de valor adicionado?

É um relatório contábil que mostra o valor que a empresa gerou em um período, medido pela receita menos os insumos comprados de terceiros, e como esse valor foi distribuído entre pessoal, governo, financiadores e sócios. Ela está prevista no CPC 09.

O que é DVA e para que serve?

DVA é a sigla de demonstração do valor adicionado. Serve para mostrar a riqueza criada pela empresa e a sua divisão entre quem contribuiu para ela. Ajuda a avaliar transparência, estrutura de custos, peso de tributos e de dívida, e a comparar períodos e empresas.

Como calcular a demonstração do valor adicionado?

Calcule o valor adicionado bruto (receitas menos insumos de terceiros), desconte as retenções (depreciação e amortização) e some o valor adicionado recebido em transferência. O resultado é o valor a distribuir, que deve ser igual à soma de pessoal, impostos, capitais de terceiros e capitais próprios.

Como se calcula o valor adicionado?

Na forma mais simples, valor adicionado é igual à receita menos o que foi comprado de terceiros para gerá-la. Na DVA, o cálculo segue em etapas: bruto, líquido (depois da depreciação) e total a distribuir (com receitas financeiras e equivalência patrimonial).

A DVA é obrigatória para todas as empresas?

Não. A lei exige a DVA das companhias abertas. Para as demais, ela depende de exigência de reguladores, de contratos ou de decisão dos sócios. A norma para pequenas e médias empresas (NBC TG 1000) não a inclui entre as demonstrações. Qualquer PME pode, porém, produzi-la de forma gerencial.

Qual a diferença entre DVA e DRE?

A DRE mostra o lucro depois de todos os custos, despesas e impostos. A DVA mostra a riqueza gerada e a sua divisão entre pessoal, governo, financiadores e sócios. O lucro da DRE aparece na DVA como uma das parcelas, a remuneração do capital próprio.

Quais são as partes da DVA?

A DVA tem duas partes: a geração do valor adicionado (receitas, insumos, retenções e valor recebido em transferência) e a distribuição do valor adicionado (pessoal, impostos, taxas e contribuições, remuneração de capitais de terceiros e de capitais próprios).

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